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Arquivo mensal: outubro 2011

Acordo para trazer mão de obra turca à Alemanha completa 50 anos esse final de mes de outubro.

Acordo para trazer mão de obra turca à Alemanha completa 50 anos esse final de mes de outubro.

A partir do acordo de 30 de outubro de 1961, um grande número de turcos veio trabalhar na Alemanha. Hoje, eles formam o maior grupo de imigrantes no país, com 2,5 milhões de cidadãos – 700 mil com passaporte alemão. A maioria veio para fazer o trabalho que os alemaes achavam que eles nao podiam fazer mais, principalmente os servicos básicos, serventia, limpeza, construcao civil, etc. A baixa escala do trabalho.

“O assim chamado “Acordo de recrutamento” entre a Alemanha e a Turquia foi assinado em 30 de outubro de 1961, em Bonn. Seu objetivo era trazer turcos saudáveis e solteiros para trabalhar na Alemanha. O acordo bilateral regulamentava as condições para os candidatos.

Estas incluíam o pagamento da passagem e despesas de viagem até a Alemanha. O bilhete de volta para a terra natal, por outro lado, caberia ao empregador alemão – porém não em todos os casos. Assim rezava o “Regulamento da contratação de empregados turcos para a República Federal da Alemanha.

(…)eles eram chamados de “gastarbeiter” (trabalhadores convidados). Após dois anos, deveriam voltar para o país de origem, sendo substituídos por novos candidatos, uma medida que visava evitar a imigração. De início, a vinda da família também era proibida.”. -DW

Aqui no bairro onde moro, Kreuzberg ( e de Neukölln), é de maioria turca. O bairro – e seu entorno – é conhecido como a “pequena Istambul”. A comunidade turca está bem estabelecida e já domina um território grande de comércios, residencias, escolas, associacoes culturais, políticas, esportivas e de moradores, ocupacoes de ponta em partidos políticos (um dos chefes do partido verde aqui em Berlin é o turco Cem Özdemir), saúde e medicina especializada, na mídia, etc. Sao tres mesquitas turcas instaladas em Kreuzberg.

@s turc@s não podem manter dupla cidadania, por isso, os que nasceram na Alemanha e possuem ambas as nacionalidades têm que optar por um dos dois passaporte até os 23 anos de idade.

Durante esses 50 anos, a comunidade turca teve que enfrentar vários ataques, atentados e discriminacoes, algumas com consequencias trágicas, na Alemanha. Ao mesmo tempo foram criadas ao longo dos anos medidas e acoes governamentais e cidadas conjuntas para a integracao efetiva da comunidade no país. Mas até hoje as sequelas sao evidentes e memorizadas.

Nos ultimos dois anos, temos participado de vários projetos associados à comunidade e associacoes turcas locais.

Pode-se dizer seguramente: Berlin nao existe sem as suas turcas!

O filme “Almanya – Willkommen in Deutschland!” (Bem vindo à Alemanha!), de Yasemin Samdereli, um dos grandes premiados com o Urso de Prata no ultimo BERLINALE, é uma trágicomédia que retrata muito bem uma família turca de “gastarbeiter” (trabalhadores convidad@s) no  período.

Foto: uma vizinha e parceira em projetos no bairro.

 
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Publicado por em outubro 31, 2011 em Uncategorized

 

A Memória Indígena em mim!

Eliane Potiguara, hoje lembrei-me de 1985, lá no Museu da Cidade no Rio de Janeiro! Voce se lembra daquela “Confederacao Indigena”?

Hoje nao sei por que cargas d´água lembrei-me aqui em Berlin, essa manha, de um evento muito importante que aconteceu no Rio de Janeiro, em 1985. Era o mes de marco e se comemorava oficalmente a Fundacao da Cidade do Rio de Janeiro.

E o Museu da Cidade apresentou o evento que me lembrei, que durou 3 dias, organizado por Joel Rufino, que era diretor do Museu nessa época, e por Eliane Potiguara, que comecava a desapontar como uma líder indigena e havia criado o GRUMIN (Grupo Mulher e Educacao Indígena) . Chamava-se, pelo que nao me engano, “Em Memória da Confederacao dos Tamoios”. Cerca de 350 índigenas e liderancas de várias partes do Brasil estavam no encontro. Foram palestras, workshops, ida ao cinema, exposicao de artezanatos e jóias indígenas, recreacao para alunos de escolas primárias, etc

Eu, militante do movimento negro e amigo de faculdade de Letras da UFRJ da Eliane, fui convidado para fazer parte do acontecimento. E junto com a minha companheira Vik Birkbeck fizemos video desse encontro. Esse material deve estar guardado em algum arquivo lá no Rio de Janeiro.

O auge do evento foi a ida em vários barcos para a ilha de Cunhambepe, na Baia de Angra dos Reis. E lá, num cerimonial e rituais belíssimos dos índios presentes e todos nós que lá estávamos, foram plantadas várias mudas de “Pau Ferro”, simbolizando a resistencia das nacoes indígenas no país.

Foi a primeira vez que tomei contato direto com a luta índigena. E foi ali que conheci pessoas importantes como Marcos Terena, Ailton Krenak, Paulo Bororo, Paulo Xavante, Deolinda Manaú, Capitao Pombo, Megaron, Wai-wai, Pedro Tikuna, Karaímirim, Macsuara Kadiwéu, Paulinho Paiakan, Álvaro Tukano e tantas outras e outros que ainda hoje se movimentam em minha memória. E foi ali também que conheci acoes e idéias da UNI- Uniao das Nacoes Unidas.

Posso dizer que esse evento marcou a minha vida para sempre.

Hoje lendo matérias e vendo videos sobre a ocupacao das obras do canteiro de Belo Monte na quinta-feira, veio-me na memória de repente todas essas pessoas naquele marco inesquecível de 1985 no Rio de Janeiro.

É por isso, e tantas outras coisas que aprendi com a luta das nacoes indígenas, que hoje morando aqui em Berlin, na Europa, faco-me de “caixa-de-ressonancia” dessa grande, brava e dolorosa odisséia das nacoes indígenas em sua luta constante e secular por seus direitos, terras, culturas e paz.

É o amor pelo meu povo da cidade, dos campos e das florestas. E que essas pessoas que encontrei em 1985 pela primeira vez fortaleceram ainda mais dentro de mim para toda à vida!

Ras Adauto

Ilustracao: arquivan.disegnolibre

 
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Publicado por em outubro 28, 2011 em Uncategorized

 

O Meu Saci Perere e o Halloween!

O Saci Perere que veio comigo em minhas bagagens para Berlin adora Halloween. Todo mes de outubro o sacana se apronta todinho e fica de prontidao para roubar as abóboras que os nativos locais colocam em exposicao e decoracoes ou usam para fazer os seus “sustos” de bruxas, vampiros, demonios, duendes, caveiras desengoncadas, lobisomes e outros tantos espectros assustadores nesse final de mes.

Outro dia em entrevista a um jornal assustador local, o “HexenZeitung” (Jornal das Bruxas) perguntado como e porque ele havia se tornado um “Ladrao de Abóboras” (Dieb von Kürbissen), o Saci respondeu:

– Adoro um Jabá com Jerimum e um doce de abóbora com coco e leite-condensado e por cima cravo e canela. E suas abóboras de Halloween sao ótimas para fazerem essas delícias brasileiras dos tempos de minha avó.

Ras Adauto, o Sinistro de Kreuzberg!!!!

 
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Publicado por em outubro 28, 2011 em Uncategorized

 

Oficial de Justica e Tropa de Choque acabam com a ocupacao das obras de construcao da Usina de Belo Monte

Na foto do CIMI: um manifestante Kaiapó no local da ocupacao. E segundo a nota da Norte Energia, este seria um dos que  “liderado por pessoas movidas por interesses alheios aos nacionais, tenha ocupado uma área privada, resultando em desnecessária conturbação da ordem pública…”

A maior hidrelétrica em construção no país e carro-chefe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, a usina de Belo Monte, no Pará, teve nessa quinta-feira seu dia de odesséia, quando cerca de 600 pessoas entre indigenas, pescadores, populacaoes ribeirinhas e populacao rural das cidadezinhas próximas ocuparam os canteiros da obra.

No fim da noite, um oficial de Justiça, munido de um mandado de segurança impetrado pela Norte Energia, consórcio responsável pela usina, comunicou que o canteiro teria que ser desocupado.

O oficial de Justica chegou acompanhado por uma tropa de choque fortemente armada para tirar aos que chamavam de „invasores irresponsáveis“ de uma obra pública. A pricnípio os indígenas resistiram à ordem. Mas acabaram desistindo do protesto, desocupando o canteiro de obra de Belo Monte e liberando a Transamazônica (BR 230), que havia sido bloqueada. As obras ficaram paralisadas por mais de 15 horas pelos ocupantes em protestos contra a construcao da Usina em seus territórios.

Em nota, a Norte Energia, empresa concessionária da usina, disse que “causa estranheza que o grupo de manifestantes, em sua maioria arrebanhados em outras regiões, liderado por pessoas movidas por interesses alheios aos nacionais, tenha ocupado uma área privada, resultando em desnecessária conturbação da ordem pública, constrangimento e intimidação aos trabalhadores”.

O  processo de ocupação que ocorreu de forma calma e pacífica, havia sido decidido o durante o seminário internacional “Territórios, ambiente e desenvolvimento na Amazônia; a luta contra os grandes projetos hidrelétricos na bacia do Xingu”, que começou na última terça em Altamira. O encontro deveria terminar nesta sexta, mas os debates foram suspensos porque os indígenas decidiram pela ocupação por tempo indeterminado.

Os manifestantes ocuparam a usina depois da recusa do governo em participar da reunião de trabalho convocada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão vinculado a Organização dos Estados Americanos (OEA), para discutir o não cumprimento de medidas cautelares de proteção as populações atingidas pela hidrelétrica.

Com 11.200 MW de potência (cerca de 11% da capacidade instalada do país) e um custo de 11 bilhões de dólares, a usina de Belo Monte pode se tornar a terceira maior do mundo, atrás de Três Gargantas, na China, e Itaipu.

Esperam-se novos protestos e novas ocupacoes dos manifestantes que estao com suas terras e vidas ameacadas pela Usina no local. E o governo brasileiro continua surdo e determinado a passar por cima de tudo e de todos em Belo Monte.

Ras Adauto

Movimento de Apoio às Nacoes Indígenas Brasileiras Berlin/Kreuzberg/PPABerlin

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Publicado por em outubro 28, 2011 em Uncategorized

 

Povos de Belo Monte ocupam as obras da Usina Hidrelétrica

Segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que me chegaram essa tarde, cerca de 600 pessoas, entre indígenas, ribeirinhos, pescadores e populacao rural ameacada, ocuparam o canteiro de obras da Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, na madrugada desta quinta-feira, Os manifestantes pedem o fim do projeto da usina.

Os manifestantes não encontraram resistência da polícia ou dos seguranças do empreendimento. Segundo informou o Cimi, o que motivou a ocupação foi o adiamento do julgamento no Tribunal Regional Federal da 1ª Região sobre o direito dos indígenas de serem ouvidos antes do início das obras.

A Rodovia Transamazônica (BR-230), a partir de trecho em frente ao canteiro, na altura da Vila de Santo Antônio, região de Altamira, está interditada e só passam veículos transportando doentes.

Decisão tomada em assembléia na manha desta quinta-feira pelos ocupantes é que o acampamento no canteiro de obras será permanente e desde já convocam outras entidades e movimentos a cerrarem fileiras nessa luta que, conforme os manifestantes, não irá parar.

O cacique do povo Kaiapó, Megaron Txucarramãe, um dos líderes do movimento, revelou que outros indígenas da aldeia de Gurupira, em Redenção, estão a caminho do local para aderir ao protesto do grupo.

Nós aqui, do “Movimento de Apoio às Nacoes Indígenas Berlin-Kreuzberg”, engrossamos os protestos e a ocupacao das obras em Belo Monte.

Leia matéria em completa em: CIMI
Foto/world news: O cacique Kaiapó Megaron

 
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Publicado por em outubro 27, 2011 em Uncategorized

 

CTB-RS cria coletivo de Combate ao Racismo


25/10/2011
Depois da Bahia e no Rio de Janeiro, o Rio Grande do Sul é o terceiro estado em que a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) criou o Coletivo de Combate ao Racismo. O ato, realizado em 24/10, contou com a presença de Valmira Luzia, Secretária Nacional de Igualdade Racial da CTB, e de Silvio Pinheiro, Secretário de Políticas Sindicais da CTB-BA.
valmira_guiomar
O objetivo desse Coletivo é tornar público os casos de preconceito racial e de proporcionar condições de igualdade a quem é discriminado em seu local de trabalho.
A diretora de Políticas Sociais da CTB-RS, Izane Mathos, escolhida para coordenar o Coletivo estadual, justificou a prioridade no lançamento. “O Rio Grande do Sul é um estado conservador, onde a característica é a colonização europeia. Aqui, o afrodescendente é muito discriminado, principalmente em seu local de trabalho. Queremos agregar trabalhadores do setor rural porque nós temos no campo a questão dos quilombolas, que sofrem pela falta de terra ou de documentação da sua terra, que foi herdada dos ancestrais. Queremos, também, defender os afrodescendentes não só em seus locais de trabalho, mas também atuar nas questões que os envolvem na sociedade”.
A diretora da Secretaria Nacional de Igualdade Racial da CTB, Valmira Luzia da Silva, considerou vitoriosa a iniciativa. “Nós conseguimos fazer uma discussão ampla sobre as questões relacionadas à luta do Coletivo de Combate ao Racismo, como o fim da discriminação no mercado de trabalho. Conseguimos, também, confirmar a agenda até o final deste ano, a fim de projetar para 2012 outras atividades, como audiências públicas, que ajudem o nosso movimento a crescer no Rio Grande do Sul. É uma região vital para a CTB, já que no Sul estão localizados grandes sindicatos da nossa Central, além de ter sido local onde historicamente ocorreram grandes conflitos por causa da discriminação racial”.
A diretora da Secretaria Nacional de Igualdade Racial da CTB, Valmira Luzia da Silva
O Secretário de Políticas Sindicais e representante do Coletivo Nacional de Combate ao Racismo, Silvio Pinheiro, destacou a importância de fortalecer os coletivos regionais. “Nosso objetivo é implantar o Coletivo na maioria dos estados até 2012, a fim de ser criada a Secretaria de Combate ao Racismo, fórum ideal para a discussão em nível nacional de questões que envolvam o racismo no mercado de trabalho”.
Além da presença de Guiomar Vidor, presidente da CTB, seção RS, membros da diretoria, integrantes do coletivo e representantes de diversos sindicatos, o ato foi prestigiado pela Ordem dos Advogados do Brasil – RS, através de Jeferson Cardoso, membro da Comissão de Direitos Humanos da entidade e Maria Noelci Homero “Noho”, Diretora Executiva da Ong Maria Mulher.
Por Emanuel de Mattos – CTB-RS
 
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Publicado por em outubro 26, 2011 em Uncategorized

 

A Escravidao moderna no Brasil

Os Fazendeiros acusados de trabalho escravo no Brasil são do Sudeste, com boa formação e conectados a partidos políticos.

Esta foi a conclusao da pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que pela primeira vez traçou o perfil das vítimas de trabalho escravo no Brasil. Utilizando-se da Lista Suja do Ministério do Trabalho a pesquisa entrevistou 12 dos 66 contactados pelo organismo.

Os fazendeiros, a maioria nascida no Sudeste, mas habitam as regiões próximas às lavouras (Norte, Nordeste e Centro-Oeste). Possuem curso superior completo e declararam-se como profissões pecuarista, agricultor, veterinário, comerciante, gerente, consultor e parlamentar. São filiados ao PMDB, PSDB e PR.

(Nota minha: Eu acrescentaria também o DEM na lista dos partidos desses latifundiários high-thechs).

Do outro lado da moeda, revela a pesquisa, que 85% dos trabalhadores libertados, além de baixíssima escolaridade (analfabetos e com menos de quatro anos de estudo), nunca fizeram um curso de qualificação.

Ah! e os explorados nao tem carteiras de trabalhos assinadas, nem às mínimas condicoes de seguranca e direitos como “trabalhadores”. Isto é, sao tratados como escravos, os novos escravos, por esses fazendeiros vindos do Sudeste e fazendo parte de partidos políticos.

Para ler o que saiu nas mídias sobre o assunto:
http://www.sindiq.com.br/go/organiza%E7%E3o+internacional+do+trabalho/?tb=1

Primeira reportagem da série veiculada na Rádio Rural que mostrou como autoridades e entidades estão trabalhando para combater o trabalho escravo no campo.

 

 

 

 

 

 
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Publicado por em outubro 26, 2011 em Uncategorized

 
 
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