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A História de Sangue e Repressão: o PMDB no Rio de Janeiro

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Polícia bloqueia entrada da favela Morro dos Macacos, no Rio de Janeiro, durante confrontos no sábado. Foto: AFP

Os governos do PMDB no Rio de Janeiro são responsáveis por centenas e centenas, que chegam a alguns milhares, de mortes e graves ferimentos em pessoas pretas, mestiças e pobres das comunidades, com a história de combate ao narcotráfico e a criminalidade na capital: a guerra político-social disfarcada em guerra contra o tráfico

Morreram pessoas de todas as idades, umas diretamente com os órgãos de segurança policial militar, criminosos ou nao; e outras mais em situações de balas perdidas, em “confrontos”, ou simulação de confrontos, da polícia com supostos bandidos. Aconteceram nesses últimos anos muitos assassinatos pela polícia diretamente para sufocar, servir de exemplo e paralisar as reações e as respostas políticas das comunidades afetadas.

Além das tragédias de mortes, o governo promoveu verdadeiro sufoco cultural, social e político e o controle de circulação das comunidades para outras partes da cidade, criando muros invisíveis, principalmente os que cercam essas comunidades da chamada zona sul do Rio de Janeiro, para onde esses governos do PMDB governam de fato. Teve até um imbecil que sugeriu criarem-se muros de concreto em torno das comunidades reprimidas, como o muro que Israel quer cercar o povo palestino em Gaza, ou o regime do apartheid da África do Sul e na Namíbia com os seus bantustões.

São páginas sangrentas e verdadeiras que nao podem cair nos esquecimentos e amnésias nas nossas memórias e devem fazer parte da história nao tao bela da nossa chamada “Cidade Maravilhosa”, do Rio de Janeiro, que mata pretxs e pobres.

Reaja ou será Mortx.

negra panther

 

A Vaia de Berlin!

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Bom dia, mundiais!

“Viva a Vaia Viva” (augusto de campos)

Ontem a manifestação em frente a Embaixada, com cerca de 150 pessoas, foi um fato que mostrou em pequeninissima dose a grande contradição que mapeia o Brasil. De um lado brasileirxs de todas as cores e regiões do país e agregadxs alemães e outros, cercado por um cordão de policiais e do outro lado da rua a elite branca brasileira e estrangeira, cujos poucos negros eram funcionários ou diplomatas africanos, que entravam na porta para a cerimonia de comemoração do dia da independência e a despedida da Embaixadora.

No momento em que havia uma quantidade bem grande de convidados na fila para a entrada, os brasileiros do outro lado rufaram os tambores, da Banda “Rainhas do Norte” e passaram a gritar: Fascistas! Golpistas! Fascistas e Golpistas nao passarão. Fora Temer! Fora Temer!

Galera, teve gente do outro lado que ficou tao constrangida, que se via nitidamente que nao sabia a onde enfiar a cara. E queria porque queria entrar logo na Embaixada. Vi isso em alguns militares que chegavam com as suas esposas.

Enquanto isso a Ciranda comeu solto e uma roda linda se formou, que deixaria a Lia de Itamaracá muito orgulhosa com aquela dança ali,

Via-se também a curiosidade nxs policiais que formavam a barreira entre a manifestação e a entrada da Embaixada em ver uma manifestação tao colorida e tao musical.

A manifestação se iniciou com a leitura de um longo manifesto, em alemão, lido pela Dj Grace Keller.

Em um momento especial, bonito e triste foi homenageada uma artista e ativista do movimento de mulheres e lgbt brasileirx em Berlin, a MC Xuparina, muito querida na comunidade, que faleceu ontem de manha de um fulminante AVC.

Vendo aquele filminho passando na minha frente, me veio à cabeça uma frase do poeta modernista Oswald de Andrade:

“O Brasil é o único país do mundo, que a elite é estrangeira e o povo brasileiro”.

negra panther

foto/rasadauto: a percursionista Débora Saraiva.

 

7 de Setembro, uma Memória

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Bom dia, Mundiais,

Hoje no Brasil é o Dia da “Independência”

Ou “O Souza Marques estava ali onde eu estava”

Existiu uma época em que eu gostava do 7 de Setembro, pois era como se dizia, o Dia da Pátria.

Eu estava no Colégio Estadual Barão do Rio Branco, em Matadouro/Santa Cruz, e meu colégio participava altivamente do grande desfile colegial na avenida principal de Santa Cruz. Milhares de alunos de praticamente todas as escolas que iam de Campo Grande até Santa Cruz disputavam naquele grande dia o posto da melhor escola que apresentava a melhor performance.

Por várias vezes carreguei o tal pendão verde e dourado da “minha terra”.

O Colégio Barão do Rio Branco ganhou várias vezes ou disputava com os colégios feras da região o primeiro posto nos desfiles.

O Colégio que disputava sempre conosco a primeira posição era o Colégio Souza Marques.

Anos depois, ativista do Movimento Negro no Rio de Janeiro, soube que Souza Marques, de nome José de Souza Marques, era um grande pedagogo e educador negro que espalhou pela Zona Oeste do Rio de Janeiro todo o seu saber e sacerdócio educacional em salas de aulas e fundou inúmeras escolas e colégios, depois a Universidade Souza Marques, modelo até hoje de formação educacional na região suburbana do Rio de Janeiro.

E lá ia eu ainda menino, todo becado no meu uniforme passado e engomado pela minha mãe. com a faixa verde-amarela cruzada no peito, carregando as minhas medalhas dependuradas, luvas brancas, fazendo o cordão abre-alas da escola, carregando, com todo aquele orgulho que injetavam em nós sobre a pátria, o auri-verde pendão de minha terra. Enquanto a bandinha do colégio, que a gente chamava de Furiosa, tendo a frente um maestro aloprado, parecido ter saído de algum livro de Machado de Assis ou Lima Barreto, regendo garboso seus musiquinhos peraltas, o coro de vozes do Colégio Barão do Rio Branco tomava à Avenida Santa Cruz aos berros, uns dentro do tom, outrxs desafinadxs, marchando com orgulho, se ufanava na parte do Hino da Independência que dizia:

“Ou ficar a Pátria livre
ou morrer pelo Brasil!”

A farra era depois receber a merenda: sempre o pão com mortadela afogado na mateira e um copão de Merinda ou Guaraná gelado.

Existiu uma época em que fui um fervoroso patriota, hoje em dia o papo é outros 500.

negra panther

imagem/arquivo: Prof. José de Souza Marques, grande educador do Brasil, o meu homenageado do dia da independência.

 

Os mesmos personagens das Ditaduras

 

 

1968 - Cavalaria

foto/brasilarquivo: a arrancada da cavalaria, Rio de Janeiro, anos 70

Os mesmos personagens das Ditaduras

Vendo os videos sobre as acoes brutais da polícia em São Paulo contra manifestantes, lembrei-me dos tempos da ditadura, nos anos 70, quando eu era estudante de letras da UFRJ e participava das passeatas e protestos no Rio.

A polícia da época avançava em cima de qualquer aglomerado de pessoas com olhos sanguinários e se usavam muito policiais a cavalos que galopavam ensandecidos em direção ao povo e com pedaços de pau, as famosas fantas, iam quebrando as cabeças das pessoas a pauladas.

Tinham os caminhões brucutus, que eram os blindados enormes que jogavam jatos de águas muito fortes nas pessoas. Uma vez tomei um jato dágua de um brucutu, ali em frente o Amarelinho que fui lançado longe e caí no meio das cadeiras do restaurante, com o corpo todo dolorido e fiquei um bom tempo sem conseguir levantar-me do chão, momentaneamente paralítico.

Além evidente dos gáses lacrimogênios e de efeito moral que cobriam a Cinelândia de densa nuvem de sufoco.

Mas a arma mais perigosa que a polícia usou nesse tempo eram as bombas de estilhaços. Que eram artefatos jogados e quando explodiam, lançavam estilhaços de agulhas flamejantes que se enterravam no corpo da pessoa e provocavam depois graves ferimentos de queimaduras, pois as agulhas entravam na carne, se espalhavam e era muito difícil de serem tiradas, a nao ser por uma cirurgia. Uma amiga de faculdade recebeu umas agulhas de fogo dessas e ficou com um rombo horrível na batata da perna.

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foto/vice/guilherme santana: a polícia de sao paulo, 2016

Cenas da violência de Ditaduras, naquele tempo e hoje a que estamos assistindo no Brasil. Os personagens são os mesmos, a brutalidade e a violência são as mesmas e a serviço do mesmo sistema que nao mudou nada nesse tempo todo, em relação à repressão aos movimentos populares.

negra panther

foto/brasil70: a arrancada da cavalaria contra protesto, anos 70, Rio de

 

Partido Xenófobo bate partido de Angela Merkel, nas eleicoes de hoje, no estado de Mecklenburg-Vorpommem

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Sairam os resultados das eleições de hoje nos estados alemães. Em um dos estados mais esperado do resultado do pleito, Mecklenburg-Vorpommem, uma surpresa muito desagradável, mas que para alguns já era esperado, o partido populista fascista xenófobo racista afD (Alternativa para a Alemanha) bateu o partido de Angela Merkel, CDU, União democrática Cristã, e ficou em segundo lugar com 21% dos votos. O CDU em terceiro com 19%.

Quem ganhou o pleito foi o social democrata SPD, com 30% como era previsto na cotação que rolou esse semana.

Esse estado, Mecklenburg-Vorpommem, é uma das regiões mais conservadoras e racistas onde o afD vem costurando o seu discurso e acoes contra migrantes, o islã, uma politica radical em relação aos refugiados, a criminalização de estrangeiros e a hegemonia da cultura alemã e europeia acima de tudo, além de se alimentar e alimentar movimentos fascistas como o Pegida (Patriotas Europeus contra o Islamismo no Ocidente) e grupos neonazis e de extrema direita.

Esse resultado deu um nó esquisito na política alemã e caberá à aliança de governo do SPD e o CDU, que esses partidos mantém a duras penas no controle do pais, tentar neutralizar as acoes do afD no parlamento local, o que vai ser muito difícil. Com o segundo lugar é uma grande vitória e certamente vai fortalecer as forcas conservadoras, fascistas, xenófobas, racistas dentro do país.

O pleito era visto como termômetro sobre a política migratória.

Abra o olho Alemanha.

Na foto/dpa: A ultradireitista Frauke Petry, chefe do afD – Alternative für Deutschland (Alternativa para a Alemanha), nao está de brincadeira e tem discurso e ação radical e direta; e está mobilizando grande camada de conservadores da classe média alemã reacionária, avessos a qualquer coisa que diz respeito a estrangeiros e nao eurpeus, que acreditam que a Alemanha está sendo invadida e que a cultura e as tradições alemães devem prevalecer acima de tudo. . Alguém outro dia chamou-a de “uma Hilter Highlight” em ascensão. Ela se diz uma democrátca eurocética,. É muito perigosa essa personagem e com essa eleição está assustando a cena política alemã. Ela é uma máquina que foi bem treinada para provocar mais crise na Alemanha e dentro da Europa. Uma das suas últimas polemicas era quando ela declarou que os alemães devem ser armar, principalmente os alemães das regiões onde ela está emergindo com essa forca e apoio.

negra panther.

 

O Abuso da Igreja

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foto/internet/holistika

Nos metros de Berlin tem pequenas televisões onde passam notícias sobre variados temas, curiosidades, chamadas de eventos e publicidades.

Hoje estava vindo para casa e a notícia apareceu.

“Katholische Kirche
Viele Menschenopfer Missbrauch”

(Igreja Católica: Muitxs Vítimas de Abuso)

O pequeno texto que segue com a informação da notícia falava sobre o aparecimento cada vez mais e mais de pessoas que sofreram abusos e violências sexuais em instituições católicas na Alemanha e em outros países.

Muitas das pessoas sofreram os abusos quando crianças ou adolescentes quando estavam internados em educandários, como o do escândalo que estourou uma vez no educandário dirigido pelo irmão do Papa alemão, Bento XVI.

São muitos e muitos processos que correm hoje em dia na Alemanha de vítimas ou familiares de vítimas contra instituições católicas ou contra a Igreja Católica alemã.

O negócio é muito feio, Outro dia vi uma docureportagem no Canal de Documentários “Phoenix” sobre vítimas de abuso dentro de instituições católicas alemães e muitas dessas pessoas eram muito ressabiadas e algumas voce via estavam com grandes problemas psíquicos e depressivas.

Pois é, Padre José!

Padre José foi o padre da igreja que eu frequentava na adolescência em Realengo, a Sao José Operário. Que um dia raptou e sumiu no mundo com a filha mais nova de uma das beatas da Congregação Mariana do Sagrado Coração de Jesus da Igreja. A menina tinha 14 anos. E ninguém mais achou, nem o Padre José e nem a menina, filha da Baeta. Foram engolidos por esse mundo de Deus,

negra panther

 

“O Captador de Recursos, a Chave das Leis de Incentivos Fiscais”

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“O Captador de Recursos, a Chave das Leis de Incentivos Fiscais”

Fico vendo esse debate acalorado de artistas e culturais e destratores da tal Lei Rouanet. Mas até agora nao vi ninguém falar numa figura chave e constante, verdadeira eminencia parda no processo, que era/é ainda o tal de ” O Captador de Recursos”. Ali é que está o Jabaculê da parada.

Artistas do meu porte, como artistas negros, nunca conseguiram captar nenhum recurso dessas Leis, ou se captaram foram muitos poucos e tiveram que passar pela “tendinha” do tal “captador de recursos” e pagar os pedágios para esses caras e suas “agencias de captação de recursos”. Como nao tínhamos condicoes de contratar “os vivaldinos”, tinhamos que correr nós mesmos, com o tal certificado nas maos, tentando viabilizar os nossos projetos, que no final, como somos madeira de lei, acabávamos fazendo do nosso jeito e com os recursos próprios e das irmandades que se envolviam.

A mutreta, com a lei do áudio-visual, rolava mais ou menos assim. Você apresentava um projeto de filme ou vídeo no MINC. Você recebia um certificado lhe autorizando a buscar recursos nas renúncias fiscais das empresas, ponto. Ou voce arriscava e ia sózinho vender seu peixe nos departamentos de marketing e propaganda das empresas ou então “tinha” que recorrer a um desses “Captadores de Recursos”. Muitos escritórios no Rio, por exemplo, foram montados para fazerem essas operações. E se me lembro a taxa do contrato para esses caras captarem era de 20% até mais do custo que voce tinha direito de captar. Teve caso, que eu sei, de projeto de video, que o cara pediu 60% do projeto do videasta.

Evidente que com esses rombos, muitos projetos poderiam e ficaram inacabados e o artista tinha que se virar para terminar os trabalhos e ainda apresentar um prestação de contas nos conformes do certificado.

Aí, vem a segunda parte da mutreta: para resolver esse impasse, essas agencias, as mais bem montadas tinham seu pessoal de contadores e advogados, que davam assessorias no projeto com a seguinte e simples forma. o orçamento real do projeto mais a extensão, embutido em algum ítem, dos por centos que voce deveria passar para “O Captador de Recursos”. Qier dizer, voce superfaturava o projeto para pagar o “Quero o Meu”.

Tinha uma piada que meu grupo de video fazia sobre isso: assim que sai o recurso, o cara que já estava primeiro no boca do caixa para receber o seu era o “Captador de Recursos”, depois o tal do Produtor e por último o artista, que recebia as migalhas pela sua obra.

Isso se proliferou e gerou uma riqueza muito grande para muita gente, mas até agora ninguém falou disso nessa discussão. Tanto é que os grandes artistas e seus escritórios de producao montavam um departamento de captacao de recursos para seus projetos. E também as grandes empresas sacaram o lance e passaram a terem seus escritórios de captação de recursos para seus próprios projetos culturais e artísticos, como o Banco Itaú, Fundação Roberto Marinho e vai por aí a fora. Uma vez estive em uma dessas agencias, na Praca XV, que era um escritório de advogados sobre tramites financeiros que tinha ligação entre outras com a Bolsa de Valores.

Falo isso, porque como artista negro tive que enfrentar essa grande desvantagem e essa máquina que beneficiou as elites artísticas e principalmente enriqueceu gente que nao tinha nada a ver com arte e cultura, mas eram especuladores e investidores em cima de um recurso, renuncia fiscal de empresas, que é sim recurso público.

As estatais que mais injetaram recursos nessa malha de captações de recursos para projetos artísticos e culturais na época foram a Petrobras e o Banco do Brasil, entre outras.

– É mentira, Terta?

– Mutreta!!!

negra panther.

imagem/internet: o captador de recurso, o cara da maletinha.

 
 
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