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“FRONTEIRAS DO ABANDONO” – Bandeirantes Contra Indios

26 jul

Recebemos especialmente o artigo abaixo do líder Indígena Juvenal Payaya, para ser publicado  aqui no PPABerlin/NAI

Ras Adauto

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Especial da Rede Bandeirantes de TV.

  Durante uma semana (11 a 15 de julho) a rede Bandeirantes de televisão, exibiu uma série de reportagem especial no seu principal noticiário da noite, tendo como jornalista  responsável Fabio Pannuzio que  trouxe ao ar  em imagens e falas “As fronteiras do abandono”, com duras críticas contra a demarcação contínua das terras Indígenas  “Reserva Raposa do Sol”. Nada trazendo de novo; os clamores são de figuras conhecidas: políticos, arrozeiros, parte da imprensa  e um general, estes contra os povos indígenas. Viu-se, no entanto, com clareza  uma repetição da mensagem de desrespeito, aversão, fel e ódio, sobra do  colonizador original, coisa que perdura por séculos, ou seja, as ações contra o povo indígena  tem sempre como beneficiário o colonizador. Durante o julgamento (2009) do processo no STF, a rede  Bandeirantes de radio e TV,  em editoriais através de seus âncoras, opinava  contra os que defendiam a demarcação contínua das Terras, para ser equivocados bastavam apoiar o projeto: índios, juízes,  políticos, instituições, não apontando, porém, o caminho para os 19 mil índios que ali vivem. Um bom observador notará que tudo o que foi apresentado na série de reportagem  sobre Raposa Serra do Sol, poderia ser dito sobre Pau Brasil dos Hãhãhãe,  Banzaê dos Kiriri, Tupinambá de Olivença, todas as etnias do Parque do Xingu no Mato Grosso do Sul, qualquer aldeia  Boliviana, do Equador ou México, qualquer outra terra habitada por povos originários,  conhecida ou não. Pode ser dito sem medo de erro que em terras Indígenas o capitalismo não prosperou, não cresceu  economicamente e não houve desenvolvimento social. Uma das razões é que, aos  povos indígenas não se deu qualquer apoio em políticas públicas. O certo é que,  a cobiça pelas suas terra férteis os transformaram em inimigos vis, tratado como praga para ser extirpada;  não houve proteção, apoio financeiro, respeito por parte do governo colonial, também não houve apoio no estado brasileiro independente. As agencias de fomento de antes e as de hoje – Banco do Brasil, BNDS, Banco do Amazônia, Banco do Nordeste, Sudene, Sudam, SPI, Funai não enxergaram o povo indígena como seres capazes. Estes órgãos sempre abertos a financiamento e custeio com juros subsidiados para tecnologia, infra estrutura, maquinarias, sementes, transporte e logística objetivando o lucro, privilégio inicial do colonizador de além mar e depois para o colonizador moderno o novo bandeirante. Na Austrália um grupo de aborígenes que recebeu apoio prosperou, até mais que os brancos.Claro que a Bande  deve estar evitando buscar discussões históricas, afinal já se passaram 500 anos. Para alguns, isso é coisa esquecida. É certo que há de se esperar outra posição da A Bande,  como é carinhosamente chamada a Rede, apesar de cujo nome é o engrandecimento à façanha dos  grupos paulistas de matadores, dizimadores dos povos  indígenas, primórdio da civilização mestiça miseravelmente empobrecida, e esta realidade não é  coisa do passado.Os povos indígenas crêem no efeito histórico e defendem os feitos como marcas vivas  e presentes, não devem ser esquecidas em qualquer discussão referente à luta dos branco X indígenas. É bom salientar que estes fatos são narrados nas páginas dos livros de história feitos para formação dos jovens das escolas brasileiras custeado por verbas públicas, eles são apresentados na visão do colonizador e seus descendentes, quase sempre sem criticas ao genocídio do povo europeu contra os povos nativos. Certamente a rede Bandeirantes não desconhece o histórico do massacre ao longo dos 511 anos, assim como não se acredita que os povos indígenas tenham algum motivo para depositar confiança no sucedâneo do estado colonizador, seja português, seja outro qualquer. Será que alguém pode apontar com clareza qualquer política pública verdadeiramente duradoura à  benefício dos povo primitivos das Américas?  A rede Bandeirantes da família Saad conhece bem o histórico dos povos indígenas, sabe ser estes a parte vencida da maior genocídio provocado por ocupação territorial do planeta em todas as épocas, sabe que, como os Guanchos das ilhas Canárias, os skraelings da Escandinávia, mortos nove em cada 10 pelo colonizador, os tupinambá  da costa brasileira, os maias, os e muitos outros foram praticamente exterminados, os que resistiram são como os palestinos, lutam. Todos sabemos  e não há como negar que as civilizações indígenas eram  tecnologicamente inferior à branca européia invasora, que o europeu usou de todas as manobras: caluniou, humilhou, roubou, escravizou, matou, estuprou, envenenou, introduziu vírus como do sarampo, da rubéola, as doenças venéreas, a malaria, a tubérculos a e outras armas biológicas, ervas daninhas e pragas, coisa repugnante;  importava apenas atingir o lucro como fins. É sabido pela maioria que as terras onde hoje é o território das Américas, parte delas ocupadas pelo estado brasileiro,  eram terras dos povos indígenas e foram confiscadas “em nome do rei”. Até hoje o que vale é este ato jurídico falho, primário e covarde, impreciso –, nulo juridicamente pois não existia como lei – foi imposto pelo vencedor armado. Hoje esta bizarrice seria considerada uma coisa hilariante para risos; uma aberração digna de apelar para um tribunal internacional de justiça tal sua imoralidade, mas ele está aí sendo acobertada sobre o manto sujo da incompreensão, um lixo aculturado.  Vejam que hoje o mesmo ato se reapresenta com novas roupagens: o apelo em rever a decisão do Supremo. Não seria prudente rever o ato de posse de Cabral?  A bula Papal? É que o colonizador e hoje os arrozeiros novos bandeirantes colonizadores , são os políticos que encaminham e votam as leis em nosso nome no Congresso Nacional.  As duas perguntas que devem ser respondidas são:  quais as políticas públicas propostas para resolver  o drama dos indígenas “sem terra” fruto do confisco  colonial moderno?  Onde abrigar os povos indígenas que sobreviveu e deseja viver a sua cultura?  Com a palavra o Deputado Paulo Cesar Quartieiro, o General Augusto Heleno, A Rede Bandeirantes!  Em síntese, para quem vive de longe a saga do povo indígena, entendeu a  reportagem especial, como sendo uma defesa da tese onde as  terras dos índio devem continuar sendo usurpadas pelos detentores da mais novas tecnologias.

         Juvenal Payayá


www.juvenal.teodoro.blog.uol.com.br

 
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Publicado por em julho 26, 2011 em Uncategorized

 

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