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A Guerra religiosa no Brasil!

01 set

 

As perseguicoes às Religioes de Matriz Africana nao sao de hoje!

Os ataques sofridos pelas religioes de matriz africana em vários lugares do Brasil pelas religioes evangélicas, principalmente, as chamadas neopentacostais, como a Universal do Reino de Deus, nao sao nenhuma novidade na história dos conflitos religiosos no país.

Desde a sua fundacao, no século XVIII para o século XIX, o candomblé, por exemplo, sempre foi alvo de perseguicoes, violencias físicas, morais e psicológicas de igrejas católicas, estado, polícia, justicas e grupos fanáticos incentivados pelas mídias. O cineasta Nelson Pereira dos Santos coloca muito bem esse tema em seu filme “A Tenda dos Milagres” (1977), baseado no romance do escritor baiano Jorge Amado. Nelson Pereira dos Santos já tinha colocado o assunto em seu flme anterior, de 1974, “O Amuleto de Ogun”, que retrata situacoes nos centros de Umbanda na Baixada Flumisense, no Rio de Janeiro.

Se alguém faz uma pesquisa da imprensa na Bahia, em Pernambuco ou Rio de Janeiro, dos finais do século XIX até meados do século XX, vai se deparar com centenas e centenas de notícias, notas, cronicas e colunas incentivando a repessao, a invasao e proibicao dos terreiros em termos racistas e violentos.
Uma vez fiz uma visita ao Museu da Polícia, no Rio de Janeiro, e lá vi expostos em uma grande sala, ferramentas, instrumentos, gongás e pejis/asentamentos sequestrados de centros de macumba e quimbanda, candomblés, durante batidas policiais às casas sagradas e terreiros.

A luta pelo reconhecimento oficial do candomblé, como uma legítima religiao brasileira só se deu em 1975, através de várias acoes de Maes de Santo , tendo como uma das protagonistas principais na época, Mae Menininha do Gantoá. Em aliancas com forcas progressistas, intelectuais, artistas e politicos que fequetavam essas casas foi possível a chamada “legalizacao de cultos”.

Até certo tempo, as Zeladoras de Santo evitavam entrar no confronto politico aberto e mantinham um certa distancia dos movimentos politicos sociais. Apartir de um certo momento, com o surgimento de uma nova geracao do povo de santo, muitos/as ligadas ao movimento negro, Maes de Santo comecaram a se pronunciar em vários lugares do Brasil. E vem até hoje em dia, quando o povo de santo tem um dos maiores e mais fortes movimentos sociais no Brasil agora. Maes de Santo se tornam líderes e protagonistas de um série de defesas políticas de suas religioes ameacadas e atacadas em várias capitais do país.
A intensao declarada e já expostas cotidianamente em suas redes de rádios, Tvs, parlamento e imprensa, de uma certa linha agressiva, bélico-racista das religioes evangélicas, é destruir de vez as religioes de matriz Africana no país. Isto está mutio claro: vide o projeto lei de um pastor-deputado tenta passar em Brasília, que pede a proibicao de sacríficios de animais em rituais religiosos afro brasileiros. E a instigacao que pastores fazem em comunidades faveladas, muitos em aliancas com o narco-tráfico, para expulsar e mesmo proibir de vez centros de umbanda e terreiros de candomblé existirem, como sempre existiram, nessas comunidades.

E como resistimos até hoje todos os intempéries e agressoes, manteremos a nossa Resistencia até o final e exigindo uma posicao imediata, clara e objetiva do estado/governo brasileiro para punir exemplarmente essas acoes racistas e agressivas às nossas religioes. Já bastam de guerras religiosas estúpidas no mundo.! E que cada religiao trate de suas obrigacoes e rituais e deixem que as outras religioes se manifestem e fiquem em paz em seus santuários, terreiros, mesquitas, igrejas, templos, sinagogas, etc.

Ras Adauto
1° de Setembro de 2012

Foto arquivo: Mae Senhora, do Axé Opó Afonjá, uma das grandes resistencias da luta do Candomblé na Bahia.

Cena do filme “A Tenda dos Milagres” – samba de roda/Macumba baiana

 

Uma resposta para “A Guerra religiosa no Brasil!

  1. roberto

    outubro 25, 2012 at 5:28 am

    a liberdade religiosa tem que imperar num país laico como o brasil. abaixo o preconceito e a intolerancia religiosa.

     

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