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A Europa tem a Mulher Brasileira como presa fácil e hipersexualizada!

21 set
Uma das grandes frustracoes e estresse de nossas conterraneas brasileiras na Europa é quando se deparam com o estígma que ronda a mentalidade machista e xenófoba que grande parte dos homens europeus tem sobre a mulher brasileira.  A idéia já cristalizada de que toda brasileira está sempre disponível, hipersexualizada e presa fácil. Isso vem acarretado muitos problemas e conflitos e mesmo gerando  agressoes simbólicas, psicológicas e físicas. E essas agressoes se dao na esfera privada, pública e nos meios de comunicacao. Muitas denúncias e acoes sao realizadas pelos movimentos de mulheres,  além de solicitacoes de apoio às entidades locais e representacoes brasileiras. Hoje de manha recebemos o Manifesto das mulheres de Portugal, que retrata fielmente a situacao que estao sofrendo por lá e que pode ser extendido para praticamente para toda a Europa. Os problemas já podem comecar nos aeroportos em que desembarcam. Estamos nessa luta contra esse estígma machista, sexista e xenófoba e muitas das vezes racista e neocolonial que se abate contra as mulheres brasileiras por aqui – Ras Adauto Berlin

Manifesto em repúdio ao preconceito contra as mulheres brasileiras em Portugal, em função do mais recente caso de estigmatização das brasileiras na comunicação social portuguesa, o programa Café Central da RTP. Solicitamos o seu apoio!

Manifesto em repúdio ao preconceito contra as mulheres brasileiras em Portugal

Vimos por meio deste, manifestar nosso repúdio ao preconceito contra as mulheres brasileiras em Portugal e exigir que providências sejam tomadas por parte das autoridades competentes.

Concretamente, apontamos a comunicação social portuguesa e a forma como, insistentemente, tem construído e reproduzido o estigma de hipersexualidade das mulheres brasileiras. Este estigma é uma violência simbólica e transforma-se em violência física, psicológica, moral e sexual. Diversos trabalhos de investigação, bem como o trabalho de diversas organizações da sociedade civil, têm demonstrado como as mulheres brasileiras são constantemente vítimas de diversos tipos de violência em Portugal.

O estigma da hipersexualidade remonta aos imaginários coloniais que construíam as mulheres das colônias como objetos sexuais, escravas sexuais, e marcadas por uma sexualidade exótica e bizarra. Cita-se, por exemplo, a triste experiência da sul-africana Saartjie Baartman, exposta na Europa, no século XIX, como símbolo de uma sexualidade anormal. Em Portugal, esses imaginários coloniais, infelizmente, ainda são reproduzidos pela comunicação social.

Teríamos muitos exemplos a citar, mas focaremos no mais recente, o qual motivou um grupo de em torno de 140 mulheres e homens, de diferentes nacionalidades, a mobilizarem-se, a partir das redes sociais, para escrever este manifesto e conseguir apoio de diferentes organizações da sociedade civil. Trata-se da personagem “Gina”, do Programa de Animação “Café Central” da RTP (Rádio Televisão Portuguesa). A personagem é a única mulher do programa, a qual, devido ao forte sotaque brasileiro, quer representar a mulher brasileira imigrante em Portugal. A personagem é retratada como prostituta e maníaca sexual, alvo dos personagens masculinos do programa. Trata-se de um desrespeito às mulheres brasileiras, que pode ser considerado racismo, pois inferioriza, essencializa e estigmatiza essas mulheres por supostas características fenotípicas, comportamentais e culturais comuns. Trata-se de um desrespeito a todas as mulheres, pois ironiza/escarnece sua sexualidade, sua possibilidade de exercer uma sexualidade livre, o que pode ser considerado machismo e sexismo. Trata-se, ainda, de um desrespeito às profissionais do sexo, pois ironiza o seu trabalho, transformando-o em símbolo de deboche/piada/anedota, sendo que não é um trabalho criminalizado em Portugal, portanto, é um direito exercê-lo livre de estigmas. No anexo 1 desta carta estão: o vídeo de um dos episódios (na versão on-line), e a transcrição de um dos episódios, bem como, a imagem dos personagens (na versão impressa). Destacamos que o fato é agravado por se tratar de uma emissora pública, a qual em hipótese alguma deveria difundir valores que ferem o direito das mulheres e da dignidade humana.

Além deste caso que envolve a televisão, existem muitos outros em revistas, jornais e publicidades, que exemplificam a disseminação do estigma em vários meios de comunicação de massa e cujos exemplos seguem em anexo. Seja qual for o meio de comunicação utilizado, é constante a representação estereotipada da mulher brasileira como objeto sexual, o que acaba por interferir na forma como as imigrantes brasileiras são percebidas e tratadas dentro da sociedade portuguesa.

-Anexo 2: a capa da Revista Focos, edição 565/2010, a qual apresenta as mulheres brasileiras como sedutoras e as representa com uma imagem cujo destaque é a bunda;
-Anexo 3: a reportagem do Diário de Notícias, edição do dia 26/06/2011, sobre o movimento SlutWalk Lisboa, a qual descontextualizou uma imagem, acabando por reforçar os estigmas contra a mulher brasileira, fazendo exatamente o contrário do objetivo do movimento;
-Anexo 4: publicidade do Ginásio Holmes Place- Health Club, atual, sobre uma modalidade de aulas intitulada “Made in Brazil”, a qual é representada por uma imagem cujo destaque é a bunda;
-Anexo 5: publicidade da Agência de Viagens Abreu, na Revista B de Brasil, edição inverno de 2001, cuja a imagem do Brasil é uma mulher e a mensagem da publicidade é uma referência direta aos descobrimentos e a disponibilidade, aos portugueses, do que havia e há no Brasil.
-Anexo 6: episódio do programa de humor “Mini-Malucos do Riso”, da SIC, no qual afirmam que no Brasil só há prostitutas e futebolistas.

Exigimos, das autoridades competentes, que se faça cumprir a “CEDAW – Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres”, da qual tanto Portugal, como o Brasil, são signatários. Destacamos, também, o “Memorando de Entendimento entre Brasil e Portugal para a Promoção da Igualdade de Gênero”, no qual consta que estes países estão “Resolvidos a conjugar esforços para avançar na implementação das medidas necessárias para a eliminação da discriminação contra a mulher em ambos os países”.

Grupo de Articulação do Manifesto:https://www.facebook.com/groups/manifestobrasileiras/

Contatos: manifestobrasileiras@gmail.com

Organizações e Movimentos Sociais que apoiam e subscrevem o Manifesto:

Associação ComuniDária – comunidade solidária à pessoa imigrante, sensível às questões de género e com iniciativas diversificadas de integração.

Observatório das Representações de Género nos Média, UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta.

Movimento SlutWalk Lisboa.

Coordenação Portuguesa da Marcha Mundial de Mulheres.

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Um Video do Programa  Café Central da RTP2

A personagem de codinome GINA é presumidamente uma Brasileira!


 
5 Comentários

Publicado por em setembro 21, 2011 em Uncategorized

 

5 Respostas para “A Europa tem a Mulher Brasileira como presa fácil e hipersexualizada!

  1. p.

    setembro 23, 2011 at 4:38 pm

    Confunir uma obra de ficção com um insulto xenofobo é no minimo um pensamento não construtivo, muito reduzido e nada democrático. Já imaginou se todas as piadas de português contadas no Brasil fossem encaradas na mesma forma?

    Acho este movimento muito patetio, por não tem razão de ser. Existem sim problemas graves no emigrantes brasileiros em Portugal que estão esquecidos.

    Isso sim merece atenção.

     
    • Jovane

      janeiro 21, 2012 at 4:44 am

      É claro que sabemos que as mulheres brasileiras são mais agradáveis, afinal somos um povo acolhedor, portanto os homens aqui também são agradáveis, mas não é esse o ponto nem tão pouco o fato de fazermos piadas sobre potugueses “oras pois”, a mulher num geral merece respeito seje ela mulçumana, africana, portuguesa, etc., e todos sabemos que isso voces entendem afinal todos bem ou mal, tiveram uma mãe e acho que nenhum filho que tenha carinho por sua mãe gostaria de ver a própria hipersexualizada, isso não é nada democrático e sim beira a vulgaridade com o consentimento o que não é real, sabemos que voces podem e devem ser mais criativos que isto ainda mais se tratando de uma obra de ficção, já passou da hora de darmos o devido valor as mulheres de todo o mundo. Quanto a questão de emigrantes voces não são os únicos a terem problemas, o mundo esta indo pra onde o bolso aponta e nesse caso temos que ser justos com todos e a melhor maneira ainda é o diálogo e eu tenho certeza que voces também pensam assim, um abraço para todos.

       
  2. joao silva

    dezembro 3, 2013 at 9:29 pm

    sou casado com uma brasileira mui digna …..uma senhora em todos os sentidos e até mais culta do que se pode imaginar pra muita gente que por ora ainda a desconhece…professora de língua portuguesa, mulher caseira,avó,cuidadosa com meus familiares e amigos…..coisas que não são muito comuns em portugal

     
  3. Alexandre

    junho 29, 2014 at 7:35 pm

    engraçado, mudar o comportamento ninguem quer, espero que quem escreveu esse manifesto esteja vendo o que as brasileiras estão fazendo com os gringos no brasil né.. literalmente atacando e pegando os caras quase que a força… esta uma coisa surreal de se ver… estão atacando sem cerimonia nenhuma

     

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