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Arquivo mensal: outubro 2012

Guaraní Kaiowá ficam em suas Terras!

Acabamos de receber: “Acabou de sair a cassação da liminar de reintegração de posse das terras guarani kaiowa! Grande notícia!”

Uma pequena vitória do Povo Guarani Kaiowá com a ajuda de todos que se envolveram e pressionaram o governo através das redes sociais e atos de apoio pelo Brasil todo.
(notícia dada pelo twitter pela Maria do Rosário, Secretária Nacional de DH.) – uma outra opiniao

 

Kaiowá e Guarani de Pyelito Kue é violentada por oito pistoleiros em Iguatemi, MS

A cada momento vem uma notícia terrível em relacao aos Guarani Kaiowá. Acredito que o que acontecer de mais terrível ainda com esses parentes, como está se desenhando, toda a responsabilade cairá sobre os onus do governo brasileiro. É inadimissível que até agora  um silencio incomodo marca a “resposta” da Presidenta Dilma e de outras autoridades competentes sobre essa dramática cena de destruicao, sendo vista pelo mundo inteiro, dos nossos parentes Guaraní Kaiowá. Nunca vai haver democracia em um país, cujos seus originais sao humilhados e destruidos desse jeito. Nao existem mais desculpas, o Brasil deverá responder por mais esse genocídio em tribunais internacionais. – Ras Adauto. de Berlin

Kaiowá e Guarani de Pyelito Kue é violentada por oito pistoleiros em Iguatemi, MS

Fonte da notícia: Assessoria de Comunicação – Cimi

Por Renato Santana,

de Brasília (DF)

Enquanto M.B.R se dirigia do tekoha Pyelito Kue para o centro urbano de Iguatemi, Mato Grosso do Sul, nesta quarta-feira, 24, o motoqueiro que a levava mudou de rota, entrou numa fazenda chamada São Luís e lá oito pistoleiros aguardavam a indígena, que passou a ser violentada sexualmente.

A ocorrência foi registrada na delegacia do município e conforme um agente da Polícia Civil, a indígena realizou exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Naviraí. A investigação para descobrir os autores também teve início e os policiais aguardam o laudo da perícia médica.

De acordo com relatos da própria indígena, os pistoleiros a amordaçaram antes do início das sessões de estupro. Enquanto se revezavam, um sempre mantinha a ponta de uma faca no pescoço de M.B.R. Logo após as sucessivas violências, um dos homens apontou a espingarda que trazia para a cabeça da indígena e passou a dirigir perguntas sobre Pyelito Kue e suas lideranças.

“Ela contou que depois disso os homens deixaram ela largada por lá. Outro homem a viu e prestou socorro. Foi toda machucada para o Hospital São Judas Tadeu e recebeu medicação, atendimento”, relata Líder Lopes, de Pyelito Kue. M.B.R já está na comunidade e aguarda nova ida ao hospital.

Conforme Líder Lopes, a indígena encontra-se assustada e pouco consegue falar. A Fundação Nacional do Índio (Funai) foi acionada e aguarda o laudo pericial para tomar providências, mas uma equipe se deslocará até a comunidade para prestar apoio a indígena.

Suspeitas

Ainda não há informações mais concretas quanto aos autores da barbárie. Porém, M.B.R disse aos parentes Kaiowá e Guarani que o homem da moto foi enviado pelo marido de uma tia, sendo que ambos vivem em Iguatemi.

Durante esta última semana, a questão Kaiowá e Guarani voltou às manchetes nacionais e internacionais, além de mobilizar centenas de pessoas mundo afora, com uma carta da comunidade de Pyelito Kue dizendo que não sairão de suas terras de ocupação tradicional, mesmo que para isso tenham que morrer resistindo.

Salve Dilma! Aqueles que vão morrer te saúdam.

Vídeo denuncia que pretende sensibilizar a Presidenta Dilma Rousseff pela violência e praticas de extermínio que sofrem os índios Guarani Kaiowa no Mato Grosso do Sul.
Este vídeo foi exibido na abertura do Fórum Social Mundial 2012 na abertura com a presença da presidenta abrindo a apresentação do representante do conselho de direitos humanos que participou da expedição Marcos Veron 2012 organizada pelo Tribunal Popular da Terra.

Realização: Tekoa Virtual Guarani
Idealização e gravação: Gianni Puzzo, Bruno Garibaldi, Fábio Nassif.

 

Assassinatos e violencia contra o campesinato indígena na Argentina!

Assassinatos e violencia contra o campesinato indígena na Argentina!

Os problemas enfrentados pelos parentes Guaraní Kaiowá e outras nacoes indígenas e Quilombolas no Brasil, também tem o seu desenrolar em várias outras regioes da América Latina. Acabo de receber a seguinte mensagem dos parentes Moura Tukano e Veronica Manauara, do Alto Rio Negro, sobre as gravíssimas situacoes que passam indígenas e camponeses na Argentina. – Ras Adauto

=======================================Prezado Adauto,

Vamos cada um , dentro das suas articulações encaminhar para cima e para frente estes crimes hediondos qpe precisam ser erradicados e os anteriores serem postos ao conhecimento total da população mundial e julgados como crimes contra a Humanidade.
Com carinho, e respeito
, Moura e Verônica

2012/10/24 Rodolfo A. Funes <rodolfo@sunxtronic.com.br>
Caros amigos Manoel Moura e Verônica,

Novamente recorro a vcs para interceder junto ao nosso amigo Ras Adauto por que temos um irmão em iminente perigo de morte, o nome é: Féliz Díaz da etnia Qom, que além de receber diversas ameaças, dez dias atrás foi covardemente atropelado, escapando com vida por milagre.

O agressor é o Policial da Provincia Heberth Falcón, instigado por Jorge Gonzales, Ministro de Governo da Provincia de Formoza, com o conhecimento e a aprovação do Governador Gildo Insfrán.
Felix encontra se em constante perseguição e os assasinos estão fechando o cerco colocando também sua família em perigo.
Por oportuno anexo a denuncia do assassinato de Manuel Galván del Movimiento Campesino Santiago del Estero- MOCASE..

Agradeço desde já pelo apoio e aproveito a oportunidade para abraçar cada um de vcs com o maior carinho e respeito pela sua
dedicação e solidariedade. Pew Caiall.
Aucá Pellín. Mariciweao.

OTRO MILITANTE DEL MOCASE CAÍDO A MENOS DE UN AÑO DEL ASESINATO DE CRISTIAN FERREYRA

Miguel Galván, miembro del MOCASE-VC fue asesinado de una puñalada en la yugular por Paulino Riso en el Paraje Simbol, al norte de Santiago del Estero.

Esta tarde, alrededor de las 14:20hs Paulino Riso sicario de Figueroa, empresario de Salta fue a la casa de la familia Galván a provocar como tantas otras veces, sólo que esta vez con la intensión de matar.

Familias del paraje Simbol venían siendo hostigadas por sicarios de la Empresa Agropecuaria LAPAZ S.A. de Rosario al Frontera (Salta), quien pretende alambrar parte del territorio de las comunidades indígenas Lule Vilela, quienes el pasado 15 de septiembre han realizado la primera etapa del relevamiento territorial.

Miguel y Rafael Galván, en diversas oportunidades han denunciado ante la policía de Monte Quemado las amenazas de muerte y golpizas que Paulino Riso, Hortencia Valderrama y su marido Eulogio Rizo patrón les venían haciendo.

Este hecho denunciado en distintos ámbitos judiciales y ejecutivo: en la policía, en la dirección de bosque por la tala indiscriminada de estos empresarios, ante el Juez Torrelio de Monte Quemado, y ante el Comité de Crisis quienes hace 15 días constataron la gravedad de los sucesos contra las familias por parte de empresarios y bandas armadas comandadas por Tala Aranda.
El gobernador Gerardo Zamora, una vez más es responsable de la muerte de un campesino indígena, como lo fue la de Cristian Ferreyra asesinado el pasado 16 de noviembre.

Echamos señales a todos lados, todo el tiempo, advirtiendo lo que pasaría sino actúan quienes corresponden desarmar las bandas armadas, guardias blancas de empresarios como Enrique Pagola, Lopresti del Quebrachal, Safir Saa, Carlos Cejas, Raúl Micoli y otros que arrebatan tierras y la vida de nuestros compañeros.
Son conscientes de sus responsabilidades políticas los funcionarios santiagueños inoperantes y cómplices de estos asesinatos de los guardianes de la producción campesina indígena.

Exigimos juicio y castigo para los responsables materiales, ideológicos y políticos del asesinato de Miguel Galván.

Exigimos aprobación URGENTE de la Ley Contra los Desalojos de campesinos.

Convocamos a todas las organizaciones sociales a concentrarnos para mañana jueves 11 de octubre a las 13hs frente al congreso, para repudiar los asesinatos de los campesinos en defensa de sus tierras y aprobación de la ley Cristian Ferreyra que fuera presentada hace un año al congreso nacional.

¡Miguel Galván y Cristian Ferreyra Viven, la lucha sigue!

Miguel Galvan Presente! 11_10_012.

Miguel Galván, miembro del MOCASE-VC fue asesinado de una puñalada en la yugular por Paulino Riso en el Paraje Simbol, al norte de Santiago del Estero
 

Carta dos Guarani-Kaiowá de Passo Piraju frente à ordem de despejo da Justiça Federal

Gente, olhem a que nível chegou o desespero dos parentes Guarani Kaiowá do município de Iguatemí, MS.
Índios ameaçam suicídio coletivo. Justiça Federal deferiu a liminar de manutenção de posse pedida pelo dono da fazenda ocupada pelos índios!
Ras Adauto
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18 de outubro de 2012 • 12h30

Carta dos Guarani-Kaiowá de Passo Piraju frente à ordem de despejo da Justiça Federal

Carta de seiscentos (600) comunidade Guarani-Kaiowá de Passo Piraju –Dourados-MS para o Governo e Justiça do Brasil

gkPor meio desta carta, vimos descrever e apresentar a nossa história e situação atual em tekoha Passo Piraju-Dourados-MS.   Nós 600 comunidades Guarani-Kaiowá estamos assentando na margem do rio Dourados-MS, há mais de 12 anos, aguardando a regularização da parte de nosso território tradicional Passo Piraju. Nos últimos dois anos no interior de tekoha Passo Piraju foi construída uma escola padrão (FNDE) com 3 salas pela prefeitura municipal de Dourados-MS onde estudam 150 alunos (as).

Fundação Nacional de Saúde construiu um Posto de Saúde, além dessas estruturas construídas em nossa pequena tekoha Passo Piraju ganhou também encanamento de água potável (caixa d’água) e instalação de rede da energia elétrica do Programa Luz para Todos. Nós comunidades cultivamos o solo, produzimos a alimentação aqui mesmo, plantamos mandioca, milho, batata-doce, banana, mamão, feijão e criamos de animais domésticos, como galinhas e patos.

Aqui agora não passamos fome mais. As nossas crianças e adolescentes são bem alimentadas e felizes, não estão pensando em prática de suicídio. Assim, há uma década, nesses doze (12) hectares estamos tentando sobreviver de formas saudáveis e felizes, resgatando o nosso modo de ser e viver Guarani-Kaiowá, toda a noite participando de nosso ritual religioso jeroky e guachire.

Porém, infelizmente, no dia 08 de outubro de 2012, de manhã recebemos uma triste notícia de extermínio/genocídio, violência e constrangedora, gerando profunda tristeza, perplexa, medo nas vidas de todos nós. Essa notícia é a ordem de nossa expulsão/despejo expressada pela Justiça Federal do Tribunal Regional da 3ª Região (TRF-3) São Paulo-SP. Recebemos esta informação de que nós comunidades, logo seremos atacada, exterminada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal.

Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e resgata o processo de extermínio de povo Guarani e Kaiowá, ativando as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver na margem de um rio e próximo de nosso território tradicional Passo Piraju. Assim, entendemos claramente que a decisão da Justiça Federal é para exterminar coletivamente nós povo Guarani e Kaiowá.

Diante dessa notícia de extermínio, todos nós começamos entrar em estado de desespero profundo e sem esperança de vida melhor. Os jovens e adolescentes começam pensar em morte e suicídio, não sabemos mais como garantir e anunciar o futuro melhor para nossas crianças. Realmente, queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, todos nós já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso pequeno território antiga.

Não esperávamos de ser exterminado pela própria Justiça Federal. Estamos tentando sobreviver dia-a-dia nesse contexto de violências, exigindo e aguardando a justiça, mas infelizmente, de fato, a própria decisão da Justiça Federal vai exterminar nossas vidas. Frente a violência e extermínio anunciado pela Justiça à quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas??  Para qual Justiça do Brasil??

Se a própria Justiça Federal está exterminando nos e alimentando violências contra nós. Diante da decisão Justiça, nós avaliamos e concluímos que vamos morrer todos pela própria ação da Justiça, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Moramos na margem deste rio Dourados-MS há mais de doze (12) ano.

De fato, sabemos muito bem que fora daqui, longe daqui, na margem da estrada iremos retornar a sobreviver na miséria e passar fome novamente, não queremos rever a miséria e fome de nossas crianças na margem da estrada, jogados como lixo como era antes, por essa razão, decidimos a resistir e morrer todos juntos aqui na margem do rio Dourados-MS. Se a justiça brasileira não quiser mais nos ver com vida por aqui pode mandar matar todos nós aqui no Passo Piraju.

Decidimos que na beira da estrada não vamos retornar, preferimos morrer que retornar à margem da rodovia, por isso, a Justiça não precisa mandar retirar e despejar nós daqui só manda matar todos nós. Esse é nosso pedido definitivo. Aguardamos esta decisão da Justiça. Queremos ser morto e enterrado junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje.

Assim, é para decretar a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Passo Piraju e para enterrar-nos todos aqui, somente assim, não reivindicaremos os nossos direitos de sobreviver. Esta é a nossa última decisão conjunta diante da decisão da Justiça Federal do Tribunal Regional da 3ª Região (TRF-3) São Paulo-SP.

Atenciosamente,

Tekoha Passo Piraju-Dourados-MS, 16 de outubro de 2012

foto: terravermelha

Assinamos nós 600 comunidade Guarani-Kaiowá de Passo Piraju-MS

Justica Global

Algumas palavras do povo Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul

Maitei!! Añe’êta che angirû, ha pehengue guarã (saudações! falarei para meus companheiros e familiares -irmãos?-)

Aguyjevete hína ñande ypykuéra, ñande sy, ñande ru.. Hese, ñaime ko’ápe, ha ko’ángaite, upeicharamo, ñande mandu’a va’erã akói hese! (Estou agradecendo muito aos nossos ancestrais, nossa mãe, nosso pai… É por causa dele que estamos aqui, e nesse momento… Então, temos que nos lembrar sempre deles!)

 

Carta aberta da Campanha Contra o Genocídio da Juventude Negra

Cena do filme “Rota Comando” sobre os bastidores da “tropa de elite” paulista (Divulgação)

Nós, representantes da sociedade civil organizada, cidadãos e cidadãs que vivenciam os resultados nefastos da atual política pública de segurança, manifestamos nossa profunda rejeição à atuação violenta e criminosa dos agentes de segurança no estado, em especial, na região Metropolitana de São Paulo, que tem sido dirigida aos jovens negros e pobres.

A atual política estadual tem sido justificada a partir danoção equivocada de ‘guerra contra o crime’, que estereotipa e persegue segmentos excluídos e marginalizados da população, elegendo-os como inimigos e jogando em seus ombros a culpa pela violência. Com um discurso baseado no preconceito, oferece um tratamento dirigido ao cidadão rico e branco e outro para cidadão pobre e negro, selecionando aqueles que serão punidos e aqueles que poderão agir sem a devida regulação da lei ou até com a sua absoluta conivência.

A maior parte da população não acredita mais na sua polícia. Segundo pesquisa recente do Ibope/Rede Nossa São Paulo, 55% dos habitantes paulistanos não confiam na polícia civil e militar. 52% não confiam na Guarda Civil Metropolitana de São Paulo. No entanto os governos entregam a esses profissionais armais letais e não letais, que, ao invés de proteger, se voltam contra a população. Somos todos reféns não apenas de maus policiais, mas daqueles que, ao ocupar os postos de comando, determinam e respondem por uma política pública genocida.

Com números muito superiores ao Massacre do Carandiru, o assassinato de jovens nos últimos anos tem sido sistemático e incide, em especial, sobre uma etnia específica: a negra.

Segundo o Mapa da Violência 2011, o número de homicídios contra jovens brancos caiu 30% nos últimos anos, enquanto cresceu 13% o percentual de jovens negros assassinados.  A participação policial no número de mortes vem crescendo – no primeiro trimestre de 2012 a polícia foi responsável por nada menos do que 20% dos homicídios da capital. O termo genocídio é, portanto, o que melhor define a situação. Escondidos atrás do policial que coloca sua vida em risco, os verdadeiros responsáveis insistem em negar denúncias e números assustadores, vindo a público afirmar que a situação está “sob controle” e que existem somente “problemas pontuais”. Tentam mal disfarçar que o grave problema da violência policial e do encarceiramento em massa é resultado direto de uma política de segurança pública que incita os agentes de segurança a agir de forma brutal e preconceituosa, desconsiderando os direitos constitucionais e as bases da cidadania brasileira.
Enquanto especialistas dentro e fora do Brasil apontam o modelo da polícia comunitária e investigativa como os mais eficientes para promover o direito à vida segura, ainda vivemos com uma polícia que investe no policiamento ostensivo, baseado na intimidação e que defende a propriedade e não o indivíduo. Os números mostram os resultados do modelo adotado: • 2.262 pessoas foram mortas em supostos confrontos com a polícia entre 2006 e 2010. São mais de 450 mortes a cada ano, sendo que 170 pessoas foram mortas no primeiro semestre de 2012. • 77,3% das vítimas de intervenção legal são jovens entre 15 e 29 anos de idade, sendo 54% negros (pretos e pardos). • 93% de casos de morte por policiais na cidade de São Paulo acontece nas periferias. • A juventude entre 18 a 29 anos representa 56% dos presos no Brasil, a maior parte com menos de 24 anos. 65% da população carcerária é negra. • De um universo de 174 mil detentos no Estado de São Paulo, 57,7 mil estão privados de liberdade e ainda não foram sequer julgados. São, em média, 2.700 pessoas entrando no sistema carcerário a cada mês, que possui hoje mais de 180 mil pessoas.
Diante deste quadro, por sermos parte de um Estado Democrático de Direito no qual temos os nossos direitos resguardados pela Constituição Federal, chamamos a sociedade brasileira e paulista para que se mobilize, CONTRA O GENOCÍDIO DA JUVENTUDE NEGRA. Não aceitamos a violência promovida pelo Estado! Queremos que a atual gestão do Governo do Estado de São Paulo, juntamente com sua Secretária de Segurança Publica e Prefeituras dos municípios paulistas assumam suas responsabilidades e o velho discurso do “uso político” seja trocado pela disposição de pôr fim imediatamente a essa grave realidade com ações concretas e eficazes. Que o poder legislativo elabore e aprove leis que contribuam para brecar a criminalização da pobreza e a impunidade dentro das polícias. Estamos unidos, cientes de nosso importante papel político, e apresentamos aqui as seguintes reivindicações:
1. Implementar uma política de segurança pública condizente com o Estado Democrático de Direito, com respeito às bases da cidadania brasileira, ao invés da política de “guerra ao crime”, ineficiente e violenta. a) Desmilitarização das polícias, de acordo com recomendação de organismos internacionais e especialistas em segurança pública, de acordo com a recomendação dada por países membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU. b) Constitutir, no âmbito estadual, um Grupo de Trabalho (GT), com a participação do Condepe, Ministério Público Federal e Estadual, Defensoria Pública, que possibilite a ampla participação da sociedade civil com o objetivo de elaborar um Plano de Enfrentamento da Polícia Violenta, visando, sobretudo, reduzir as taxas de mortalidade por decorrência de ação policial em São Paulo. c) Investir na investigação policial e modelos de policiamento comunitário – ao invés de priorizar o policiamento ostensivo – e ampliar, de forma significativa, os índices de apuração de homicídios, reduzindo o percentual de casos arquivados, hoje acima dos 70%. d) O policial réu em caso de homicídio, por precaução e proteção social, em respeito aos interesses públicos, deve ser imediatamente afastado do policiamento nas ruas, sendo-lhe terminantemente vedada a ocupação de cargo de confiança ou de comando das polícias. f) Fim da Ronda Tobias de Aguiar – ROTA, cuja criação se deu sob o nome “Batalhão de Caçadores”, que acumula um longo histórico de arbitrariedade e execuções sumárias.
2. Combater o racismo e a vitimização da população jovem, negra e pobre. a) Que o “Plano de Enfrentamento a Mortalidade da Juventude Negra”, que se encontra em processo de elaboração no âmbito federal, seja discutido e incorporado pelos governos municipais e pelo Estado de São Paulo assim que oficializado, e que seja debatido, de forma democrática com a população e os movimentos e organismos de defesa dos Direitos Humanos, o planejamento de execução do Plano no território paulista. b) Qualificar e intensificar formações sobre racismo, relações étnico-raciais e de direitos humanos para as polícias, que devem passar a contar, necessariamente, com a participação de especialistas e representantes da sociedade civil com trabalho reconhecido na área, como conselheiros do CONDEPE-SP, defensores públicos e membros do Movimento Nacional de Direitos Humanos.
3. Combater a impunidade do mau policial e ampliar o controle social sobre a política pública de segurança. a) Criação de um órgão paritário (governo e sociedade civil), de forma a possibilitar a participação social na construção das políticas públicas de segurança. b) Deve-se reconhecer a inexistência do tipo penal classificado como “resistência seguida de morte”, impossibilitando, portanto, a inserção desta classificação nos boletins de ocorrência lavrados, utilizando-se a categorização correta, “homicídio”. c) Os processos judiciais envolvendo policiais não podem mais ter como única testemunhas os próprios policiais – hoje esse número gira em torno de 77% do total de casos, segundo pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência. d) Implantar uma Ouvidoria Policial Externa. e) Promover a independência do Instituto Médico Legal (IML) das polícias. f) As Polícias devem investir em dispositivos que garantam que os Procedimentos Operacionais Padrão sejam tornados públicos, com fácil acesso à população, inclusive por meio de portais online.
4. A política pública de segurança e sistema de justiça devem combater o encarceramento em massa, baseado no preconceito e uso do poder contra populações excluídas e marginalizadas pelo sistema político-econômico (pobres, jovens e negros), e utilizar modelos mais eficientes de enfrentamento da criminalidade. a) Aprovação, pelo Legislativo Federal, do anteprojeto elaborado por comissão de juristas, que se transformou no PLS 236/2012, descriminalizando o porte e o uso de drogas para consumo. b) Revisão da Lei Nacional Antidrogas (nº 11.343/2006), estabelecendo critérios objetivos para distinguir o usuário e o traficante de drogas, considerando o uso discriminatório da sua aplicação hoje. c) Dar efetividade à Lei Federal nº 12.403/11, que prevê a adoção de medidas cautelares como alternativa à prisão e ampliar a aplicação da justiça restaurativa.
5. Enfrentar a criminalização dos adolescentes pobres, exigindo-se o respeito aos seus direitos de acordo com o previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. a) O Judiciário paulista deve respeitar o ECA, especialmente nos casos relacionados ao tráfico de drogas, em que é vedada a imposição de medida socioeducativa de internação, também de acordo com o entendimento do STJ exposto na Sumula 492. b) As unidades de internação devem estabelecer medidas objetivas para pôr fim a casos de agressões e mortes de internos(as), facilitando a denúncia pelos adolescentes, e instituindo-se procedimentos claros para a apuração das denúncias, investindo-se em medidas preventivas. c) Implementação efetiva e ampla, no Estado de São Paulo, da justiça restaurativa, seja no âmbito das medidas sócio-educativas, ou nos casos envolvendo maiores de 18 anos. d) Desvincular a ação policial das políticas dirigidas a usuários de drogas, dando fim ao tratamento do tema como “caso de polícia” e investindo no fortalecimento da rede pública de saúde, com maior acesso à informação e com atendimento de dependentes realizado prioritariamente em meio aberto.
6. Municípios do Estado de São Paulo devem promover o desarmamento das Guardas Civis Metropolitanas, baseando seu trabalho nas diretrizes da segurança comunitária e preventiva, protegendo as populações mais pobres. A Campanha recebe assinaturas de apoio de organizações, redes movimentos e grupos organizados.
Para fazer sua adesão entre em contato com juventudenegravive@gmail.com ou pelo telefone 3151-2333 ramal 117. Colabore para a preservação da vida e o fim do preconceito!
imagem: Latuff

Mães de Maio

Campanha Contra Genocídio da JuventudeNegra

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“SOBRE-VIVENTES!”
por Cidinha da Silva
Sobre-viventes!
Por Cidinha da Silva

Aqui não teremos disputa eleitoral sangrenta, candidato! Ou o senhor tem informações privilegiadas para nos dar? Terá o senhor notícia sobre ataques sistemáticos e sincronizados próximos à data do pleito? Hein, candidato?

Aqui o sangue escorre na noite das esquinas desertas e sombrias. Quando sai das artérias daqueles que deveriam garantir a segurança publica, nas noites de folga enquanto fazem segurança privada no comércio da quebrada,

instala-se o terror, em represália. Os corpos são resgatados rapidamente e os colegas do morto trotam motocas possantes e carangos imponentes pelas ruas estreitas e fétidas das favelas próximas, instituem toque de recolher à base de grito e fuzis: “mataram um dos nossos, seus filhos da puta! Fica todo mundo em casa! Quem estiver na rua, não volta, senão leva bala. Um nosso, dez de vocês!”

A onda agora é matar sem pólvora, estão enforcando a molecada. O senhor sabia? Precisa acompanhar as sutilezas da cidade que pretende administrar, candidato! O governador atribui a culpa da matança às armas e drogas que o governo federal não coíbe. O senhor responsabilizará o governo do Estado pelos corpos recolhidos à baciada? Ou mentirá dizendo que atuará junto com ele para enfrentar o banho de sangue?

Só para informá-lo, ninguém aqui tem sangue extra para doar à sua eleiçãozinha mixuruca, de um mandato que não será cumprido, caso o senhor seja eleito.

Aqui, candidato, como no conto, avizinha-se o dia em que todos os esquadrões se unirão e formarão uma força invencível, disposta a acabar com a gente inocente que vive do outro lado da ponte.

Foto: Daniel Gabu, 22 anos, rapper, morador do Jd. Rosana, região do Campo Limpo, assassinado pela polícia de São Paulo, na noite de 14/10/2012.

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A Campanha Contra o Genocídio da Juventude Negra é uma ação coletiva de organizações, redes e grupos criada em 2012 com a finalidade de agir pela mudança da política pública de segurança, o assassinato de jovens negros e pobres e o encarceramento em massa dessa população, que vem sendo promovido no Estado de São Paulo. Pretendemos mobilizar a sociedade no sentido de cobrar o governo do Estado e demais autoridades para pôr fim a uma política pública genocida, conforme explicitado em nossa Carta Manifesto.

Bate de frente – Rapper Robert

Bate de Frente

Letra: Robert
Música: Robert e Ednaldo Mello (Presuntinho)

Decisões públicas que exigem violência
Ferem seu caráter e tiram sua paciência
Ofende o cidadão sua liberdade de expressão
Direitos amparados pela constituição
Que os próprios governantes fazem o favor de violar
Joga droga aqui no morro e vê o povo se matar
É triste é precário o filho chora e a mãe não vê
Ambiente propício pra matar e pra morrer
Afeta o sistema que ta mal intencionado
Conflito com o choque deixa o público dispersado
Bem articulado não, ta defasado
Convoca pra guerra quem já tava preparado
Que usa pistola e manuseia fuzil
Ordem e progresso pra desordem do Brasil
Que regride e omite a culpa no cartório
Que agride e decide o que é impróprio
Não zela pelo bem estar em te atender
Ignora a pobreza fecha os olhos pra não ver
O asfalto ta tomado vias interditadas
Gás de lacrimogêneo e balas de borracha

Bate de frente! Fazemos o manifesto
Forma a corrente! Exigimos o que é certo
Muvuca nas ruas clamando por justiça
Entrando em confronto na mira dos policia

Brasil cruel que o progresso retarda
Com a crise gerada cresce em grande escala
A miséria criada pobreza se espalha
Rotina sangrenta leva a vida na bala
O caos ta formado militares acionados
Bombas de efeito moral não moralizam os safados
Desmoralizam trabalhadores com péssima remuneração
Que pagam água e luz com o auxilio do busão
Problema social olho tomo geral
Se o branco tiver com uma arma a crise vira racial
Noticia se espalha na mídia e causa grande intriga
Miolos vão estourar tem atirador na mira
Serviço de inteligência com a cara do suspeito
Miram de outro ângulo pra acertar o sujeito
Ir contra o sistema é dar murro em ponta de faca
Nadar contra a maré ter a alma assassinada
Some do mapa mão ta gela vão, vão te caçar
Fio da navalha cadê a praga pra dedetizar?
Não se dispersa só quem é forte cumpre sua tarefa
Quem tem coragem aqui é de praxe eles tão com pressa

Bate de frente! Fazemos o manifesto
Forma a corrente! Exigimos o que é certo
Muvuca nas ruas clamando por justiça
Entrando em confronto na mira dos policia

Desce pro asfalto armado e sem preparo
Se joga do precipício negrin vai mão pru alto
Reivindica seus direitos que há muito foi abolido
Que causou estrago e não te isenta do perigo
Se livra desse fardo que é pesado nos seus ombros
Que quando a bomba explode sobra só escombros
Mas é sempre assim nunca foi diferente
Quem diz que te defende sempre está ausente
Não faz por merecer, mas nos desmerece
Não te dá valor quer teu voto e te esquece
Solta os pitbul pra atacar junto com a rota
Fardado sem preparo aqui cava tua cova
Atende a necessidade doutor seja eficaz
Caso aconteça o contrário nóis vamu tirar sua paz
Chega de apanhar, sofrer sem reação
Passando calor com sede na multidão
Na condição precária que expõe nosso fracasso
Cinco da matina recompõe o homem de aço
Que luta todos os dias e protesta com suor
Justiça delimita e ínsita nosso pior

Bate de frente! Fazemos o manifesto
Forma a corrente! Exigimos o que é certo
Muvuca nas ruas clamando por justiça
Entrando em confronto na mira dos policia

 

“A Terra é Nossa!” – Das Land gehört uns!”

foto/colagem: rasadauto/wetv/nijinski arts interancional e.v.

Filme documentário, 30 minutos,  direcao: Katharina La Henges;  producao: WETV/Nijinski Arts Internacional e.V.-Berlin.

A luta dos ìndios brasileiros em seu viemente protesto por seus direitos e por suas terras ameacadas no Brasil, durante à Cupula do Povo/Rio+20 no Rio de Janeiro, junho de 2012.

“A Terra é Nossa!” – Das Land gehört uns!

 

Salvemos os índios Guarani-Kaiowá – URGENTE!

 foto: ap

Leia, abaixo, carta de socorro da comunidade Guarani-Kaiowá. Os índios da etnia Guarani-Kaiowá estão correndo sério risco de GENOCÍDIO, com total omissão da mídia local e nacional e permissão do governo. Se você tem consciência de que este sangue não pode ser derramado, assine esta petição. Exija conosco cobertura da mídia sobre o caso e ação urgente do governo DILMA e do governador ANDRÉ PUCCINELLI, para que impeçam tais matanças e junto com elas a extinção desse povo. CARTA:

“Nós (50 homens, 50 mulheres, 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, vimos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de despacho/ordem de nossa expulsão/despejo expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, em 29/09/2012.

Recebemos esta informação de que nós comunidades, logo seremos atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal de Navirai-MS. Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver na margem de um rio e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay.

Assim, entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio/extermínio histórico de povo indígena/nativo/autóctone do MS/Brasil, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça Brasileira.

A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas?? Para qual Justiça do Brasil?? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados 50 metros de rio Hovy onde já ocorreram 4 mortos, sendo 2 morreram por meio de suicídio, 2 morte em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas. Moramos na margem deste rio Hovy há mais de um (01) ano, estamos sem assistência nenhuma, isolada, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Tudo isso passamos dia-a-dia para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay.

De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs e avós, bisavôs e bisavós, ali estão o cemitérios de todos nossos antepassados. Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser morto e enterrado junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação/extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais.

Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal, Assim, é para decretar a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e para enterrar-nos todos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem morto e sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo de modo acelerado. Sabemos que seremos expulsas daqui da margem do rio pela justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo/indígena histórico, decidimos meramente em ser morto coletivamente aqui. Não temos outra opção, esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.”

Via Miguel Maron

Via Marina Soucasaux Mendes

http://www.avaaz.org/po/petition/Salvemos_os_indios_GuaraniKaiowa_URGENTE/?fYwbDbb&pv=0

Guarani Kaiowá

 
 
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