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Arquivo mensal: fevereiro 2013

Indígenas querem o afastamento de delegados da Polícia Federal

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fotopib : kadiwéu

redacao fevereiro 26, 2013 0
Em carta, eles pedem que o governo federal interceda imediatamente e de maneira enérgica com um plano de segurança para os povos indígenas no Mato Grosso do Sul

*Via Brasil de Fato 

Lideranças indígenas Terena, Kadiwéu, Guarani Kaiowá e Guarani Ñandeva entregaram uma carta na segunda-feira (25) à ministra da Secretaria dos Direitos Humanos (SDH), Maria do Rosário, durante encontro em Campo Grande (MS).

Endereçada ao governo federal, o documento pede o afastamento dos delegados da Polícia Federal de Dourados, Chang Fan e Fernando José Parizoto. Segundo os indígenas, os servidores possuem comportamento declaradamente anti-indígena e preconceituoso, e dizem que temem represálias e perseguições por parte dos dois.

Os indígenas também querem que o governo federal interceda imediatamente e de maneira enérgica com um plano de segurança para os povos indígenas no Mato Grosso do Sul. Confira abaixo a carta na íntegra.

 Carta dos povos indígenas do Mato Grosso do Sul ao Governo Federal

Nós, representantes dos povos indígenas, caciques e lideranças Guarani Ñandeva, Guarani Kaiowá, Terena e Kadiwéu, representantes do Conselho do Povo Terena, Conselho do Aty Guasu, do Conselho Continental da Nação Guarani (CCNG), Conselho Nacional de Educação Escolar Indígen da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) reunidos em Campo Grande, vimos a público exigir que o Governo Federal interceda imediatamente de maneira enérgica com um plano de segurança para os povos indígens no Mato Grosso do Sul.

No último período, as comunidades indígenas da região sofreram ataques inaceitáveis. Os Kadiwéu, cuja terra indígena foi demarcada há mais de 100 anos e homologada há quase 30, tem ao menos 23 fazendas incidindo sobre seu território. No segundo semestre do ano passado, a Polícia Federal realizou reintegrações de posse na área em função de uma liminar da Justiça Federal concedida a fazendeiros. Neste contexto, ameaças e ataques de pistoleiros contra lideranças indígenas foram e são recorrentes.

Em janeiro, famílias Terena da terra indígena Buriti, com 17 mil hectares declarados como território tradicional indígena em 2010 pelo Ministério da Justiça, mas apenas 2 mil ocupados, sofreram ataques de jagunços de fazendeiros. Os conflitos advém da morosidade do Estado em promover a demarcação física dos limites da terra e os sucessivos passos para a homologação do território.

As violências constantes contra os povos Guarani e Kaiowá revelam na dor do nosso povo a incapacidade do governo de demarcar nossas terras e de proteger nossas comunidades. Somente esse ano foram contabilizados ao menos 10 ataques de pistoleiros e fazendeiros contra acampamentos indígenas, culminando na execução do jovem Kaiowá Denilson Barbosa, de 15 anos, do tekoha Tey’ikue, em Caarapó, cujo assassino é o confesso proprietário de uma fazenda vizinha à aldeia.

Além da perseguição de fazendeiros, seguranças e jagunços, também sofremos quando há envolvimento da polícia civil e militar – via de regra comprometida com o latifúndio. Também sofremos o descaso e a difamação nos veículos da grande imprensa local que está a serviço dos fazendeiros e do agronegócio no Mato Grosso do Sul. Estamos cercados, em todos os sentidos.

Exigimos que todos os casos relacionados a direitos indígenas sejam tratados, investigados e julgados pela Justiça Federal e Polícia Federal. Exigimos que o Governo Federal garanta a segurança plena de nossas comunidades indígenas em situação de conflito devido a luta por seus direitos constitucionais.

Denunciamos, também, o comportamento declaramente anti-indígena e preconceituoso dos delegados da Polícia Federal de Dourados Chang Fan e Fernando José Parizoto. Após o assassinato de Denilson e os sucessivos ataques de fazendeiros sofridos pela comunidade do Tey’ikue, lideranças Guarani e Kaiowá foram a Dourados discutir um planejamento emergencial de segurança para a comunidade com a PF. Na presença da Fundação Nacional do Índio, o delegado Fernando Parizoto, de forma arrogante e autoritária, negou aos indígenas o auxílio da Polícia, retrucando que os equivocados nessa história eram os próprios Guarani e Kaiowá que, segundo ele, haviam invadido propriedade privada e seriam investigados por isso. Por temermos mais represálias, perseguições e ambos não terem sensibilidade e clareza para lidar com a questão indígena, exigimos que o Governo Federal os afaste do cargo.

A tudo isso, somam-se os ataques anteriores e toda a violência a qual fomos historicamente submetidos e que resultaram em mortes, empobrecimentos, perda de território e de identidade – quadros que são reforçados quando, na prática, governos ignoram nossas demandas.

Por fim, não nos resta outra alternativa a não ser reafirmar a carta de Pyelito Kue. Estamos preparados para morrer em nossas terras. Não vamos desistir nunca. Vamos retoma-lás uma a uma, fazendo nossa autodemarcação. Basta de impunidade, de fazendeiros assassinos andando à luz do dia, enquanto na terra se abre mais uma cova, que destruiu os sonhos de mais um jovem indígena.

Num contexto em que as comunidades e lideranças ameaçadas, mesmo as que estão sob proteção de programas de governo, não tem segurança; em que todos os nossos assassinos e expropriadores continuam impunes; em que não temos acesso à água, comida, saúde, escola e terra; nós exigimos Justiça. Nossos filhos não podem sofrer como nós já sofremos.

Campo Grande, 25 de fevereiro de 2013

Lideranças Terena, Kadiwéu, Guarani Kaiowá e Guarani Ñandeva

Copyleft © 2012 – Vírus Planetário. É permitida a reprodução, desde que citada a fonte

 

NOTA DO CONSELHO DA ATY GUASU GUARANI E KAIOWÁ CONTRA GENOCÍDIO INDÍGENAS

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foto:  Nando Mendes

“Dando continuidade ao caso do jovem kayowá Denilson Barbosa brutalmente assassinado pelo fazendeiro Orlandino Gonçalvez Carneiro, recebemos essa Nota do  CONSELHO DA ATY GUASU GUARANI E KAIOWÁ e publicamos aqui como uma posicao também nossa, do PPABerlin, contra esse genocídio, violencia e violacao brutal dos direitos da Nacao Kayowá no BRasil” – Ras Adauto.

NOTA DO CONSELHO DA ATY GUASU GUARANI E KAIOWÁ CONTRA GENOCÍDIO INDÍGENAS

Esta nota do conselho da Aty Guasu visa destacar e analisar a posição de autoridade policial investigativa civil frente ao depoimento do fazendeiro Orlandino Gonçalvez Carneiro. De modo voluntário, esse fazendeiro confessou o crime contra a vida do menino Guarani-Kaiowá Denilson Barbosa, porém o fazendeiro-assassino confesso foi ouvido e solto pela autoridade policial Estadual. Depois disso, na sequencia, este fazendeiro-assassino Orlandino começou a organizar as ações criminosas consecutivas de seus pistoleiros contras as vidas dos manifestantes Guarani-Kaiowá, mandando os seus pistoleiros dispararem os tiros em direção dos 1.000 manifestantes Guarani-Kaiowá. 1º ataque dos pistoleiros do fazendeiro aconteceu no dia 22 de fevereiro de 2013, por volta da 10h30min, em plena luz de sol, compareceram mais de dez (10) homens “brancos civilizados” armados lançaram vários tiros sobre os manifestantes Guarani-Kaiowá. 2º ataque dos pistoleiros do Orlandino aconteceu no dia 23 de fevereiro à noite, os pistoleiros “brancos civilizados modernos” dispararam vários tiros sobre as centenas manifestantes indígenas Guarani-Kaiowá.

Assim, os pistoleiros do fazendeiro-assassino confesso continuam agindo e ameaçando de forma tranquila os familiares do Denilson Barbosa e manifestantes Guarani-Kaiowá da aldeia Tey’ikue/Caarapo-MS. Em resumo, a seguir destacamos as narrações das testemunhas indígenas que viram a ação criminosa do fazendeiro Orlandino e seus pistoleiros. Além disso, ressaltamos as ações criminosas dos fazendeiros frente à manifestação pública Guarani-Kaiowá da aldeia Tey’ikue /Caarapó-MS.

É com muito pesar e indignados que, nós conselho da Aty Guasu Guarani e Kaiowá, mais uma vez, vimos comunicar a todos (as) autoridades e cidadãos (ãs) do Brasil e Nações do Mundo que no dia 20 de fevereiro de 2013, o fazendeiro Orlandino Gonçalvez Carneiro procurou a Polícia Civil e confessou que ele mesmo assassinou o menino Kaiowá Denilson Barbosa. Assim, o fazendeiro Orlandino Gonçalvez Carneiro, depois de dois dias de assassinar um índio, procurou a Delegacia de Polícia Civil e narrou o seu crime à autoridade policial civil e foi liberado de modo muito sereno. A posição pública da autoridade policial civil evidencia claramente que os fazendeiros-assassinos dos Guarani-Kaiowá não são e nem serão punidos. Diante do fato, várias lideranças Guarani-Kaiowá indignadas declaram que “se os criminosos fossem índios Guarani-Kaiowá, se um fazendeiro fosse assassinado pelo índio Guarani-Kaiowá imagina!, com certeza a autoridade da polícia civil prenderia e deixaria presos na hora, submeteria à tortura, etc.

Segue a narração do menino indígena sobrevivente irmão do Denilson Barbosa que ficou escondido no matagal, bem perto da lagoa onde foi pego e assassinado o seu irmão Denilson pelo fazendeiro Orlandino Gonçalvez Carneiro. No meio da escuridão, o menino sobrevivente ouviu tudo que estava sendo praticado contra a vida de seu irmão pelo fazendeiro Orlandino e pistoleiros, escutando o último choro e grito de socorro de Denilson Barbosa. “Ouvi os tiros e o último grito e choro de meu irmão Denilson”. (Logo depois), “quando uma caminhonete saiu da sede da fazenda indo em direção da cidade Caarapó, eu saí correndo do mato e fui avisar o meu pai”. O menino correu e demorou mais de 2 horas para comunicar o seu pai sobre o acontecido e assassinado de seu irmão.

Na madrugada do dia 17/02/2013, por volta da 01h00min, o fazendeiro Orlandino Gonçalvez Carneiro juntamente com os seus pistoleiros/auxiliares carregaram o corpo sem vida do Denilson Barbosa na carroçaria de uma caminhonete e o levaram largar na entrada da aldeia Tey’ikue/Caarapó. Largaram no meio da estrada e um pneu da caminhonete pisou sobre o corpo do Denilson, por isso no primeiro momento o fato apareceu que o menino Guarani-Kaiowá como estivesse sofrido acidente de carro. Sobre isso, o fazendeiro apresentou uma versão infundada que ele estaria levando o menino Guarani-Kaiowá para hospital, a ação seria salvar a vida do índio Denilson, mas é mentira dele.

Segundo Boletim de Ocorrência nº 218/2013 (B.O.) Na madrugada do 17/02/2013, por volta da 01h00min, um anônimo, uma pessoa sem identificação comunicou à Polícia Civil de Caarapó-MS que havia um corpo sem vida de um homem à margem da estrada próxima à aldeia indígena Tey’ikue/Caarapó-MS. Sobre essa comunicação registrada, as lideranças religiosas imaginaram que esse anônimo seria o próprio fazendeiro Orlandino Gonçalvez Carneiro, comunicando o resultado de sua ação criminosa. Diante disso, exigimos que seja investigada essa comunicação anônima registrada pela polícia, donde procedeu a comunicação e do qual nº telefônico?

No dia 18/02/2013, as familiares do menino Denilson Barbosa e dezenas lideranças indígenas receberam o corpo sem vida do menino na aldeia Tey’ikue. Frente ao fato acontecido, surgiu manifestação pública Guarani-Kaiowá contra o fazendeiro assassino Orlandino, solicitando para Polícia Civil a prisão em flagrante do fazendeiro, por meio de protesto, os parentes do Denilson, as principais lideranças da Tey’ikue com mais de mil (1.000) indígenas Guarani-Kaiowá decidiram a enterrar o corpo do menino Denilson Barbosa no local em que foi torturado e assassinado pelo fazendeiro. De fato, no dia 18/02/2013, quando aconteceu a manifestação pública e o ritual/cerimônia de enterro do Denilson perto da lagoa, o fazendeiro Orlandino Gonçalvez Carneiro e seus pistoleiros se encontravam armados na sede da fazenda, observando a manifestação Guarani-Kaiowá e o ritual de enterro do menino assassinado por ele. No dia 19/02/2013, Orlandino Gonçalvez Carneiro e seus pistoleiros começaram a se agrupar mais na sede da fazenda, ameaçando os manifestantes indígenas e pedindo a segurança policial do Estado para os fazendeiros. Assim, entre os dias 18 e 19 de fevereiro de 2013, várias viaturas das polícias estadual e federal vieram até a sede da fazenda do Orlandino Gonçalvez Carneiro, indo e voltando e encontraram o fazendeiro assassino e não prenderam o fazendeiro Orlandino Gonçalvez Carneiro, não prendeu em flagrante por quê? Pedimos a explicação à razão de não prender em flagrante o fazendeiro-assassino. Visto que dois indígenas testemunhos que viram confirmaram reiteradamente, no dia 17/02/2013 que o mandante e o autor do crime foram Orlandino e seus pistoleiros. Os mais de cinco mil (5.000) manifestantes Guarani-Kaiowá estavam pedindo a prisão em flagrante do fazendeiro Orlandino e seus pistoleiros desde o dia 17/02/2013. Mas foi ignorada a confirmação das testemunhas indígenas e o apelo de cinco mil (5.000) manifestantes Guarani-Kaiowá da aldeia Tey’ikue. Dois dias depois do fato, no dia 20/02/2013, o fazendeiro Orlandino Gonçalvez Carneiro, com livre espontânea vontade, se apresentou na delegacia da Polícia Civil onde confessou que ele mesmo assassinou o menino Denilson Barbosa e foi só ouvido e liberado para solicitar a reintegração de posse da fazenda, ou seja, criminoso do índio Denilson Barbosa confesso não foi preso pela polícia e foi liberado para coordenar novo ataque violenta contra as vidas dos manifestantes Guarani-Kaiowá. Os líderes Guarani-Kaiowá da aldeia Tey’i kue narraram e denunciaram que desde 18 de fevereiro as comunidades inteiras estão sendo ameaçada pelos fazendeiros da região de Caarapó-MS, “há várias caminhonetes circulando pela aldeia Te’yi kue, procurando as lideranças do manifestantes e ameaçando os manifestantes públicas indígenas” . No dia, 22 de fevereiro de 2013, após confessar o crime, o Orlandino Gonçalvez Carneiro solicitou a reintegração de posse da fazenda na Justiça Estadual de Caarapó-MS. Ao mesmo tempo aconteceram os ataques consecutivos dos homens “civilizados” armados, 1º ataque dos pistoleiros do fazendeiro aconteceu no dia 22 de fevereiro de 2013, por volta da 10h30min, em plena luz de sol, compareceram mais de dez (10) homens “brancos civilizados” armados lançaram vários tiros sobre os manifestantes Guarani-Kaiowá. 2º ataque dos pistoleiros do Orlandino aconteceu no dia 23 de fevereiro à noite, os pistoleiros “brancos civilizados modernos” dispararam vários tiros sobre as centenas manifestantes indígenas Guarani-Kaiowá. Esses ataques dos pistoleiros foram comunicado a todas as autoridades federais do Brasil como: o MPF, FUNAI, PF etc., aos poucos estão tomando as medidas cabíveis ao caso.

Por fim, nós conselhos da Aty Guasu Guarani e Kaiowa juntamente com as familiares do Denilson Barbosa, lideranças de seis mil (6.000) comunidades manifestantes Guarani-Kaiowá da aldeia Tey’ikue continuamos a nossa manifestação pública pela punição do fazendeiro Orlandino Gonçalvez Carneiro e seus pistoleiros. Solicitamos a prisão do fazendeiro e seus pistoleiros. Visto que no Estado de Mato Grosso do Sul, os fazendeiros-assassinos não são julgados e nem punidos pela justiça do Brasil.
Como já é sabido que aqui no Sul de Estado de Mato Grosso do Sul, só em dez (10) anos, mais de 20 lideranças Guarani-Kaiowá já foram assassinadas a tiro queima-roupa pelos pistoleiros das fazendas e nenhum fazendeiro-criminoso foi punido e nem julgado pela autoridade da justiça brasileira. Diante desse fato histórico indignante, mais uma vez, solicitamos o julgamento e punição ao fazendeiro Orlandino Gonçalvez Carneiro e seus pistoleiros. Além disso, pedimos também o julgamento e punição aos todos os fazendeiros-assassinos das lideranças Guarani-Kaiowá, acontecido nos últimos 20 anos.

Atenciosamente,

Tekoha Guasu Pindo Roky/Tey’ikue, 24 de fevereiro de 2013

 

Manifestação Aldeia Maracanã e Guarani-Kaiowá: A Resistência de uma Cultura!

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foto: gophotos –  guarani Kaiowá, a cruz dos mortos.

“Infelizmente, é com muito pesar, nós conselho da Aty Guasu guarani e Kaiowá, vimos a todos (as) AUTORIDADES E CIDADÃOS DO BRASIL E DO MUNDO comunicar que ontem um grupo indígenas Guarani-Kaiowá foram atacados e violentados pelos pistoleiros das fazendas da região de Caarapó-MS. Um adolescente foi assassinado a tiro-bala pelos homens das fazendas, localizada próxima da Reserva/Aldeia Tey’i kue/Caarapo, município de Caarapó-MS.
Hoje (18/02/2013) mais de duas centenas de Guarani-Kaiowá enterraram o corpo do menino no local em que foi assassinado. Esse lugar é terra Guarani-Kaiowá tradicional reivindicada pelos indígenas que está em estudo antropológico, há anos. Diante do fato de violência antiga contra as vidas dos indígenas Guarani-Kaiowá, hoje à tarde, mais de 200 Guarani-Kaiowá tentam reocupar o tekoha e permanecerem no lugar, fazendo protesto contra as violências contra a s vidas Guarani e Kaiowá, pedindo a JUSTIÇA. Está tenso no local em que começou o protesto passivo dos Guarani e Kaiowá. Os agentes da PF e FUNAI foram no local ontem e hoje.
Por fim, mais uma vez, solicitamos a investigação do fato pela Polícia Federal e pedimos a presença permanente de seguranças federais no local. A comunidade Guarani e Kaiowá já decidiu em permanecer em protesto nesse tekoha guasu onde foi assassinado o menino Kaiowá. Entorno de tekoha reocupada em protesto já começou movimento dos pistoleiros. O risco de ataque dos pistoleiros é iminente.
Amanhã, retornaremos a comunicar a todos (as).

Tekoha Guasu Guarani e Kaiowá, 18 de faevereiro de 2013.
Conselho da Aty Guasu Guarani e Kaiowá contra genocídio”

No dia 22/02 (sexta) às 17:00, realizaremos uma manifestação em defesa dos índios Guarani-Kaiowá. Crianças foram torturadas por fazendeiros, mulheres foram estupradas, jovens assassinados e nós vamos ficar calados? Pelo contrário, vamos fazer bastante barulho que nossos parentes escutarão nossas vozes de lá do Mato Grosso do Sul!

Partiremos da UERJ pela Rua São Francisco Xavier até a Aldeia Maracanã.

Saiba mais sobre a luta Guarani-Kaiowá:
http://www.94fmdourados.com.br/noticias/policial/indigena-e-assassinado-com-tiro-na-cabeca-em-caarapo

http://vimeo.com/55170473

Índios X Pastores

http://www.youtube.com/watch?v=h1ZDaMaBDHA

AYAYA WIRACOCHA!

 

Fazendeiro admite ter atirado no adolescente indígena morto no domingo em Mato Grosso do Sul

GUARANI KAIOWA

Alex Rodrigues, Repórter Agência Brasil

Brasília – O fazendeiro Orlandino Carneiro Gonçalves, 61, confessou ter atirado no adolescente guarani-kaiowá de 15 anos, Denílson Barbosa. O corpo do jovem morador da aldeia tey´ikue, localizada na área indígena Caarapó, em Caarapó (MS), a cerca de 50 quilômetros de Dourados (MS), foi encontrado no último domingo (17) em uma estrada vicinal que separa a aldeia de algumas fazendas.

Segundo o delegado regional de Dourados, Antonio Carlos Videira, o proprietário da fazenda Sardinha se apresentou ontem (19) à noite na delegacia de Caarapó e confessou a participação no crime. Em seu depoimento o fazendeiro informou que estava só na propriedade quando ouviu os latidos dos cachorros, que correram para a área do criadouro de peixes. Ao perceber o movimento, Gonçalves disse ter disparado dois tiros.

De acordo com o delegado, Gonçalves estava acompanhado de sua advogada, prestou depoimento e foi liberado em seguida. A Agência Brasil não conseguiu localizar a advogada de Gonçalves.

A delegada responsável pelo inquérito policial instaurado para apurar o caso, Magali Leite Cordeiro, esteve na manhã de hoje (20) na reserva, acompanhada por investigadores da Polícia Civil e representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e apreendeu uma arma de propriedade do fazendeiro.

Conforme o coordenador substituto do escritório da Funai em Dourados, Vander Aparecido Nishijima, informou ontem (19) à Agência Brasil, as primeiras notícias davam conta de que Denílson Barbosa saiu para pescar com o irmão mais novo, de 11 anos, e outro índio, no sábado (16) à tarde. Aparentemente, os três pretendiam ir a um córrego cuja nascente fica no interior da terra indígena e que cruza algumas fazendas próximas.

Segundo o testemunho dos dois índios que acompanhavam Barbosa, os três foram abordados por homens armados quando passavam próximo a um criadouro de peixes. Os dois índios disseram também que os três homens atiraram. Na fuga, Denilson teria ficado preso em uma cerca de arame farpado, foi alcançado pelos pistoleiros e agredido. Ontem (19), Nishijima esteve na área acompanhado por líderes indígenas e ouviu a versão do irmão de Denilson. Na língua guarani ele reforçou o que já havia dito na aldeia, logo depois do incidente, identificando três homens por apelidos.

Revoltados, parentes do adolescente e moradores da aldeia ocuparam a fazenda onde o crime teria ocorrido e enterraram o corpo de Denilson. Os índios já reivindicavam a área onde, hoje, o fazendeiro cria gado e planta soja, como sendo território tradicional indígena, parte do antigo tekoha (território sagrado) Pindoty, ocupado pelos kaiowás muito antes da expulsão de comunidades indígenas, ao longo do século 20.

De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a propriedade estava deserta quando os índios chegaram ao local. Depois de enterrarem o corpo do adolescente, cerca de 300 índios permaneceram no interior da fazenda. O grupo planeja fazer uma série de protestos para chamar a atenção para o assassinato e para os conflitos por terras entre índios e fazendeiros. O Cimi informou também que a comunidade reivindica a presença permanente da Força Nacional na área como forma de garantir a proteção das famílias indígenas.

Cerca de 5 mil índios vivem na Terra Indígena de Caarapó, que mede cerca de 3,5 mil hectares (1 hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, aproximadamente as medidas de um campo de futebol oficial). De acordo com o Cimi, desde a criação do território indígena, em 1924, os índios são obrigados a pescar fora de sua reserva, já que não há peixes nas nascentes dos córregos existentes no interior da reserva. Segundo o Cimi, isso tem provocado problemas e conflitos recorrentes.

LUTA-PELA-TERRA

Edição: Tereza Barbosa

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil. Para reproduzir as matérias é necessário apenas dar crédito à Agência Brasil.

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Em 20.10.2012

Eu sei o que me espera – Potrero Guasu – Luta Guarani

Depoimento de Elpídio Pires, liderança guarani do tekoha Potrero Guasu, ameaçado de morte por fazendeiros. Informações em:
http://lutaguarani.wordpress.com/
http://www.cimi.org.br
http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?sy…
Um filme de Felipe Milanez e Paulo Padilha
Imagens e entrevista Felipe Milanez
Edição Paulo Padilha
Agradecimentos: Aty Guasu, lideranças kaiowa e guarani, Conselho Indigenista Missionário (Cimi), antropólogo Rubem Almeida, jornalista e antropólpogo Spensy Pimentel, revista Trip
Dedicado a todos os Kaiowa e Guarani.

 

OS GUARANI KAIOWÁ OCUPARAM A FAZENDA SARDINHA E TENTARAM LINCHAR O FAZENDEIRO DEPOIS DO ASSASSINATO DO JOVEM DENILSON

guarany

 

Heitor Karai Awá-Ruvixá Gonçalves comunica:

19/02/2013 14:40
OS GUARANI KAIOWÁ OCUPARAM A FAZENDA SARDINHA E TENTARAM LINCHAR O FAZENDEIRO DEPOIS DO ASSASSINATO DO JOVEM DENILSON
Pio Redondo
Depois de terem ido pescar em terras que consideram suas, no açude dentro da fazenda Sardinha, no município de Caarapó, três meninos Guaranis Kaiowás da Aldeia Tey’ikue foram perseguidos e o mais velho deles, Denílson Barbosa, de apenas 15 anos, foi executado por 2 jagunços e o filho do arrendatário da fazenda Sardinha com três tiros à queima-roupa.
O assassinato ocorreu no último sábado (16), e o corpo do menino foi abandonado em uma estrada de terra do local. Como Denílson era filho do cacique Wilson Quevedo Barbosa, que lidera uma grande família Kaiowá, a reação foi instantânea.
Em consequência do crime, cerca de 300 índios da etnia invadiram a fazenda Sardinha, para sepultar o adolescente, no momento em que o fazendeiro Orlandino Carneiro Gonçalves retirava o gado e móveis.
Por temer linchamento, Orlandino fugiu da fazenda, que agora está em poder dos indígenas. Ontem, a Força Nacional e a Polícia Federal estiveram no local do conflito, mas se retiraram alegando falta de autonomia para agir, depois da ocupação, mesmo com a possibilidade de confrontos.
Entrevistada pela reportagem, a liderança indígena Valdelice Veron contou que os três jovens pescavam no córrego Mbope’i quando foram perseguidos por três jagunços.
Segundo ela, Denílson foi vitimado com dois tiros na cabeça e um no pescoço depois que se enroscou em uma cerca de arame farpado durante a fuga, e foi detido pelos jagunços.
Os indígenas acreditam que o menor tenha sido torturado e depois assassinado pelos seguranças da fazenda, porque, segundo eles, o seu corpo tem vários sinais de espancamento. O corpo ficou no local do crime até a chegada da Polícia Civil.
Valdelice conta que os índios costumam pescar na área porque ali está o único riacho da região da reserva José Bonifácio, onde moram. Os Guaranis Kaiowá também frequentam a área para extrair ervas usadas na fabricação de medicamentos, pois ali é a Reserva Legal da fazenda onde ainda existe um pedacinho de floresta.
“O lugar pertence ao povo indígena, que tem água no rio, açude, e sempre tiveram acesso. Cinco anos atrás eles não deixaram mais índio entrar e pescar. Seu Orlandino, não tem escritura, mas não deixava mais entrar”.
A líder guarani contou a versão de que uma parte da reserva, ainda à época do Serviço de Proteção do Índio(SPI) foi vendida por um ex-funcionário ao fazendeiro, razão da disputa até hoje.
Segundo a líder indígena, os índios se revoltaram com a fim de uma trégua firmada entre o governo federal, as lideranças Guaranis Kaiowá e a FAMASUL, a Máfia Ruralista de MS, firmada no dia 26 de novembro, na presença do secretário Nacional de Articulação Social, Paulo Maldos.
A trégua previa fim das invasões e da violência contra os índios até que a Funai concluísse os levantamentos sobre a origem da fazenda e sua possível demarcação, com indenização.
O Conselho da Aty Guasu Guarani e Kaiowá emitiu nota depois do crime
“Infelizmente, é com muito pesar, nós conselho da Aty Guasu Guarani e Kaiowá, vimos a todos (as) AUTORIDADES E CIDADÃOS DO BRASIL E DO MUNDO comunicar que ontem um grupo indígenas Guarani-Kaiowá foram atacados e violentados pelos pistoleiros das fazendas da região de Caarapó-MS. Um adolescente foi assassinado a tiro-bala pelos homens da fazenda Sardinha, localizada próxima da Reserva/Aldeia Tey’ikue/Caarapo, município de Caarapó-MS.
Hoje (18/02/2013) mais de duas centenas de Guarani-Kaiowá enterraram o corpo do menino no local em que foi assassinado. Esse lugar é terra Guarani-Kaiowá tradicional reivindicada pelos indígenas que está em estudo antropológico, há anos. Diante do fato de violência antiga contra as vidas dos indígenas Guarani-Kaiowá, hoje à tarde, mais de 200 Guarani-Kaiowá tentam reocupar o tekohá e permanecerem no lugar, fazendo protesto contra as violências contra as vidas Guarani e Kaiowá, pedindo a JUSTIÇA. Está tenso no local em que começou o protesto passivo dos Guarani e Kaiowá. Os agentes da PF e FUNAI foram no local ontem e hoje.
Por fim, mais uma vez, solicitamos a investigação do fato pela Polícia Federal e pedimos a presença permanente de seguranças federais no local. A comunidade Guarani e Kaiowá já decidiu em permanecer em protesto nesse tekoháguasu onde foi assassinado o menino Kaiowá. Entorno de tekohá reocupada em protesto já começou movimento dos pistoleiros. O risco de ataque dos pistoleiros é iminente”.
Amanhã, retornaremos a comunicar a todos (as).
TekohaGuasu Guarani e Kaiowá, 18 de fevereiro de 2013.

 

Assassinato de indígena adolescente em Caarapó

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imagem: *fairiesndreams

O Massacre da nacao Guarani Kayowá continua no Brasil!Jovem assassinado por pistoleiros perto da Reserva/Aldeia Tey’i kue/Caarapo, município de Caarapó-MS.

Recebemos a mensagem abaixo diretamente  de nosso parente na regiao:

URGENTE – adolescente Kaiowá-Guarani é brutalmente assassinado em CAARAPÓ – MS

 por
Na manhã desta segunda-feira, o adolescente Kaiowá-Guarani GIlson Barbosa, de 15 anos, foi brutalmente assassinado com três tiros na cabeça enquanto pescava na reserva de Caarapó. Outros dois adolescentes que estavam com Gilson viram tudo o que aconteceu e confirmam que foram os jagunços e o filho do fazendeiro que cometeram este ato de barbárie
Ainda não temos mais informações, assim que recebermos outras noticias repassaremos imediatamente, como por exemplo o nome do fazendeiro vizinho da reserva.

corpo do adolescente morto

foto: perícia e o corpo do jovem indígena

Nota da Aty Guasu sobre assassinato de indígena adolescente em Caarapó

Infelizmente, é com muito pesar, nós conselho da Aty Guasu guarani e Kaiowá, vimos a todos (as) AUTORIDADES E CIDADÃOS DO BRASIL E DO MUNDO comunicar que ontem um grupo indígenas Guarani-Kaiowá foram atacados e violentados pelos pistoleiros das fazendas da região de Caarapó-MS. Um adolescente foi assassinado a tiro-bala pelos homens das fazendas, localizada próxima da Reserva/Aldeia Tey’i kue/Caarapo, município de Caarapó-MS.
Hoje (18/02/2013) mais de duas centenas de Guarani-Kaiowá enterraram o corpo do menino no local em que foi assassinado. Esse lugar é terra Guarani-Kaiowá tradicional reivindicada pelos indígenas que está em estudo antropológico, há anos. Diante do fato de violência antiga contra as vidas dos indígenas Guarani-Kaiowá, hoje à tarde, mais de 200 Guarani-Kaiowá tentam reocupar o tekoha e permanecerem no lugar, fazendo protesto contra as violências contra a s vidas Guarani e Kaiowá, pedindo a JUSTIÇA. Está tenso no local em que começou o protesto passivo dos Guarani e Kaiowá. Os agentes da PF e FUNAI foram no local ontem e hoje.
Por fim, mais uma vez, solicitamos a investigação do fato pela Polícia Federal e pedimos a presença permanente de seguranças federais no local. A comunidade Guarani e Kaiowá já decidiu em permanecer em protesto nesse tekoha guasu onde foi assassinado o menino Kaiowá. Entorno de tekoha reocupada em protesto já começou movimento dos pistoleiros. O risco de ataque dos pistoleiros é iminente.
Amanhã, retornaremos a comunicar a todos (as).

Tekoha Guasu Guarani e Kaiowá, 18 de faevereiro de 2013.

(O adolescente guarani-kaiowá Denilson Barbosa, de 15 anos, morador da aldeia Tey’ikue, foi encontrado morto no último domingo, 17, no município de Caarapó, Mato Grosso do Sul, em uma estrada vicinal a sete quilômetros do perímetro urbano da cidade. Ele foi executado com três tiros, dois na cabeça e outro no pescoço. A professora guarani-kaiowá Renata Castelão, da escola indígena Ñandejara Polo, conta que o jovem foi morto por três pistoleiros a mando de um fazendeiro.)

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Jovem Guarani Kaiowá é assassinado por pistoleiros no Mato Grosso do Sul

Publicado em 19/02/2013 – 10h11 | Atualizado em 19/02/2013 – 10h20

Aldeia Tey’ikue no município de Caarapó (MS) onde vivia o jovem assassinado por pistoleiros (foto: tlc.org)

Um adolescente indígena Kaiowá, Denilson Barbosa, de 15 anos, morador da aldeia Tey’ikue, foi assassinado no último sábado (16) no município de Caarapó no Mato Grosso do Sul. O corpo do jovem foi encontrado no domingo (17) em uma estrada vicinal a sete quilômetros do perímetro urbano da cidade, com um tiro na cabeça.

Segundo relatos de testemunhas, Denilson e outros dois indígenas estavam indo pescar no sábado (16) quando foram abordados por três pistoleiros ligados ao proprietário e arrendatário de uma fazenda vizinha à terra indígena de Caarapó. Os indígenas correram dos homens armados, mas Denilson acabou apreendido pelos pistoleiros e foi assassinado.

De acordo com informações do Centro Indigenista Missionário, revoltados, familiares e moradores da aldeia enterraram o corpo de Denilson na fazenda onde ocorreu o assassinato, uma área arrendada para a criação de gado e o monocultivo de soja. A comunidade também planeja realizar uma série de protestos para denunciar a ação violenta.  Conforme o relato dos indígenas sobreviventes e as características da morte, os indícios apontam para execução. A Polícia já iniciou as investigações, mas não quis dar detalhes sobre o caso.

Segundo relatos, essa não foi a primeira vez que jagunços ligados ao fazendeiro atiraram contra os indígenas. Aproximadamente cinco mil indígenas Guarani e Kaiowá vivem confinados em 3.594 hectares da Terra Indígena de Caarapó. Desde a criação do território indígena pelo Serviço de Proteção ao Índio (SPI), em 1924, a comunidade precisa pescar fora da área reservada, onde só há nascentes de córregos, mas não há peixes. Por isso, sofrem constantemente com pressões e ataques de fazendeiros. (pulsar) – Amarc Brasil.

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Mais informações: Kaiowá de 15 anos é assassinado com tiro na cabeça

Por , 18/02/2013 19:21

Por Ruy Sposati, para o Cimi

O Kaiowá Denilson Barbosa, de 15 anos, morador da aldeia Tey’ikue, foi encontrado morto ontem , 17, no município de Caarapó (MS), em uma estrada vicinal a sete quilômetros do perímetro urbano da cidade, com um tiro na cabeça. Segundo relatos de testemunhas, Denilson e outros dois indígenas estavam indo pescar no sábado, 16, quando foram abordados por três pistoleiros ligados ao proprietário e arrendatário de uma fazenda vizinha à Reserva de Caarapó.

Os indígenas correram dos homens armados, mas Denilson acabou apreendido pelos pistoleiros e assassinado – segundo as testemunhas, além do tiro confirmado pela perícia criminal da Polícia Civil de Caarapó, o jovem Kaiowá levou mais um tiro na cabeça e outro no pescoço. Por questões de segurança, os nomes das testemunhas serão omitidos nesta reportagem.

Revoltados, familiares e moradores da aldeia enterraram o corpo de Denilson na fazenda onde ocorreu o assassinato, arrendada para a criação de gado e o monocultivo de soja. A comunidade também planeja realizar uma série de protestos para denunciar a ação violenta. Conforme o relato dos indígenas sobreviventes e as características da morte, os indícios apontam para execução.

Denilson, uma criança de 11 anos e outro indígena saíram no final de sábado para pescar no córrego Mbope’i, cuja nascente fica dentro da Reserva, e que cruza fazendas do entorno da terra indígena. Quando se aproximaram de um criadouro de peixes, foram abordados por três homens armados. Os sobreviventes identificam os três indivíduos – entre eles, um paraguaio – como ‘funcionários’ de um arrendatário da fazenda.

Os três homens atiraram contra os indígenas, que saíram em fuga do local. Dois deles conseguiram se esconder. Denilson caiu e ficou preso no arame farpado de uma cerca. Os três homens, então, o pegaram e passaram a desferir coronhadas na cabeça e no estômago do Kaiowá, mandando que ele se levantasse. Segundo os sobreviventes, quando se pôs de pé, Denilson foi alvejado com três tiros: dois na cabeça e um no pescoço.

FAZENDA EVACUADA

Os dois sobreviventes, ainda escondidos, viram, na sequência, os homens colocarem o corpo de Denilson na caçamba de uma caminhonete. Após a saída do veículo, os indígenas voltaram à aldeia para relatar o ocorrido à família. Impactado pela notícia, o pai de Denilson decidiu ir até a fazenda procurar o filho. Ao chegar ao local, conforme relatou, o pai do jovem assassinado não encontrou ninguém. A fazenda fora evacuada.

O corpo de Denilson foi encontrado por um caminhoneiro – segundo os indígenas, também funcionário de outra fazenda da região – que circulava pela vicinal, próxima à reserva, por volta das 5 da manhã de domingo, 17. Os indígenas acreditam que, após o assassinato, os pistoleiros desovaram o corpo de Denilson em uma estrada longe da fazenda, num entroncamento conhecido como “Pé de Galinha”.

Segundo a perícia criminal da Polícia Civil, Denilson foi encontrado com um tiro abaixo do ouvido. O laudo cadavérico do Instituto Médico Legal (IML), contudo, ainda não foi concluído. A Polícia já iniciou as investigações, mas não quis dar detalhes sobre o caso.

Segundo relatos, essa não foi a primeira vez que jagunços ligados ao fazendeiro atiraram contra os indígenas. Também, o problema da pesca é recorrente entre os Guarani e Kaiowá da reserva de Caarapó, onde vivem confinadas aproximadamente cinco mil pessoas em 3594 hectares de terra. Desde a criação do território indígena pelo Serviço de Proteção ao Índio (SPI), em 1924, os indígenas precisam pescar fora da área reservada, onde só há nascentes de córregos, mas não há peixes, sofrendo pressões e ataques de fazendeiros.

As reservas são áreas de confinamento criado pelo SPI durante o processo de espoliação dos Guarani e Kaiowá em decorrência da colonização do então Estado do Mato Grosso. O confinamento é apontado por especialistas como uma das principais causas dos suicídios e, consequentemente, da luta pela terra de ocupação tradicional travada pelos indígenas desde o início da segunda metade do século XX. – http://campanhaguarani.org/?p=1701

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Após assassinato de adolescente de 15 anos, povo Guarani Kaiowá iniciam retomada de terras

Cerca de 500 indígenas estão retomando a terra indígena em protesto ao assassinato

Indígena é assassinado com tiro na cabeça em Caarapó
foto: 94 fm de Dourados
O crime aconteceu no sábado 16. Três jovens Guarani Kaiowá da aldeia Tey’ikue, município de Caarapó, saíram para pescar nas margens do córrego Mbope’i. Na ocasião, três pistoleiros perseguiram os adolescentes. Dois deles conseguiram fugir. Denilson Barbosa de 15 anos, foi capturado pelos jagunços e assassinado com três tiros: dois na cabeça e um no pescoço. Suspeita-se que o mandante do crime é o fazendeiro Oladino, proprietário da fazenda Sardinha. O corpo do adolescente foi encontrado na manhã deste domingo, 17, na estrada vicinal a sete quilômetros do perímetro urbano.
Em protesto ao assassinato do jovem, mais de 500 indígenas Guarani Kaiowá estão, neste momento, retomando a terra indígena a qual a fazenda Sardinha está instalada. Somente a Polícia Civil apareceu no local do crime para fazer a perícia criminal. Segundo indígenas que estão no local da retomada, até a noite de hoje (18), a Fundação Nacional do Índio (Funai) não apareceu no local do conflito. A Procuradoria Geral da República foi acionada e garantiu o envio da Força Nacional para a região a partir de amanhã (19).
O clima é de tensão na retomada da terra indígena e muitos dos indígenas temem  novos ataques dos jagunços. Porém, a decisão dos indígenas é resistir em protesto ao assassinato do adolescente Kaiowá Guarani e em defesa das terras tradicionais.
Os indígenas Guarani Kaiowá pedem, neste momento, todo apoio e solidariedade das entidades e militantes para que possam resistir na retomada indígena, comparecendo ao local e ajudando a divulgar a situação!
Contato:  (067) 96202160
Valdelice Veron, liderança indígena Guarani Kaiowá
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Ras Adauto/PPABerlin
 
 
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