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Movimento de Apoio às Nações Indígenas/Berlin Kreuzberg

23 ago

Berlin/Alemanha – Foi criado nessa segunda-feira o “Movimento de Apoio às Nações Indígenas/Berlin Kreuzberg”. Será uma espécie de “ação jornalística e mediática” de apoio às informações, comunicações e notícias do Movimento das Nações Indígenas Brasileiras. A data, 22 de agosto de 2011, não é mais do que propícia, quando aconteceram várias manifestacoes mundiais solidárias às nacoes indígenas do Xingú contra a instalação de Usina Hidroelétrica em Belo Monte.

O “Movimento de Apoio às Nacoes Indígenas/Berlin Kreuzberg” será coordenado pela Cineasta Katharina la Henges e pelo Jornalista e fotógrafo Ras Adauto.

A ação está apoiada pelas redes” Pindorama Presse Agentur Berlin/PPAB” – serviço de midias da “Nijinski Arts Internacional e.V. “- e pelo “Quilombo Brasil/Rádio Mamaterra/Hamburg”.

Na Foto:  Urubu-Rei (Ugúvu Cuengo), o símbolo do Movimento de Apoio às Nacoes Indígenas/Berlin Kreuzberg : “Nas lendas indígenas do Xingú, o Urubu-Rei é o Dono do Fogo e tem duas cabecas.”

Ras Adauto Berlin
PPABerlin/NAI e.V.

Uma Lenda do Fogo do Urubu-Rei ( o Ugúvu Cuengo)

Fogo dos Kuikúru – Os índios kuikúru não tinham fogo. Kanassa, um herói demiurgo, resolveu procurar. Levava na mão fechada um vaga-lume. Cansado da caminhada, resolveu dormir. Abriu a mão, tirou o vaga-lume e pôs no chão. Como estava com frio, se acocorou para se aquentar à luz do vaga-lume. Quando Kanassa e a saracura chegaram ao outro lado da lagoa, ele desenhou no barro uma arraia, mas com o escuro não viu o próprio desenho e foi ferrado. Kanassa pediu, então, o fogo à saracura, para poder enxergar. Esta lhe disse que só o ugúvu-cuengo (urubu-rei) é que tinha fogo. “Como é esse ugúvu-cuengo?” “É um tipo de uruágui (urubu comum), muito grande, com duas cabeças e difícil de ser encontrado. Fica em lugar bem alto e só desce para comer.” “Como é que a gente faz para segurar ele?” “O único jeito é matar um veado grande, esconder-se embaixo da unha dele até ele apodrecer. E, quando o urubu-rei chegar, segurar a perna dele e só soltar quando ele der o fogo.” Kanassa desenhou um veado morto, escondeu-se na unha da carniça, e ficou esperando o dono do fogo se aproximar. Quando este começou a comer a carne podre, agarrou-o pelo pé. O urubu-rei só ficou um pouquinho zangado, chamou um passarinho preto e mandou buscar o fogo lá do céu. O passarinho trouxe uma brasa, assoprou e acendeu o fogo. Kanassa, na mesma hora soltou o urubu-rei. Quando o fogo já estava aceso e quente, vieram os sapos, sopraram água nele e fugiram para a água. Mas o fogo não chegou a apagar e, o urubu-rei, então, disse: “Kanassa, quando o fogo apagar, quebra uma flecha em pedaços, racha no meio, amarra bem uma sobre a outra e firma bem no chão. Feito isso, procura uma varinha de urucum e com ela, apoiando uma das pontas nos pedaços da flecha, tira com força até o fogo surgir. E, procura um cipó da beira da água, abre e deixa secar. É muito bom para ajudar a acender fogo.” Para levar o fogo para o outro lado do rio, Kanassa chamou as cobras. Só uma, muito ligeira, conseguiu chegar até o outro lado: a itóto. Kanassa também atravessou a água e lá no outro lado deu bebida, mingau e beiju para itóto – a cobra que conduziu o fogo.

(resumo da lenda Fogo dos Kuikúru, Villas Boas & Villas Boas, 1972)

 
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Publicado por em agosto 23, 2011 em Uncategorized

 

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