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A triste história de um poeta e militante em tempo integral dos direitos humanos no Rio de Janeiro narrada por ele mesmo – (Deley do Acarí)

15 nov

Uma triste e injusta história para um Grande Defensor e Batalhador dos Direitos Humanos no Rio de Janeiro: o Poeta Deley de Acari.
Outra coisa: seria bom o Movimento Negro e as organizacoes dos Direitos Humanos aí no Rio de Janeiro dessem cobertura e seguranca ao Deley imediatamente. Ele nao pode ficar assim vazado e solto por aí. A morte de Tania Cristina do Afroreggae já é um sinal de que outros/as militantes dos Direitos Humanos no Rio podem sofrer o mesmo destino. Nao gostaria de ver outra pessoa próxima a nós se lascar sem a protecao e seguranca necessária por sua militancia e dedicacao às causas das populacoes faveladas, no seu caso, a Comunidade do Acari.

Ras Adauto, SOS Racismo Berlin Kreuzberg

„Conheço Deley de Acari (Vanderley da Cunha) desde a década de 70. Deley integrou o grupo de escritores poetas ‘Negrícia’. Deley foi repórter e pesquisador de campo do meu Grupo Vissungo. Com Deley esquadrinhei varias vezes os mais recônditos quilombos de Minas Gerais. Já naquela época, como um correspondente de guerra, fazia a cobertura das injustiças policiais e sociais de sua favela que publicávamos no jornalzinho mimeografado que o Vissungo destribuiu durante alguns anos.

Antes que a moda pegue uma ressalva importante a fazer é que Deley de Acari, grande poeta dos seus, NÃO é nem NUNCA foi ‘mediador de conflitos’. Deley é ativista pelos direitos humanos de seus vizinhos de Acari, comunidade favelada das proximidades da Av.Brasil, num destes infernais complexos de favela que proliferam por aqui.

Deley não é de médias nem de muros. Deley não tem uma ONG como retaguarda nem trabalha a serviço do Estado. Deley é um homem não governamental e sem fins lucrativos. Deley é.

Dito isto, leia você mesmo e, por favor divulgue para o máximo de pessoas que você puder o dramático relato de Deley que divulgo a seguir.

Deixo como advertencia a minha forte impressão de que cada vez mais vamos precisar uns dos outros daqui para a frente. Não é ‘pacificação’ o que o Estado está fazendo nas favelas do Rio de Janeiro. Eles estão atacando e ocupando como um exército convencional a parte mais indefesa – e majoritária – da população de nossa cidade.

Eles são as tropas de ocupação. O que o Estado está fazendo é Guerra. O inimigo a princípio foram os traficantes, agora são os favelados indefesos, logo em seguida seremos eu e você. Estão implantando aqui a DITADURA MILITAR SELETIVA. Você ainda não viu não?

Vai apoiar ou protestar? Vai encarar, defender o Deley e seus Acaris ou vai pedir pra sair?”

 Spirito Santos, Grupo VISSUNGO:  http://bitw.in/3Vo


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PM NO 41 INVADEM E SAQUEIAM CASA DE MORADORES EM ACARI

ACARI, JAMAIS DEVERIA TER VOLTADO,ESTOU CONTANDO AS HORAS DE SAIR!

Nesta 6ª Feira passada, dia 11 de Novembro, recebi a o primeiro aviso de um morador, que a casa dele estava sendo invadida por pms as 06h40 da manhã. Na noite anterior, ao fechar a janela do quarto, sofri uma forte pancada no braço doente, e acordei com dores insuportaveis, que me acompanharam por toda manhã, até ás 11h e pouco, mais ou menos a hora que os pms foram embora. Atualmente, o presidente da associação de moradores mora fora da favela, e só chega em Acari lá pras 10h00. De maneiras que,hoje, o único defensor de direitos humanos, a disposição, pra botar a cara e sair pra pista, 24 horas por dia em Acari, sou eu.

Durante toda operação meu telefone não parava de tocar… por uma vez tocou quando bati de frente com o caveirão, e por duas vezes, nos exatos momentos em que bondes de pms com X9 passavam por mim.

Quando fui atender um morador cuja a casa estava sendo saqueada pelo pms, dois pms acompanhados de um X9 me barraram e um tenente que nunca vi antes me disse: não esta escoltando policia não né seu vanderley? antes de perguntar como ele sabia meu nome, olhei pro X9 e reconheci os olhos verdes e a pequena cicatriz sob a pálpebra do olho esquerdo, que o buraco da toca ninja não consegui esconder. Nem precisa perguntar como o tenente sabia meu nome. Isso era 07h15 da manhã e nenhuma organização de direitos humanos, governamental ou não governamental, funciona este horário. Tive que recuar e me proteger… só as 10h30, hora que abriu uma lan hause, consegui mandar o primeiro e-mail pra bandrio. Nesta hora os pms já estavam saindo da favela com o tesouro de sua pilhagem.

Fui a casa da moradora que foi saqueada e fui recebido com xingamentos, criticas e acusações de não ter impedido que os pms violassem seu domicilio e a esculachassem. Tentei esclarecer a ela que estava na rua dela tentando intervir e tinha sido ameaçado pelo pms. Ela retrucou com grosseria que eu estou “aí” pra isso mesmo e por isso tenho e posso que botar a cara.
Mais tarde, lideres comunitários, outros moradores, a até alguns “meninos” mais “embalados”, também me “cobraram” por minha incompetência como defensor de direitos humanos.

De noite, estava sentado na escadinha da quadra de areia, quando a jovem que eu salvei de ser morta com uma paulada na cabeça, passou de braço dado com seu companheiro, quase seu assassino, e meu mutilador, para aula de capoeira. Ao meu lado, um líder comunitário e militante cultural me sacaneia:- Ta vendo como você é um babaca metido a feminista otário: os dois estão no bem bom, e você ai aleijado, isso é pra deixar de ser otário, da próxima vez deixa se matarem… e você ainda ficou 37 dias internado e nenhuma feminista, ou amiga sua ou ong feminista fez nada até agora por você ou deu alguma nota pública em solidariedade a você.. Sequer foram te visitar no hospital. As feministas de esquerda e este povo dos direitos humanos que você paga pau querem mais é que você se foda… Você tá pensando que é Marcelo freixo, seu mané?

Levantei, coloquei os fones do celular nos ouvidos fui pra casa ouvindo a oi fem e me sentindo mesmo um babaca metido a feminista otário. Mais babaca e otário por ter voltado pra Acari, ao em vez de ter ido me restabelecer em Juiz de Fora, onde ninguém de Acari, me ligaria, como me ligavam, pro meu celular, no hospital, não pra saber, se eu estava bem, mas pra reclamar de violência policial… talvez, se estivesse em Juiz de Fora agora, na casa do meu tio, me restabelencendo, nenhum morador me esculacharia por não impedir que a policia invadisse sua casa, nem nenhum compas de luta me “marcaria” como babaca metido a feminista.

Desde 6ª Feira então, militante de direitos humanos aleijado e incompetente, e e babaca metido a feminista otário e mané, que se não sou, ainda me sinto, até acabar sendo mesmo, vou contando as horas, pra sair em definitivo de Acari, pra onde jamais deveria ter voltado!

Deley de Acari
— Em sex, 11/11/11, deley de acari <deleydeacari@yahoo.com.br> escreveu:

De: deley de acari <deleydeacari@yahoo.com.br>
Assunto: Enc: PM NO 41 INVADEM E SAQUEIAM CASA DE MORADORES EM ACARI
Para: ouvinterj@band.com.br
Data: Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011, 14:29

Então:
venho ratificar a informação que dei a band de manhã. o meu telefone mais facil é 95834968.

deley de acari

Em sex, 11/11/11, deley de acari <deleydeacari@yahoo.com.br> escreveu:

De: deley de acari <deleydeacari@yahoo.com.br>
Assunto: PM NO 41 INVADEM E SAQUEIAM CASA DE MORADORES EM ACARI
Para: ouvinterj@band.com.br
Data: Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011, 10:51

Enquanto voces estão dando atenção a rocinha, policiais do 41 de irajá, neste exato momento estão invadindo e saqueando casas de moradores em na favela de acari e amarelinho, sem a presença da imprensa.

Vanderley da Cunha.
Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos de Acari.

telefones: 8198 2643 e 9583 4968

Deley de Acari,poeta e animador cultural, nascido em 07/10/54 no Rio, fundador do grupo negrícia, poesia e arte de crioulo, militante do movimento negro, detentor da medalha chico mendes de direitos humanos-2008 do Grupo Tortura Nunca Mais, fundador da Ala de Compositores Antonio Candeia Filho do GRANES QUILOMBO, militante de direitos humanos da REDE DE COMUNIDADES E MOVIMENTOS CONTRA VIOLENCIA.
Recentemente, agora em 2011 participou da fundação do Comitê Cultural Popular Revolucionário Poeta Deley de Acari, com artistas e ativistas culturais acarienses. No comite, além de ser um dos organizadores do CACHASARAU TORRESMO Á MILANEZA, é treinador de atletismo, handebol e futsal.

Na Foto: O Poeta e ativista dos Direitos Humanos Vanderley da Cunha, masi conhecido por nós tod@s como o “Deley de Acari”

 
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Publicado por em novembro 15, 2011 em Uncategorized

 

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