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Afinal: Monteiro Lobato era Racista! Ou nao era?

23 set

Em 1938. o escritor Monteiro Lobato, incensado e sacralizado no Brasil como o nosso maior escritor infanto-juvenil, voltou de uma viagem aos Estados Unidos. Na época, adepto apaixonado pelas teorias racistas eugenistas, que sustentou o Nazismo de Hitler, encantado com a Klu Klux Klan norte americana escreveu o seguinte para o cientista eugenico da Bahia Arthur Neiva:

“Um dia se fará justiça ao Ku-Klux-Klan; tivéssemos aí uma defesa dessa ordem, que mantém o negro no seu lugar, e estaríamos hoje livres da peste da imprensa carioca – mulatinho fazendo o jogo do galego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destrói a capacidade construtiva”.

Esse trecho de carta é só um dos exemplos nas séries de cartas exaltando a Eugenia e a esterilizacao da subraca brasileira, entendendo-se aí negros e mulatos. E era orientado pelas teses do maior propagandista da Teoria da Eugenia, o paulista Renato Kehl

Em um dos seus famosos livros, “As Cacadas de Pedrinho”, que se passa no Sítio do Picapau Amarelo, Lobato descreve a senhora preta da cozinha, a Tia Anastácia, como “macaca preta” numa cena do livro.

Crédito da imagem: Reprodução do livro As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato

Uma série de denúncias foram levantadas no Brasil sobre isso nos últimos tempos e a polemica está grossa. Pois Monteiro Lobato é um ícone intocável para a grande maioria da intelectualidade brasileira. Mas porque nao colocar em chegue as suas idéias absurdas e simpáticas ao nazismo no Brasil?

Os livros infanto-juvenis de Monteiro Lobato atravessaram toda a minha infancia e a infancia de toda uma geracao no país de criancas e jovens em idade escolar. Principalmente as histórias da Boneca falante Emília e os moradores do Sítio do Picapau Amarelo.

É uma pena esses acontecimentos. Mas nao se pode deixar passar, como sempre passam no Brasil as ofensas e o racismo latente no nosso país. Tem que se colocar mesmo em cheque tudo isso.

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Ainda o caso do escritor Monteiro Lobato, simpatizante da KKK e das Teorias Eugenistas: mas com um exemplo na Alemanha recentemente com o ícone Günter Grass!
Edition Kunsthaus Lübeck

Günter Grass é um intelectual, romancista, dramaturgo, poeta e artista plástico alemão. Considerado uma das maiores sumidades das artes e da literatura na Alemanha e na Europa. Sempre foi visto como um dos articuladores do pensamento crítico socialista, democrata, anti-nazista e sua obra literária permitiu a realizacoes de vários filmes políticos de importancia da cinematografia alema. O mais conhecido talvez seja “O Tambor”, Die Blechtrommel, que conta a história de um menino chamado Oskar, que para de crescer de repente, e atravessa toda a segunda guerra mundial perturbando os nazistas com o seu tambor e sua histeria repentina.

De repente uma Bomba caiu no meio das intelectualidades, das resistencias políticas de esquerdas e no meio artístico: Günter Grass, o ilibado herói da grande cultura alema, pertenceu na juventude à Tropa de Elite do Exército nazista alemao – a Waffen-SS.

Abaixo um texto do Wikipedia que fala sobre esse incomoda revelacao, que abalou muita gente, instituicoes, inclusive a comunidade judaica, que o tinha como um grande aliado:

“Günter Grass e sua participação na Waffen-SS.

Recentemente o mundo se chocou com a declaração de Grass no seu novo livro “Descascando a cebola”, de caráter autobiográfico, de sua participação como membro das Waffen-SS (tropa de elite do exército do Reich). Esta revelação fez muitos escritores e jornalistas posicionarem-se a respeito.Alguns desses posicionamentos foram publicados no jornal “O Estado de São Paulo”, no dia 27 de agosto de 2006. Os argumentos dividiram-se basicamente em dois, de um lado estavam os que declaravam que isso não invalidava o valor de seus romances, e que é preciso separar o escritor de sua obra, além de considerarem a pouquíssima idade de Grass quando atuou na Waffen . Do outro, questionaram a demora de Günter em revelar esta participação.

O escritor português José Saramago declarou: “Nunca separei o escritor da pessoa que o escritor é. A responsabilidade de um é a responsabilidade de outro.”. Já o editor brasileiro Luiz Schwarcz comentou: “Não se pode confundir obra e autor.”. John Berger, escritor, em um texto originalmente publicado pelo The Guardian, questiona o julgamento a Günter Grass: “A ética determina escolhas e ações e sugere prioridades difíceis. Nada tem a ver com o julgamento das ações dos outros. Tais julgamentos são prerrogativa dos moralistas. Na ética existe humildade; os moralistas acham que estão certos.” Em uma entrevista concedida a Der Spiegel, Grass comenta a repercussão que sua atuação na tropa nazista teve e explica-se diante de alguns questionamentos.

Ao ser indagado quanto a demora para a revelação, o escritor alemão declarou: “Acreditava que minha obra como escritor e cidadão era suficiente.”, e acrescenta que sempre sentiu vontade de escrever sobre suas experiências, mas num contexto adequado.

O entrevistador do Der Spiegel, Ulrich Wickert faz ainda uma relação com um trecho do livro autobiográfico Descascando a Cebola e o romance O Tambor, buscando no romance um sentimento já revelador desta culpa de atos passados e sua justificação pela pouca idade: “No instante em que invoco o garoto de treze anos que eu era na época, em que o tomo como incumbência, e me sinto tentado a julga-lo, ele me escapa. Ele não quer ser avaliado ou julgado. Foge para o colo da mãe e diz: ‘Eu era apenas um garoto, apenas um garoto.’ .” (Descascando a Cebola).

” Não sou responsável pelas coisas que fiz quando criança.” (Personagem Oskar em O Tambor.).

Em um outro romance ainda podemos verificar o aparecimento de um possível traço autobiográfico e sua relação com este sentimento de culpa, trata-se de Maus presságios. É revelado sobre os protagonistas Alexandre e Alexandra: “Não era necessário remexer no passado, porque as poucas aventuras à margem traziam lembranças inexatas ou mal ordenadas. E o fato de que ele, aos quatorze anos e meio, tivesse sido soldado e ela, aos dezessete, membro entusiasta da organização das juventudes comunistas era perdoado aos dois, mutuamente, como defeitos congênitos de sua geração; não era preciso descer a nenhum abismo; até porque ele, nos momentos em que duvidava de si próprio, dizia que tinha de lutar continuamente contra o jovem hitlerista que tinha dentro de si…” Estaria Grass, ao longo de todos os seus romances, já nos dando pistas de sua vida passada? Seriam todos os seus romances um desabafo particular?”

Depois desse episódio caiu bastante o conceito unamine que Günter Grass tinha na Alemanha anteriormente. E recentemente, em abril desse ano, o escritor foi proibido de entrar em Israel. O autor de “O Tambor” foi declarado ‘persona non grata’, conforme anúncio feito em Telaviv, três dias após publicar um poema em que acusa Israel de ser uma ameaça à paz mundial.

E qual seria a semelhanca do escritor alemao e o escritor brasileiro Monteiro Lobato?

Como disse uma amiga: “poderíamos acordar sem esses pesadelos que estao se revelando a cada dia!”

Ras Adauto

Die Blechtrommel The Tin Drum Trailer , von Volker Schlöndorff

(Trailer do filme O Tambor, de Volker Schlöndorff, baseado no romcance do mesmo nome de Günter Grass)

 

5 Respostas para “Afinal: Monteiro Lobato era Racista! Ou nao era?

  1. Mel

    outubro 19, 2012 at 4:13 pm

    Quais são suas fontes? Li todo seu artigo, mas não vi nenhuma fonte, nenhum material que comprove suas informações como verdadeiras.

     
  2. guilherme

    março 1, 2015 at 11:42 am

    monteiro lobato nao era raista apesar de na epoca dele todos tratarem e falarem de afrodescendentes desse genero na epoca que ele viajou para o EUA o kkk era um grupo de justiceiros e nao os assassinos de hoje em dia alem de no livro negrinha a menina e injusticada por ele pois ele fala dela com maneiras boas e no historia do mundo para as criancas tem uma parte em que a violeta naisce branca e acha que e superior aos outros mas emilia e visconde o repreendem dizendo nao e possivel que ainda existe gente assim com essa diferenca de cor.

     
  3. Z

    outubro 2, 2015 at 12:56 pm

    Eu acredito que é muita pobreza julgar todo o trabalho intelectual de uma pessoa apenas pelos erros que ela defendeu numa determinada fase da vida. Se fosse assim teríamos que jogar no lixo praticamente todas as obras literárias da humanidade, porque uma série de escritores defenderam erros ou erraram em certos momentos da vida.

     
  4. Cláudio

    novembro 17, 2015 at 7:24 pm

    Racista sim, como todos os outros.
    Muita pobreza é julgar a minha cor e me chamar de tudo quanto é apelido.

     
  5. Virgilio

    janeiro 26, 2016 at 12:29 am

    Já é sabido que Monteiro Lobato era racista, quem nega quer se esconder da verdade, a questão é, como um ser humano pode ser tão dualista, anjo e demônio, Hitler era uma pessoa extremamente agradável segundo sua secretaria Traudl Junge, mas seres humanos são facilmente enganáveis, um lobo se veste de pele de cordeiro assim fica mais fácil se aproximar de sua pressa é simples. Monteiro Lobato foi um grande escritor mas como ser humano era desprezível.

     

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