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Arquivo mensal: dezembro 2011

Yemanjá, “Patrimônio Cultural Carioca”

Decreto do prefeito Eduardo Paes, publicado no Diário Oficial do Município ontem, sexta-feira, declara como “Patrimônio Cultural Carioca as festas que cultuam Iemanjá” – conhecida como a Rainha do Mar – nas praias do municipio do Rio de Janeiro. De acordo com o decreto, o sincretismo religioso é uma forma de expressão da cultura afrobrasileira e, por essa razão, é preciso preservar a memória cultural com inscrição no Livro de Registro de Atividades e Celebrações.

Cabe ao Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural inscrever as festas em homenagem a Iemanjá nas praias do Rio como bem cultural de natureza imaterial.

Odoyá, É!


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Me leve nessa Onda!

Pulei sete Ondas
Caí nos bracos de uma Sereia
Me leve pro Mar,
Odoyá
Me leve pra navegar
em seus Mistérios
e Abismos profundos.
Odoyá,é!

Ras Adauto

 

Resposta ao laudo da PF sobre o assassinato do cacique Nisio, Guarani e Kaiowá, no MS

Brasil 247- O Conselho da Aty Guasu divulgou  uma nota de esclarecimento à imprensa, após a Polícia Federal de Mato Grosso do Sul ter informado ontem que está prestes a concluir seu trabalho de investigação sobre o caso Nísio Gomes – líder do acampamento Guaiviry que foi vítima de um ataque de pistoleiros no dia 18 de novembro. Além de anunciar que indiciará 10 pessoas pelo ataque – entre fazendeiros e pessoas ligadas a uma empresa de segurança privada -, a PF informou ontem que vai indiciar o filho de Nísio, Valmir, principal testemunha no caso, por “denunciação caluniosa”. Isso porque as investigações não teriam confirmado parte das afirmações que ele fizera em depoimento à PF.

Os integrantes da Aty Guasu concluem a nota dizendo que mantêm a conclusão de que Nísio foi morto e levado pelos atacantes, conforme havia sido descrito por Valmir: ” A partir de todos os depoimentos ouvidos e analisados no seio da Aty Guasu concluímos que a liderança religiosa Nisio Gomes de fato foi massacrado, assassinado e levado do tekoha Guaiviry no dia 18/11/2011 pelos pistoleiros das fazendas. Esta é conclusão definitiva que prevalece entre nós todos, os povos Guarani e Kaiowá. – 22 de Dezembro de 2011 às 19:19

Abaixo, a íntegra da nota da Aty Guasu

Nota à imprensa

Os membros guarani e kaiowá violentados foram e são interrogados publicamente por várias lideranças

 22/12/11

As manifestações públicas das lideranças do povo Guarani e Kaiowá, nas últimas três décadas, ocorreram através da grande assembléia Guarani e Kaiowá Aty Guasu. Assim, destacamos que ao longo da década 1990, frente às violências adversas contra povo indígena, as narrações ou versões das lideranças indígenas em parte foram e são distorcidas e ignoradas pelas autoridades brasileiras.

A historiografia oficial registra que entre décadas de 60 e 80, os fazendeiros recém-assentados, aliados ao poder político da região Cone Sul e à ditadura então em vigor, começaram expulsar e dispersar de forma violenta as famílias grandes guarani-kaiowá dos seus territórios tradicionais tekoha guasu. Os atos etnocidas eram considerados pelas autoridades federais como normais/naturais, culpando e criminalizando os índios, fato que perdura até hoje. Diante desses atos truculentos dos poderes políticos e fazendeiros, na década 80 emergiu a grande assembleia guarani e kaiowá, Aty Guasu.

O objetivo da Aty Guasu foi e é o de fazer frente ao processo sistemático de etnocídio/ genocídio, violências e a expulsão forçada das famílias extensas indígenas do seu território tradicional. Além disso, os membros-conselhos de Aty Guasu investigam e relatam todos os fatos violentos praticados contra os integrantes do povo Guarani-Kaiowá, convocando/intimando os membros indígenas violentados para narrar os fatos verídicos no seio da assembleia Aty Guasu. Os indígenas devem narrar e reproduzir os episódios-ataque dos pistoleiros, de modo repetitivo, a todas as lideranças do povo Guarani e Kaiowá. Neste momento de Aty Guasu, os membros guarani e kaiowá violentados foram e são interrogados publicamente por várias lideranças. Essa sessão de depoimento dos indígenas violentados intimados pelos conselhos da Aty Guasu é justamente para analisar os depoimentos dos próprios indígenas e concluir publicamente os fatos ocorridos pela assembleia da Aty Guasu.

Da Aty Guasu participam hoje centenas de lideranças guarani-kaiowá que investigam, interrogam e aprovam os depoimentos dos indígenas violentados durante os ataques praticados pelos pistoleiros em todas as regiões do Cone Sul de MS. É importante se observar que, entre essas lideranças-investigadores de Aty Guasu, estão indígenas graduados e pós-graduados em universidades públicas, portanto utilizam diferentes métodos e técnicas de investigações científicas conforme os fatos ocorridos. Somente depois disso foram e são feitas as denúncias dos crimes variados contra o povo Guarani-Kaiowá. No que diz respeito ao xamã Nisio Gomes, nós lideranças-investigadores da Aty Guasu investigamos rigorosamente o caso do líder xamã Nisio Gomes, ouvimos em detalhe todos os rezadores, parentes, irmãos (ãs), filhas (os), netos (as) de modo repetitivo, na grande assembleia Aty Guasu. A partir de todos os depoimentos ouvidos e analisados no seio da Aty Guasu concluímos que a liderança religiosa Nisio Gomes de fato foi massacrado, assassinado e levado do tekoha Guaiviry no dia 18/11/2011 pelos pistoleiros das fazendas. Esta é conclusão definitiva que prevalece entre nós todos, os povos Guarani e Kaiowá.

Conselho da Aty Guasu

GUARANI KAIOWÁ_O Conflito da terra_Rosa Gauditano_PARTE I

GUARANI KAIOWÁ_O Conflito da terra_Rosa Gauditano_PARTE II

 

As Armas no Rio de Janeiro

No rastro da origens das armas que rolam no Rio de Janeiro, o CPI das Armas (Alerj) revela que é nas brechas do poder público que milicianos, assaltantes e contraventores montam seus arsenais. O texto aponta ainda o desvio de armamento praticado por agentes das forças de segurança como um dos principais problemas a serem combatidos pelas autoridades. Foram incluídas 69 propostas de políticas públicas.

Com 257 páginas, produzidas ao longo de nove meses, o documento indica 2.024 pessoas suspeitas de participação neste tipo de crime nos últimos 10 anos. Das 493 identificadas, 240 são “agentes estatais”, como policiais, bombeiros e militares das Forças Armadas.

Com base nas informações oficiais, o relatório indica, porém, que o setor privado responde por 82% dos desvios de armas no Rio.

Eu, particularmente, acredito que existem pessoas mais poderosas envolvidas na producao de entradas de armas no Rio de Janeiro. Inclusive com grandes participacoes de politícos, grandes empresários, etc, em parcerias com forcas de outros países. Tem que se ir mais fundo nisso. Senao ficamos sempre nos “pés-de-chinelo”, como na discussao sobre o narcotráfico, que só mira nos “pequenos” atravesssadores das comunidades faveladas.

 

As Armas ditas “Legais”

 

A Lei da Palmada e a nossa heranca colonial/escravocrata de educacao familiar!

Estou daqui acompanhando a polemica aí no Brasil sobre a “Lei da Palmada”. Já li coisas cabeludas sobre isso nesses dois dias. Tem uma corrente reacionária grande que está se debatendo muito, dizendo que a Lei e o Estado estao tirando os direitos dos pais de educar seus filhos. E que a Lei é contra os Direitos Humanos, etc. Misturando alhos com bugalhos; borogodó com tiririca. A bancada evangélica e pastores sao os que mais reagiram contra a Lei. Os evangélicos alegam que pequenos castigos não causariam dor nem teriam consequências perversas para a vida da criança. “Eles disseram que o projeto iria mudar a vida dos pais, que a ‘palmadinha pedagógica’ poderia trazer danos à família” – comentou  a deputada Lilian Sá,

Eu, por exemplo, sou a favor dessa lei. Sei muito bem o que sofrem muitas e muitas criancas em seus lares, de espancamentos, ofensas, terrores psicológicos e outras tantas agressoes. Temos uma “cultura de espancamento educacional” herdado dos tempos coloniais. Quem aí de nós nao sofreu alguma situacao dessas na nossa infancia? Muitos/as poucos/as podem ter o privilégio dizer que nao sofreram. Isso em todas as classes sociais brasileiras. Outro dia mesmo conversava com o meu filho Leon e dizia para ele das surras que levei de vara de goiabeira ou vara de marmelo, cinto, fio, etc.

Aqui na Alemanha essa Lei funciona. Se voce “espancar” (“educar”)  a sua filha ou seu filho, isso pode dar um problema muito sério para toda a vida para voce. Os departamentos de Estado (principalmente a Polícia, o Juizado de Menores, Psicólogos e a Justica) vao ficar entre voce e a sua cria. Basta só uma denúnica de algum vizinho ou lá quem seja. Ou mesmo a escola em que sua filha ou seu filho estudem ou de uma médica que normalmente atendem as criancas. E esse ano a Lei ficou mais rígida com isso.  Conheco pessoas aqui em Berlin, brasileir@s, que estao com problemas sérios com o Juizado de Menores por causa disso.

Por outro lado, a Pesquisa do Instituto Datafolha aponta que a maioria dos brasileiros é contra o projeto de lei do governo federal que proíbe palmadas, beliscões e castigos físicos em crianças. Pois é com palmadas, beslicoes e castigos físicos que comecam a coisa, até a agressoes mais pesadas. Como sao com as ofensas e os xingamentos cotidianos que comecam as agressoes (até a possível morte) de muitas mulheres no Brasil por seus companheiros, namorados, maridos, etc.

Está aberta a polemica!!!!!!

Crianca é para se criar bem!!!!!

Ras Adauto

 

Corrupcao àla Alemanha!

O Presidente da Alemanha Christian Wulff pode cair de seu posto, pois está sendo acusado de ter omitido um empréstimo no valor de 500 mil euros que ele recebeu da esposa do empresário e amigo de longa data, Egon Geerkens, em 2008, a juros mais baixos do que os de mercado.

Na época, Wulff era governador do estado da Baixa Saxônia. O dinheiro, usado para comprar uma casa com sua segunda esposa, foi saldado através de um empréstimo bancário no ano passado.

Questionado pelo Partido Verde Wulff negou ter relações comerciais com Geerkens e suas empresas. Mas o jornal Bild, uma imprensa marron local, divulgou informações sobre o empréstimo em sua edição de terça-feira (13/12) e o gabinete presidencial confirmou que o dinheiro viera da esposa do empresário.

Se queimou na fogueira do pragmatismo alemao.

O líder da bancada verde na Baixa Saxônia, Stefan Wenzel, exige a abertura de um processo para investigar se Wulff lesou leis estaduais. “Se realmente foi um empréstimo particular junto a um amigo, por que então este empresário participou de três viagens do presidente ao exterior?”, questiona o Verde.

Angela Merkel, a Chanceler, quer botar panos quentes na parada, dizendo que o cara é gente boa e confia no que ele está dizendo. Mas tem um pessoal aí, bem pentelho, que quer detonar o Wullff, que quis dar uma de Wolf (Lobo) e pode deixar o confortável e histórico palácio de Belevue Berlin, onde exerce teatrescamente o papel-bibeló e figurativo de Presidente da Alemanha.

No Brasil casos assim dao em Pizza. Será que aqui vai dar em Wurst (linguíca)?

A Chanceler Angela Merkel quer que o caso acabe em Wurst (línguica, salsicha)/welt.de

Na foto: Christian Wulff, o Presidente da Alemanha, dando aquele sorrisinho safado de quem foi pego com a mao na boca-da-botija!

 

Milao se manifesta contra o Racismo, fascismo, nazismo e xenofobia, depois da morte a tiros de dois senegaleses!

Manifestacao em Florenca, em 17.12.2011: “Devemos trabalhar verdadeiramente a favor da coexistência pacífica e o respeito. Isso deve ser uma verdadeira luta e não apenas fachada”, disse um porta-voz da comunidade senegalesa, Pape Diaw.

“Somos todos Senegaleses, italianos e cidadaos do mundo.”

Era o lema da manifestacao contra o Racismo e toda forma de violencia contra migrantes que ocorreu em Milao, na Itália, dia 17 de dezembro de 2011. Era a resposta contundente e popular aos acontecimentos, quando um racista-nazis atacou um mercado de Florenca, assassinando dois senegaleses e ferindo vários outros. Depois da atentado, vendo-se cercado pela polícia o nazi-fascista se matou, atirando na própria cabeca. Militava em um movimento de extrema direita, o Casa Pound. Antes da manifestação deste sábado, vários membros da comunidade senegalesa pediram a dissolução imediata dessa organização.

 

Imigrantes senegaleses protestaram em Bolonha (centro) e em Nápoles (sul).

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O acontecimento que deu origem à Manifestacao:

Ataque racista na Itália contra Senegaleses

A Itália viveu um banho de sangue, esta terça-feira, naquilo que se acredita ter sido um ataque racista.

Dois vendedores ambulantes, originários do Senegal, foram mortos e três outros ficaram gravemente feridos quando um homem abriu fogo em dois mercados no centro histórico de Florença e suicidou-se depois.

Gianluca Casseri, descrito como um homem solitário, era membro da associação política de extrema-direita Casa Pound e autor de livros de ficção científica.

As mortes provocaram de imediato uma onda de consternação, com uma manifestação espontânea de imigrantes africanos a que se juntaram alguns italianos.

Os ânimos exaltaram-se a determinada altura, com os manifestantes a derrubarem motos estacionadas e contentores de lixo. A multidão só se acalmou quando foi dada a notícia do suicídio do assassino.

O presidente Giorgio Napolitano emitiu um comunicado a condenar a violência racista.

Fonte:  2011 euronews

 

Ameaçados de Morte no Pará participam de Encontro e divulgam Carta

Trabalhadores e lideranças ameaçados de morte nas regiões sul e sudeste do Pará participam de Encontro realizado em Marabá (PA), nos dias 9 e 10 de dezembro, e divulgam Carta às Autoridades. Confira:

CARTA ÀS AUTORIDADES

Nós, trabalhadores e trabalhadoras rurais, ameaçados de morte e vivendo em situação de risco nas regiões sul e sudeste do Pará, reunidos em um encontro em Marabá, nos dias 09 e 10 do mês corrente, para avaliar nossa situação, nos dirigimos às autoridades estaduais e federais para expor nossas preocupações e apresentar nossas reivindicações.

Constatamos que a situação é grave, apenas nas regiões sul e sudeste, são mais de 40 lideranças em situação de risco em razão das ameaças e, em 2011, já ocorreram 10 assassinatos de trabalhadores rurais nessas regiões. As ameaças, infelizmente, em muitos casos, acabam se cumprindo resultando no assassinato de muitos camponeses.

A falência do INCRA e da Reforma Agrária é a principal causa geradora das ameaças, e por consequência das mortes. Processos de desapropriação ou arrecadação de terras públicas se arrastam por décadas, desencadeando conflitos graves e expondo os trabalhadores e suas lideranças à ação criminosa de pistoleiros a mando de fazendeiros e madeireiros. Em 2011, nenhuma fazenda foi desapropriada e nenhum assentamento foi criado nas regiões sul e sudeste. São mais de 10 mil famílias aguardando serem assentadas, enfrentando todas as formas de violência.

A inoperância do IBAMA e da Polícia Federal em coibir e penalizar a extração ilegal de madeira e a produção ilegal de carvão é um incentivo à continuidade das ameaças e das mortes. O assassinato de José Cláudio e Maria em Nova Ipixuna no último dia 24 de maio é um exemplo disso.

A impunidade promovida pela segurança pública e pelo poder judiciário constitui elemento incentivador para a continuidade dos crimes. As ameaças, geralmente, não são investigadas, a investigação e identificação dos autores dos crimes contra os trabalhadores sempre ficam pela metade e a conclusão dos processos criminais e consequente condenação dos responsáveis pelos crimes dificilmente acontece. Os processos se arrastam por 5, 10 e até 20 anos e muitos deles acabam prescrevendo.

Frente à situação exposta reivindicamos das autoridades:

1 – Maior agilidade do INCRA nos processos de arrecadação de terras públicas e desapropriação de latifúndios improdutivos para que os conflitos sejam mais rapidamente solucionados;

2 – A investigação de todas as ameaças registradas nas Delegacias de Polícia por parte de trabalhadores e lideranças ameaçadas;

3 – Investigação por parte das corregedorias de polícia e da Comissão de Combate à Violência no Campo, das ilegalidades e arbitrariedades cometidas por policias civis e militares nos acampamentos e assentamentos;

4 – Fiscalização por parte do IBAMA da extração ilegal de madeira, desmatamentos ilegais e produção ilegal de carvão nas áreas ocupadas e nos assentamentos e investigação da Polícia Federal e Ministério Público Federal dos crimes ambientais e agrários cometidos por madeireiros e fazendeiros;

5 – Fortalecimento do Programa de Defensores de Direitos Humanos, para que este tenha condições de monitorar a situação dos ameaçados, acompanhar a apuração das ameaças e garantir seguranças para as pessoas em situação de risco;

6 – Implantação de um posto temporário da Força Nacional no Projeto de Assentamento Agro-extrativista em Nova Ipixuna, considerando a ofensiva de madeireiros, grileiros e produtores de carvão ilegal e a situação de ameaças aos familiares de José Cláudio e Maria, especialmente, Laiza Sampaio;

7 – Prorrogação da Proteção feita pela Força Nacional às lideranças e trabalhadores dos ameaçados.

Marabá, 12 de dezembro de 2011.

Trabalhadores e lideranças ameaçadas de morte nas regiões sul e sudeste do Pará.

Fonte: Cimi

Foto: Latuff

Funeral de um lavrador – Morte e Vida Severina

 
 
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