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A Memória Indígena em mim!

28 out

Eliane Potiguara, hoje lembrei-me de 1985, lá no Museu da Cidade no Rio de Janeiro! Voce se lembra daquela “Confederacao Indigena”?

Hoje nao sei por que cargas d´água lembrei-me aqui em Berlin, essa manha, de um evento muito importante que aconteceu no Rio de Janeiro, em 1985. Era o mes de marco e se comemorava oficalmente a Fundacao da Cidade do Rio de Janeiro.

E o Museu da Cidade apresentou o evento que me lembrei, que durou 3 dias, organizado por Joel Rufino, que era diretor do Museu nessa época, e por Eliane Potiguara, que comecava a desapontar como uma líder indigena e havia criado o GRUMIN (Grupo Mulher e Educacao Indígena) . Chamava-se, pelo que nao me engano, “Em Memória da Confederacao dos Tamoios”. Cerca de 350 índigenas e liderancas de várias partes do Brasil estavam no encontro. Foram palestras, workshops, ida ao cinema, exposicao de artezanatos e jóias indígenas, recreacao para alunos de escolas primárias, etc

Eu, militante do movimento negro e amigo de faculdade de Letras da UFRJ da Eliane, fui convidado para fazer parte do acontecimento. E junto com a minha companheira Vik Birkbeck fizemos video desse encontro. Esse material deve estar guardado em algum arquivo lá no Rio de Janeiro.

O auge do evento foi a ida em vários barcos para a ilha de Cunhambepe, na Baia de Angra dos Reis. E lá, num cerimonial e rituais belíssimos dos índios presentes e todos nós que lá estávamos, foram plantadas várias mudas de “Pau Ferro”, simbolizando a resistencia das nacoes indígenas no país.

Foi a primeira vez que tomei contato direto com a luta índigena. E foi ali que conheci pessoas importantes como Marcos Terena, Ailton Krenak, Paulo Bororo, Paulo Xavante, Deolinda Manaú, Capitao Pombo, Megaron, Wai-wai, Pedro Tikuna, Karaímirim, Macsuara Kadiwéu, Paulinho Paiakan, Álvaro Tukano e tantas outras e outros que ainda hoje se movimentam em minha memória. E foi ali também que conheci acoes e idéias da UNI- Uniao das Nacoes Unidas.

Posso dizer que esse evento marcou a minha vida para sempre.

Hoje lendo matérias e vendo videos sobre a ocupacao das obras do canteiro de Belo Monte na quinta-feira, veio-me na memória de repente todas essas pessoas naquele marco inesquecível de 1985 no Rio de Janeiro.

É por isso, e tantas outras coisas que aprendi com a luta das nacoes indígenas, que hoje morando aqui em Berlin, na Europa, faco-me de “caixa-de-ressonancia” dessa grande, brava e dolorosa odisséia das nacoes indígenas em sua luta constante e secular por seus direitos, terras, culturas e paz.

É o amor pelo meu povo da cidade, dos campos e das florestas. E que essas pessoas que encontrei em 1985 pela primeira vez fortaleceram ainda mais dentro de mim para toda à vida!

Ras Adauto

Ilustracao: arquivan.disegnolibre

 
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Publicado por em outubro 28, 2011 em Uncategorized

 

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