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Arquivo mensal: novembro 2012

Africanos sao os “motores” descartáveis das bocas de fumo do Görlitzer Park do meu bairro Kreuzberg!

foto: eric richard

Ontem aconteceu aqui no Görlitzer Park, o parque do meu bairro, uma grande “Polizei Razzia” (batida policial) nos pontos de venda de maconha. Esses pontos tem como vendedores centenas de africanos. Parte deles ilegais e sem falar nada do alemao. Antes esses domínios de venda eram controlados pelos libaneses, turcos e outros árabes. Até que numa disputa de uma longa luta forma sendo ocupados pelos africanos. Mas um detalhe importante: enquanto os turcos e outros os capos eram das mesmas nacionalidades, nos “pontos africanos” os africanos nao sao os donos, mas os “vapores”, Os “capos” sao alemaes e que nunca aparecem em lugar nnhum, sao completamente “invisíveis”. Os africanos sao mao-de-obras baratas e descartáveis desse novo sistema ali no Görlitzer Park.

foto: tsp
Como sempre, cerca de 100 policiais do esquadrao de choque cercaram o Parque e deram o baculejo. E como sempre muita gente foi revistada e aquela corda de africanos amarrados uns nos outros foi levada aos camburoes.

A sorte nessa história toda, é que nao existem praticamente armas com essas pessoas. Um ou outro pode ter ou usar uma faca, que é a arma mais usada em Berlin nas gangs, pois é proibido usar armas por aqui. Claro que as gangs barras pesadas e as máfias (como a russas, a turcas, a alemas, a vietnamitas, etc) usam armas pesadas. Por isso nao saem tiroteios e ninguem morre na história.

Duas horas depois, ou no dia seguinte, uma nova horda de africanos estao nos pontos substituindo os que foram tirados de acao. É a máquina da mao-de-obra barata descartável funcionando a todo vapor. Daqui a pouco nova Razzia e novos lotes de africanos saem amarrados uns aos outros para os camburoes. E seus chefoes alemaes ou europeus continuam nas sombras ocultos e livres!

Ras Adauto!

 

CARTA DA ATY GUASU GUARANI E KAIOWÁ AOS DIVERSOS MOVIMENTOS SOCIAIS E ATOS NACIONAIS EM DEFESA DO NOSSO POVO.

(Mais de 50 cidades realizaram manifestação em solidariedade aos guarani kaiowá- Em carta enviada pela organização guarani kaiowá, Aty Gusasu, os indígenas pediam que os ativistas “saiam às ruas, pintem os rotos, ocupem as praças, ecoem o grito do nosso povo que luta pela vida, pelos territórios!”. E é isso que foi realizado na sexta-feira (9). Em São Paulo, por exemplo, três manifestações foram convocadas. Atos semelhantes ocorreram em dezenas de cidades do país e no mundo. Na Alemanha aconteceram manifestacoes simultaneas em Berlin e Hamburg).

CARTA DA ATY GUASU GUARANI E KAIOWÁ AOS DIVERSOS MOVIMENTOS SOCIAIS E ATOS NACIONAIS EM DEFESA DO NOSSO POVO.

“Saiam às ruas, pintem os rotos, ocupem as praças,
ecoem o grito do nosso povo que luta pela vida, pelos territórios!”

Esta é uma carta das lideranças do Aty Guasu (Grande Assembleia) direcionada especialmente às diversas “mobilizações contra o genocídio do nosso povo Guarani e Kaiowá” previsto para o dia 09 de novembro em várias cidades do País e do Mundo. Queremos agradecer por todas estas iniciativas de solidariedade em defesa das nossas terras e nossas vidas.

Hoje somos 46 mil pessoas sobreviventes de um continuo e violento processo de extermínio físico e cultural acarretado principalmente pela invasão histórica de nossos territórios tradicionais (tekoha guasu) e por assassinatos de nossas lideranças e famílias. Por isso reafirmamos que o Estado Brasileiro é o principal responsável por este estado de genocídio, ora por participação, ora por omissão.

Nossa Aty Guasu é responsável nos últimos 35 anos pela organização política regional e internacional do nosso povo e por nossa luta na defesa e efetivação de nossos direitos fundamentais e constitucionais, de modo prioritário a retomada dos territórios tradicionais. Por esse motivo, nosso povo possui a maior quantidade de comunidades atacadas por pistoleiros e de lideranças assassinadas na luta pela terra do Brasil República.

Por isso, através desta carta queremos unir nossas vozes a de todos vocês e promover o mesmo grito pela vida de nosso povo com as seguintes prioridades:

– A imediata demarcação de nossos territórios tradicionais e a desintrusão dos territórios já declarados e homologados.

– Que a Funai publique, ainda este ano, os relatórios de identificação dos territórios em estudo.

– Que diante do processo legítimo de retomada de nossos territórios, nosso povo não seja despejados, uma vez que roubaram nossas terras por primeiro e nos confinaram em pequenas reservas.

– Que o Conselho Nacional de Justiça – CNJ crie mecanismos para que as ações judiciais envolvendo nossos territórios sejam julgados com prioridade máxima, de modo, a não se arrastarem por anos nas instância do judiciário, enquanto nosso povo passa fome à beira das estradas em Mato Grosso do Sul.

– Que haja uma efetiva ação de segurança de nossas comunidades e lideranças em área de conflito e ameaçadas.

– Que os fazendeiros e pistoleiros assassinos de nosso povo sejam julgados e condenados.

– A imediata revogação da inconstitucional portaria 303 da Advocacia Geral da União e o fim das iniciativas do Congresso Nacional em destruir nossos direitos garantidos na Constituição Federal de modo unânime as PECs 215, 38, 71, 415, 257, 579 e 133. Não aceitaremos mudança constitucional!

Por fim, que todas as manifestações não se encerrem em 9 de novembro, mas que esta data seja o inicio de um continuo engajamento da sociedade não indígena na defesa da vida de nosso povo e de pressão sobre o governo.

Junto com todos vocês, nosso Povo é mais forte e venceremos o poder desumano do agronegócio explorador e destruidor de nossas terras. A ganancia deste sistema não vencerá a partilha de nossos povos.

Vamos continuar a retomada de todas as nossas terras tradicionais! Somos todos Guarani e Kaiowá! Muito obrigado pela SUA VOZ SAGRADA PROTETORA: “TODOS POR GUARANI E KAIOWÁ!”

Dourados, 7 de novembro de 2012 –
Conselho do Aty Guasu Guarani e Kaiowá.

Imagem by Odyr Bernardi published on the Facebook page “Quadrinhos Guarani”

 

Os Refugiados de Berlin e a Luta contra o Racismo!

Na foto: uma família de refugiad@s do Sudão acampada na Oranienplatz em Kreuzberg, vinda com a “Marcha de Protesto para Berlin”. Com o lema: “Willkommen in Berlin!” (Bem vind@s à Berlin). foto: berlinerzeitung

A organização a que pertenço, Nijinski Arts Internacional e.V./PPABerlin, está fazendo parte do pool de organizações e pessoas que estão ajudando e dando cobertura aos refugiados de várias partes do mundo que estão acampados aqui em Berlin Kreuzberg.São migrantes de várias regioes da África, Ásia, Oriente Médio, onde estão deflagadas guerras e perseguições políticas violentas. E que chegaram à Alemanha para tentarem buscar melhores condições de vida e/ou mesmo salvarem as suas vidas e as de suas famílias . Há duas semanas fizeram uma marcha vindos de várias regiões da Alemanha até Berlin, para tentarem dialogar com o governo central. E o que receberam no entanto foi um violento ataque policial, no qual os africanos foram os mais visados e espancados.

Refugiados Nigeriano sendo espancado pela Polícia de Berlin – Fotos: VOICE BERLIN

Há vários dias estão acampados, ou melhor confinados, em um precário campo de concentração de barracas, onde seus movimentos e ações estão sendo constantemente monitorados pela sistema policial de Berlin.

Estão recebendo ajudas de varias organizações independentes e pessoas solidárias. Mas estão reclamando, além da violencia polical, de que até agora foram poucas as presenças de politicos ou autoridades envolvidas com a questão de migração, direitos humanos, política de estrangeiros, principalmente. Alguns entraram em greve de fome!

A Nijinski Arts, juntamente com os jovens da WETV, rodaram várias entrevistas e gravações no acampamento para o seu próximo programa na Alexis TV, a tv pública a cabo aberta de Berlin.

Além disso, ontem levamos vários alunos e professor@s do ginásio do Leon, Colégio Campus Rutlí Neuköln, para visitarem o acampamento. Esses alunos – alemães ,turcos, árabes, indús, africanos, palestinos, etc – fizeram uma campanha no escola e arrecadaram doações de roupas (principalmente de frio), utensílios, material de higiene e alimentos. E entregaram às liderancas do acampamento e receberam uma palestra sobre a situacao e a história do movimento. O encontro foi organizado pela Cineasta Katharina La Henges.

Domingo, a Bündnis gegen Rassismus (Aliança Contra o Racismo) está chamando para a marcha “Manifestação contra o Racismo”, em homenagem às vítimas do Neonazismo . A manifestação é parte do dia nacional de ação: Das Problem heisst Rassismus  – “O problema chama-se Racismo”. A abertura será às 14 horas na Oranienplatz, acampamento de protesto dos Refugiados.

Algumas das reivindicações:

“Nossas demandas são:

Abolição das Fronteiras!

Reconhecimento de todos os requerentes de asilo como refugiados políticos!

Abolição da residência obrigatória!

Abolição de centros coletivos e acampamentos para os refugiados!”

RBB Abendschau 15.10.2012: Botschaft Nigerias besetzt

Refugee Protest March – Still on the Move!

 

Continua mobilização pela demarcação das terras Guarani-Kaiowa!

cartoon: Latuff 2012

Em reunião com as lideranças Guarani-Kaiowa no dia 30 de outubro, o Ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, (vide matéria)  informou ainda que determinou o envio de reforço da Polícia Federal e da Força Nacional para evitar que a tensão entre indígenas e produtores rurais provoque violência. O Comitê Internacional de Solidariedade ao Povo Guarani-Kaiowa e o Tribunal Popular da Terra anunciaram que a mobilização deve continuar até a demarcação das terras, que é a garantia da titularidade da propriedade.

Para esclarecer mais sobre a necessidade da continuidade da mobilização nacional, o líder Ládio Veron, viajou para São Paulo para fazer um depoimento à Revista Carta Maior, por Fábio Nassif. Ele reforçou que a luta do seu povo não é somente contra os despejos, mas pela demarcação definitiva das terras indígenas. Segundo ele , há 49 aldeias prontas para serem reconhecidas como terra indígena, mas foram embargadas pelo STF.

Morreremos por nossas terras, diz liderança Guarani Kaiowá do MS

http://www.cartamaior.com.br

“Estamos sendo encurralados, prejudicados, massacrados através dos jornais e das decisões dos juízes”. A frase de Ládio Veron em depoimento para a Carta Maior vem para reforçar uma carta escrita por indígenas guarani kaiowás de Pyelito Kue, no Mato Grosso do Sul, sobre a disposição de lutarem até a morte caso tentem despejá-los de suas terras, conforme indica decisão da Justiça Federal de Navirai-MS, em 29 de setembro. A situação jurídica do local segue em impasse, assim como das aldeias Passo Pirajú e Potrero Guasu.

Ládio viajou a São Paulo nesta sexta-feira (26) com intuito de aumentar a rede de solidariedade aos guarani kaiowás. Ele reforçou que a luta do seu povo não é somente contra os despejos, mas pela demarcação definitiva das terras indígenas. Segundo a liderança, existem 49 aldeias prontas para serem reconhecidas como terra indígena, mas foram embargadas pelo Supremo Tribunal Federal. A demora da Funai para realização dos estudos antropológicos também é motivo, segundo ele, para o aumento dos conflitos.

“A cana que hoje está sendo plantada lá e colhida como etanol já é misturada com sangue indígena Guarani Kaiowá”, disse o cacique. Ele se refere ao peso do agronegócio na região que teve uma guinada após acordo do ex-presidente brasileiro Lula com ex-presidente dos Estados Unidos Georg Bush sobre a produção de biocombustíveis.

As ameaças e os despejos em si são constantes na região. Nos últimos dez anos, a quantidade de terras demarcadas diminuiu, e, assim, aumentou a instabilidade dessas populações. Quando não são praticados oficialmente, os despejos são realizados à bala por jagunços, como relatam os próprios indígenas.

A ausência de floresta para sua subsistência, a utilização de agrotóxico nas plantações de cana e soja que contamina o solo e gera doenças, as ameaças de morte e diversos tipos de violência praticadas contra esta população são marcas do Mato Grosso do Sul. Nesta mesma quarta-feira (24), uma indígena de Pyelito Kue foi abusada sexualmente por oito homens em uma fazenda, conforme denunciaram os indígenas. Aquele é o estado com maior índice de indígenas assassinados – cerca de 500, sendo 270 lideranças, em dez anos.

Diante da boa receptividade da luta dos indígenas nas redes sociais, várias atividades foram programadas. Em 18 cidades foram agendados atos de solidariedade, entre os dias 27 de outubro e 9 de novembro. As iniciativas podem ser conhecidas no site http://solidariedadeguaranikaiowa.wordpress.com , assim como os apoiadores das causas dos guarani kaiowás podem tomar contato com suas ações pelo perfil do Aty Guasu no Facebook .

 

Fonte: Comite Internacional de Solidariedade ao Povo Gurani/Kiowa – Fábio Nassif

           União – Campo, Cidade e Floresta

 
 
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