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Arquivo mensal: março 2013

Governo federal monta nova operação de guerra contra o povo Munduruku

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foto: amazoniapublica/tapajos

De acordo com o Cimi, “em plena Semana Santa, Cristo segue seu calvário e é crucificado junto com os Munduruku”; na foto, Adenilson Kirixi assassinado pela PF em novembro

27/03/2013

do Cimi

Depois de sofrer ataque da Polícia Federal em novembro de 2012, durante a Operação Eldorado, que resultou no assassinato do indígena Adenilson Kirixi e na destruição da aldeia Teles Pires, o povo Munduruku, que vive na divisa do Pará com o Mato Grosso, está prestes a sofrer mais um violento ataque policial e militar. De acordo com informações de observadores locais, cerca de 250 homens fortemente armados estão posicionados em Itaituba (PA) para a realização da agora denominada Operação Tapajós.

Após receber sinal verde da presidenta Dilma Rousseff, um contingente com agentes da PF, Força Nacional, Polícia Rodoviária Federal e Força Aérea foi deslocado para as proximidades da Terra Indígena Munduruku com o objetivo de realizar – à força – o estudo integrado de impactos ambientais para a construção do chamado Complexo Hidrelétrico do Tapajós.

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foto: blogquartopoder

Há alguns anos o povo Munduruku vem se posicionando firmemente contra qualquer empreendimento envolvendo o referido Complexo Hidrelétrico em suas terras já demarcadas ou tradicionalmente ocupadas. Os procuradores da República que denunciaram à Justiça Federal de Santarém a flagrante ilegalidade da Operação Tapajós são os mesmos que investigam os danos da Operação Eldorado; dizem temer por uma repetição do deplorável episódio. Afirmam os procuradores que o clima é de tensão.

Entre os dias 18 e 23 de fevereiro, 20 lideranças Munduruku estiveram em Brasília para cobrar reparações dos danos causados pela Operação Eldorado e, apesar da insistência do governo, se negaram a discutir a construção de usinas hidrelétricas. Na ocasião, o ministro Gilberto Carvalho afirmou que a negativa dos indígenas era ruim para o governo, mas ficaria ruim também para eles, Munduruku. No dia 12 de março, a presidenta Dilma Rousseff baixou o decreto nº 7.957 – que cria o Gabinete Permanente de Gestão Integrada para a Proteção do Meio Ambiente, regulamenta a atuação das Forças Armadas na proteção ambiental e altera o Decreto nº 5.289, de 29 de novembro de 2004.

Com esse decreto, “de caráter preventivo ou repressivo”, foi criada a Companhia de Operações Ambientais da Força Nacional de Segurança Pública, tendo como uma de suas atribuições “prestar auxílio à realização de levantamentos e laudos técnicos sobre impactos ambientais negativos”. Na prática isso significa a criação de instrumento estatal para reprimir toda e qualquer ação de comunidades tradicionais, povos indígenas e outros segmentos populacionais que se posicionem contra empreendimentos que impactem seus territórios.

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foto: cimi

Com essas medidas, o governo federal demonstra claramente que não está disposto a ouvir as populações afetadas pelos grandes projetos, a exemplo das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Substitui os instrumentos legais de escuta às comunidades – como a consulta prévia assegurada pela Convenção 169 da OIT – pela força repressora do Estado e transforma os conflitos socioambientais em casos de intervenção militar. Dessa forma, os direitos dos povos passam a ser tratados como crimes contra a ”ordem pública”, caminhando para um Estado de Exceção.

Essas ações do governo brasileiro confirmam a tese apresentada pelo sociólogo Boaventura de Sousa Santos quando afirma que atualmente vivemos em sociedades politicamente democráticas, mas socialmente fascistas, onde toda dissidência é criminalizada.

Em plena Semana Santa, Cristo segue seu calvário e é crucificado junto com os Munduruku e os demais povos indígenas no Brasil.

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CARTA DO POVO MUNDURUKU
Nós! Caciques, lideranças e guerreiros do povo Munduruku sempre lutamos e continuaremos lutando em defesa de nossas florestas, nossos rios, e de nosso território pois é de nossa mãe natureza que tiramos tudo que precisamos para sobreviver, mas o governo que devia nos proteger, vem mandando seu exército assassino para nos ameaçar e invadir nossas aldeias, ultimamente nosso povo vem sendo desrespeitado vem sendo, ameaçado por um  governo  ditador que vem ameaçando e  matando nosso povo, usando suas forças armadas como se os povos indígenas fossem terroristas ou bandidos.

Nós, povo Munduruku, repudiamos essa maneira ditadora da presidenta que governa o País. Não aceitamos que policias entrem em nossas terras sem a nossa autorização para qualquer tipo de operação. É um povo especial! Um povo que já existia muito antes deles chegarem aqui, nessa terra onde chamam de Brasil. Brasil é a nossa terra! Somos nós os verdadeiros brasileiros.

Essa semana o governo brasileiro mandou 250 policiais para garantir a força os estudos das hidrelétricas nas nossas terras.

Hoje pela manhã foi decidido na sede da FUNAI em ITAITUBA que 60 homens da Força Nacional irão para a Aldeia sawre muybu, cumprir o decreto expedido pela Presidenta da Republica do dia 12 de março, é uma Aldeia com 132 Indígenas. Estamos muitos preocupados porque há 4 meses atrás numa operação chamada Eldorado foi morto um parente e vários ficaram feridos inclusive crianças, jovens e idosos, na Aldeia Teles Pires.

O governo marcou uma reunião para dia 10 de abril para falar dessa operação. Mas uma vez esse governo está quebrando acordo com o povo Munduruku, por isso não queremos mais reunir com esse governo até que ele pare com essa ação contra a decisão do nosso povo. Pedimos a ajuda do Ministério Publico Federal, para nos ajudar a resolver esses problemas sem que haja mais mortes. Pois não ficaremos de braços cruzados vendo tamanho desrespeito com nosso povo e nosso território.

Povo Munduruku

Jacareacanga, 27 de março de 2013

Conselho Indigenista Missionário – Cimi

Todas as reportagens do Brasil de Fato podem ser reproduzidas por qualquer veículo de comunicação, desde que citada a fonte e mantida a íntegra do material.

 

ÍNDIOS GUARANI KAIOWÁ RECLAMAM DO STF NÃO JULGAR SEUS DIREITOS, BENEFICIANDO LATIFUNDIÁRIOS DE MS

Continua a Resistencia Guarani Kaiówá no Pais: “ÍNDIOS GUARANI KAIOWÁ RECLAMAM DO STF NÃO JULGAR SEUS DIREITOS, BENEFICIANDO LATIFUNDIÁRIOS DE MS”

cimi
foto divulgacao

Comissão de lideranças Guarani Kaiowá e Terena, povos do Mato Grosso do Sul, estiveram em Brasília (DF) durante esta semana para cobrar autoridades sobre os processos de demarcação e homologação de terras indígenas, além de segurança para as comunidades que permanecem em áreas tradicionais retomadas de latifundiários.

A agenda contou com reuniões na 6ª Câmara de Coordenação Revisão da Procuradoria Geral da República (PGR), Fundação Nacional do Índio (Funai) e com a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

Porém, é no Supremo Tribunal Federal (STF) que os indígenas dizem estar um dos principais gargalos da questão.

“Existem processos de terras indígenas parados lá (STF) há 15 anos. Nesse meio tempo nosso povo morre assassinado, alcoólatra e se suicidando. Fora as terras que estão homologadas pela Presidência da República e ainda a gente vê o sangue indígena correr”, afirmou Otoniel Guarani Kaiowá.

No Supremo encontram-se dez processos envolvendo a questão fundiária de terras indígenas localizadas no estado do Mato Grosso do Sul. Quase a metade é de suspensão de processos administrativos da Funai. O ministro Marco Aurélio Mello responde pela metade do total das relatorias. Há ainda suspensões de decretos presidenciais.

Gilmar Mendes deu liminar relâmpago, no recesso do STF, tirando 90% de área indígena homologada por Lula

Um dos casos mais emblemáticos é o da Terra Indígena Arroio Korá, encravada no município de Paranhos (MS), cone sul do estado. Homologada em 21 de dezembro de 2009 pelo então presidente Lula, teve liminar – pedindo a suspensão do ato – deferida pelo ministro Gilmar Mendes oito dias depois, em meio ao recesso do STF.

Desde então o processo encontra-se parado. Por determinação de Mendes, 126 famílias passaram a viver em 700 hectares – de um total de 7205 hectares homologados. No início de setembro do ano passado, cerca de 500 Guarani Kaiowá e Ñandeva começaram a retomar áreas do tekohá– lugar onde se é – Arroio Korá.

De acordo com os relatos dos indígenas, um adulto desapareceu e uma criança morreu em decorrência de um dos ataques dos pistoleiros. Numa das carta-denúncia divulgada pela comunidade e conselho Aty Guasu, os indígenas relataram que o fazendeiro Luiz Bezerra disse, na presença da polícia, que não iria parar de atacar os índios, pois derramaria muito sangue para sair das terras.

Enquanto o processo está na gaveta do STF há 15 anos, pistoleiros terrorizam índios para ocupar suas terras

Outro caso é o do tekohá Takuara, cujo processo há 15 anos está no STF. Ládio Veron afirmou que a comunidade nunca deixou de ser ameaçada pelos fazendeiros e lembrou do pai, Marcos Veron, assassinado em 2003. “A cana tem mais valor que a Constituição? Precisamos das nossas terras para parar o sofrimento”, declarou Veron.

Entre os Terena, o processo da Terra Indígena Cachoeirinha, com processo administrativo – realizado em 1982 – suspenso, a situação é de confinamento. Em 2011, um ônibus escolar tomado por crianças indígenas foi atacado com bombas incendiárias por capangas de fazendeiros. Uma indígena morreu em decorrência das queimaduras, deixando quatro filhos.

Associação, Cimi e Funai pedem a Joaquim Barbosa celeridade no julgamento

A Associação de Juízes para a Democracia (AJD) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), por intermédio da campanha Eu Apoio a Causa Indígena!, solicitaram ao presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, celeridade no julgamento destes e dos demais processos.

Na última terça-feira, 12, a presidenta da Funai, Marta Azevedo, se reuniu com Barbosa para fazer o mesmo pedido. Alçada ao cargo no ano passado, Marta herdou, além destes processos, um termo de Ajustamento de Conduta (TAC), de 2007, assinado entre a Funai e o MPF, que determinava a demarcação das terras no MS. Em dezembro de 2012, o TAC perdeu a validade sem ser cumprido.

Apuração dos assassinatos

Em 16 de fevereiro de 2013, Denílson Barbosa Guarani Kaiowá (http://www.ihu.unisinos.br/noticias/518132-cimi-divulga-nota-sobre-o-assassinato-do-guarani-kaiowa-denilson-barbosa-e-as-investigacoes), de 15 anos, foi assassinado enquanto ia pescar com mais dois outros indígenas. O crime ocorreu em Caarapó (MS) e o fazendeiro Orlandino Gonçalves Carneiro entregou-se para a Polícia Civil como o autor do disparo que matou o jovem.

Entretanto, de acordo com o relato das duas testemunhas, Denílson foi seguro por três homens, que depois de vários xingamentos o executaram. O corpo foi levado para longe da fazenda Santa Helena, latifúndio onde ocorreu o assassinato e que incide sobre o tekohá Pindo Roky. Cerca de 500 indígenas retomaram a área.

Durante encontro com a subprocuradora-geral da República Gilda Pereira de Carvalho, as lideranças indígenas solicitaram o deslocamento de competência da investigação da morte de Denílson e de outros assassinatos ainda sem resolução. “Algumas mortes ocorrem na retomada, por isso queremos também segurança”, disse Oriel Benites.

Integrante do Conselho Intercontinental do Povo Guarani – Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia, Oriel destacou que o povo Guarani e Kaiowá continuará realizando retomadas para garantir os territórios tradicionais. A subprocuradora Gilda garantiu que irá oficiar os órgãos competentes para que respeitem a Constituição e demarquem as terras. (Com informações do CIMI)

 

Brasil na Feira do Livro de Frankfurt 2013.

Feira Frankfurt 2013

O Brasil será o país homenageado na Feira do Livro de Frankfurt em 2013! A Feira acontece entre os dias 9 e 13 de outubro de 2013.

A iniciativa faz parte do ano Brasil-Alemanha que comecou esse ano 2013 e vai até o ano que vem. Muitas atracoes e eventos acontecerao tanto no Brasil quanto na Alemanha em razao dos intercambios oficiais.

“Brazil in Every Word” será o mote da participação brasileira na Feira do Livro de 2013 como convidado de honra: “Um país cheio de vozes e de permanente recriação cultural.”

A comitiva brasileira em Frankfurt será constituída por pelo menos 70 escritores de diferentes gêneros e regiões brasileiras nas áreas de ficção e não-ficção, incluindo autores de literatura infantil e juvenil e de livros técnicos, científicos e profissionais. A programação brasileira na Alemanha terá início em março, com a presença de escritores brasileiros no festival de literatura Leipzig Buchmesse e depois segue até outubro, quando acontece a feira.

O grupo de curadores literários é composto pelo crítico Manuel da Costa Pinto, pela professora de literatura Maria Antonieta Cunha, diretora de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas da Fundação Biblioteca Nacional, e Antônio Martinelli, do Sesc-SP. Além do Ministério de Relações Exteriores e de instituições pertencentes ao Ministério da Cultura, como a Fundação Biblioteca Nacional e a Funarte, integram o comitê organizador entidades do livro, leitura e literatura, além de instituições da sociedade civil brasileira.

Resta saber se a literatura indígena e a literatura afro-brasileira estarao presentes no evento, marcando essa tal diversidade  da sua cultura, como estao alegando no projeto. É ver pra quer e/ou é ver pra ler. E se levarao também autores/autoras indígenas e afro-brasileir@s para os debates e apresentacoes, pois sempre os tais representantes e escritores/as brasileir@s quando vem nesses eventos por aqui sao sempre brancos/as. Temos que mudar esse disco, para falarmos realmente da nossa “diversidade da cultura”.

Ras Adauto
diretamente de Berlin
PPABerlin
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“Brasil quer levar a Frankfurt a diversidade da sua cultura

“Brazil in Every Word” será o mote da participação brasileira na Feira do Livro de 2013 como convidado de honra: “Um país cheio de vozes e de permanente recriação cultural.”

FRANKFURT AM MAIN. Mostrar ao mundo do livro a diversidade, a exuberância e a riqueza da produção cultural brasileira, e como isso se materializa numa literatura de qualidade, local e universal, que quer se fazer cada vez mais presente e acessível aos leitores de todo o planeta. Esse é o grande desafio a que se propõe o Brasil às vésperas de assumir, pela segunda vez (a primeira foi em 1994), o bastão de país homenageado em 2013 pela tradicional Feira do Livro de Frankfurt.

O Ministério da Cultura do Brasil – que anunciou investimentos de US$ 35 milhões até 2020 em suas políticas de internacionalização do livro brasileiro para garantir a continuidade das ações depois de 2013 – vai destinar US$ 10 milhões para a organização da programação brasileira na homenagem do próximo ano. “O Brasil quer mostrar a riqueza da sua produção cultural para o mundo”, afirma a ministra da Cultura, Marta Suplicy.

A comitiva brasileira em Frankfurt no próximo ano será constituída por pelo menos 70 escritores de diferentes gêneros e regiões brasileiras nas áreas de ficção e não-ficção, incluindo autores de literatura infantil e juvenil e de livros técnicos, científicos e profissionais. A programação brasileira na Alemanha terá início em março, com a presença de escritores brasileiros no festival de literatura Leipzig Buchmesse e depois segue até outubro, quando acontece a feira.

O comitê formado por dirigentes do governo federal e entidades da área dividiu a participação do Brasil em três eixos principais: a produção literária nacional, a cultura brasileira em suas várias linguagens e a dimensão econômica do negócio do livro.

“Este é um momento especial para o Brasil, que desperta a atenção do mundo porque conquistou a estabilidade democrática e econômica e está enfrentando e vencendo seus grandes desafios sociais”, afirma o presidente do Comitê Organizador, Galeno Amorim.

“E nada melhor do que a cultura e a literatura para mostrar o Brasil e os brasileiros ao mundo”, acrescenta ele, que também dirige a Fundação Biblioteca Nacional do Brasil.

Além dos festivais literários de toda a Alemanha que contarão com autores brasileiros, a presença do país vai se materializar na cidade de Frankfurt em três frentes. Uma delas será o Pavilhão Brasil, um espaço de 2.500 metros quadrados dentro da Feira do Livro de Frankfurt, onde vão acontecer importantes exposições – uma das quais sobre os livros brasileiros publicados no exterior – e onde será montado um auditório. No local, também será criado um espaço gastronômico. A cenografia será realizada por Daniela Thomas e Fábio Tassara.

Outro espaço considerado estratégico será o estande coletivo das editoras brasileiras no Centro de Convenções de Frankfurt, que deve ser duas vezes maior que o de 2012, que já cresceu este ano para 330 metros quadrados. A terceira frente de participação se dará nos diferentes espaços culturais na cidade. Já são 13 confirmados, entre eles os principais museus, centros culturais e importantes instituições alemãs, como a Biblioteca Nacional de Frankfurt. Nesses locais, serão realizadas exposições, festivais de cinema e teatro, literatura, música e arte popular, além de leituras. Toda a programação está sendo organizada pela Fundação Nacional de Artes (Funarte).

Ampliar a presença dos livros e dos autores brasileiros no exterior é também uma importante meta. A Fundação Biblioteca Nacional estima o apoio à tradução de 200 a 250 obras no período compreendido entre o anúncio da escolha do Brasil como país homenageado, em 2010, e outubro de 2013.

O grupo de curadores literários é composto pelo crítico Manuel da Costa Pinto, pela professora de literatura Maria Antonieta Cunha, diretora de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas da Fundação Biblioteca Nacional, e Antônio Martinelli, do Sesc-SP. Além do Ministério de Relações Exteriores e de instituições pertencentes ao Ministério da Cultura, como a Fundação Biblioteca Nacional e a Funarte, integram o comitê organizador entidades do livro, leitura e literatura, além de instituições da sociedade civil brasileira.
O país dá uma amostra de 2013 com inúmeros eventos na Feira do Livro de Frankfurt 2012 e na cidade, com a presença de 11 autores.”

Exposições e programação paralela em importantes espaços culturais

Além do Pavilhão Brasil e de uma intensa agenda literária, pelo menos 13 espaços vão abrigar mostras, música, cinema, teatro e cultura popular

Concerto de abertura será na Alte Oper [Antigo Teatro de Ópera]

Biblioteca Nacional Alemã em Frankfurt (Deutsche Nationalbibliothek Frankfurt) vai exibir exposição sobre o exílio alemães no Brasil durante a Segunda Guerra

O calendário cultural paralelo, organizado pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), começará bem antes do início da Feira do Livro, que acontece em outubro. Já a partir de março escritores brasileiros vão participar das principais feiras de livros e leituras públicas em diversas regiões da Alemanha. A noite de gala, na abertura da Feira do Livro de Frankfurt em 2013, em 8 de outubro, contará com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) e o renomado pianista Nelson Freire.

Além do Pavilhão do Brasil na Feira, também organizado pela Funarte, um dos destaques será a exposição no Deutsche Nationalbibliothek Frankfurt [Biblioteca Nacional Alemã em Frankfurt], sobre o exílio dos alemães no Brasil por causa da Segunda Guerra, o intercâmbio cultural e a influência que intelectuais dos dois países tiveram uns sobre os outros nesse período. A mostra depois será exibida na Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro.

Presença nos museus

Cinco museus de Frankfurt organizarão exposições de arte brasileira, de obras de designers brasileiros e de arquitetura brasileira. A Schirn Kunsthalle [Galeria de Arte Schirn] exibirá a diversidade da arte grafiteira do Brasil. A exposição mostra pela primeira vez na Alemanha obras de grafiteiros brasileiros (Outono/2013). Instalações artísticas do Brasil também estarão expostas na galeria (Outubro/2013 a Janeiro/2014).

O MMK Museum für Moderne Kunst [Museu de Arte Moderna de Frankfurt] dedica uma mostra a Hélio Oiticica, um dos mais importantes representantes brasileiros do neoconstrutivismo. Outras obras de Oiticica estarão à mostra no Palmengarten [Jardim das Palmeiras] (Outubro/2013).

A arte do design no Brasil será o foco do Museum für Angewandte Kunst (MAK) [Museu de Artes Aplicadas]. O museu terá uma exposição individual de Alexandre Wollner, um dos pioneiros do design visual. O museu oferece ainda uma série de conferências de designers brasileiros e workshops variados (Setembro/2013 a janeiro/2014). Na galeria Portikus planeja-se a intervenção de um jovem artista brasileiro.

O Deutsche Architekturmuseum (DAM) [Museu de Arquitetura Alemã] apresentará, em parceria com o Instituto Tomie Ohtake e com Fernando Serapião, editor da revista brasileira de arquitetura Monolito, uma exposição sobre novos e promissores arquitetos brasileiros (setembro/2013 a janeiro/2014).

Brasilianische Stationen [Estações brasileiras]
Sob o título Brasilianische Stationen [Estações brasileiras] será realizada uma série de eventos culturais em diferentes instituições de Frankfurt. Eles terão início com a Museumfest [Festa dos museus] em agosto. Haverá um festival de música, entre outros eventos.

Nas semanas seguintes, serão realizadas sessões de leitura, peças de teatro, apresentações de dança, exibições de filmes, performances e eventos direcionados para o público infantil. Entre as estações da viagem brasileira por Frankfurt incluem-se a Alte Oper, a Brotfabrik, o Bockenheimer Depot, o Deutsches Filmmuseum, o Hessischer Rundfunk, a Künstlerhaus Mousonturm e a Schauspiel Frankfurt. O programa está sendo organizado em parceria com as equipes brasileiras em Frankfurt e no Brasil, e com os diretores e coordenadores das instituições alemãs.

Os Espacos

1: Alte Oper [Antigo Teatro de Ópera]
Noite de Gala: OSESP e Nelson Freire, Mostra de Música Popular Brasileira
A Ópera de Frankfurt foi inaugurada em 1880, sendo quase totalmente destruida na segunda guerra mundial e reinaugurada em 1981. O complexo contém duas salas de espetáculo a Sala Grande (2.000 lugares aproximadamente) e a Sala Mozart (600 lugares) . Serão realizadas: a cerimônia da noite de gala, em 8 de outubro de 2013, um concerto com a OSESP e Nelson Freire; bem como dois outros shows que comporão a Mostra Música Popular Brasileira.

2: Museumsuferfest (Festa dos Museus)

Shows de Música em parceria com a hr, rádio e TV estatal
Acontecimento cultural que envolve todos os museus e rádios da cidade – ocorre todos os anos em agosto – nas margens do Rio Meno. Desde o ano passado, o país convidado de honra da Feira do Livro utiliza esse grande evento popular para o “lançamento” e um aquecimento inicial para Feira do Livro. Realizaremos shows de música em parceria com a hr, rádio e TV estatal, bem como performances e projeções de artemídia.

3: MMK Museum für Moderne Kunst [Museu de Arte Moderna de Frankfurt]

Exposição: Hélio Oiticica – Museu é Mundo
O Museu de Arte Moderna foi construído pelo arquiteto austríaco Hollein, prêmio Prizker de arquitetura. A Diretora do Museu, Sr. Gaensheimer, reconhecida internacionalmente, foi a curadora do Pavilhão da Alemanha na Bienal de Veneza em 2011, premiada na ocasião com o Leão de Ouro. Será novamente a Diretora do Pavilhão da Alemanha na Bienal de Veneza em 2013. A exposição terá obras internas e três grandes obras externas – que serão apresentadas no Palmengarten.

4: Künstlerhaus Mousonturm
Atividades: Performaces + Artes Visuais + Dança Contemporânea + VídeoArte + Música Experimetal + Teatro Contemporâneo
De todos os Centros Culturais, este é o que desenvolve uma programação mais experimental e conceitual, focado exclusivamente em mostrar trabalhos atuais de artistas independentes e coletivos das áreas de teatro, dança e performance, bem como as posições selecionadas as artes visuais e música. Teremos 15 dias da agenda desse conceituado e badalado centro cultural na Alemanha, com trabalhos de performance, dança contemporânea, teatro e música alternativa e experimental.

5: Bockenheimer Depot

Atividades: Dança, música, teatro e performances
Antigo armazém de bondinhos que foi totalmente reestruturado. Tem uma arquitetura bela e marcante. Espaço cultural propício tanto para eventos e espetáculos em pé ou com arquibancadas, que podem ser dispostas da forma solicitada. Lugar ideal para dança, música, teatro e performances. A programação vai começar no sábado da Feira de Livro de Frankfurt e terminar uma semana depois de encerrada a Feira.

6: Deutsches Filmmuseum

Mostra de Cinema Brasileiro: Filmes históriocos e contemporãneos
O Museu do Cinema também é sede do Arquivo Nacional de Filmes e tem como diretora a Sra. Dillmann. A casa foi totalmente renovada e reaberto há pouco tempo. Pretendem fazer um Festival de Filmes Brasileiros, acompanhado de palestras e debates. O cinema tem 131 lugares.

7: Hessischer Rundfunk
Mostra de Música Brasileira
Estatal de comunição do estado de Hessen, forte no rádio, mas que também conta com um canal de televisão pequeno. Dentro da hr tem a hr2 especializada em Worldmusic, que seria o parceiro do Brasil num caso de cooperação. Dois shows na quinta e sexta-feiras seguintes ao final de semana da Festa dos Museus (Museumsuferfest), sendo o primeiro um trabalho em parceria com a Big Band da instituição e o dia seguinte livre de escolha. Realizaremos também um trabalho conjunto no palco desta rádio durante a Festa dos Museus (Museumsuferfest).

8: Palmengarten

Exposição: Hélio Oiticica – Museu é Mundo
Mostra de Música Brasileira
Mostra de Programação para Crianças (Música, Dança, Teatro de Animação e Narração de Histórias)
Jardim das Palmeiras criado em 1868 com belíssimas áreas de lazer, com grande flutuação de público em todas as faixas etárias. Além dos pavilhões de plantas, conta com uma concha acústica onde realizam shows e concertos, além de um anfiteatro e um teatro de 199 lugares, o Papageno Theater. Nesse parque, apresentaremos os trabalhos externos do Hélio Oiticica, bem como parte dos shows de uma Mostra de Música Brasileira e uma Mostra de Programação para Crianças.

9: Schirn Kunsthalle [Galeria de Arte Schirn]

Exposição: A experiência brasileira – dos anos 60 até os dias de hoje
Exposição: Graffiti Brasileiro
Uma das instituições dirigidas por Max Hollein, diretor de três grandes instituições em Frankfurt: Museu Städel, Schirn Kunsthalle e Liebig Haus. O Schirn Kunsthalle é sem dúvida um dos museus de maior importância na Alemanha. Neste, realizaremos duas grandes exposiçães: A experiência brasileira – dos anos 60 até os dias de hoje e Graffiti Brasileiro, esta, acontecerá tanto nas dependências do Museus, como em muros e prédios de toda a cidade de Frankfurt.

10: Museum für Angewandte Kunst (MAK) [Museu de Artes Aplicadas].

Exposição: Alexandre Wollner
Museu de Artes Aplicadas (MAK), tem como diretor desde de o início de 2012 Matthias Wagner K, que foi responsável pela programação cultural da Islândia na Feira do Livro de 2011. A linha curatorial se concentra principalmente em design. O curador geral desse instituição, Sr. Klaus Klemp, é grande conhecedor de design brasileiro e pretende apresentar um exposição sobre Alexandre Wollner na época da Feira.

11: Portikus e Escola de Belas Artes Städel

Site-specific com um jovem artista das artes visuais brasileiras
O Portikus é um museu, espaço/galeria de exposições de arte contemporânea, tanto de artistas renomados, como de jovem descobertas internacionais. É ligado à Städelschule (Escola Städel de Belas Artes), que vem formando nos últimos anos grandes artistas e arquitetos internacionamente reconhecidos. Ambos são dirigidos pelo Nikolaus Hirsch.

12: Deutsches Architekturmuseum (DAM) [Museu de Arquitetura Alemã]

O Museu de Arquitetura Alemã (DAM) irá apresentar uma exposição sobre novos promissores arquitetos brasileiros, num projeto em parceria com a Fundação Tomie Ohtake e o editor chefe da revista Monolito, Fernando Serapião. O projeto consiste em selecionar 8 escritórios emergentes, que irão mostrar em Frankfurt no DAM dois dos seus projetos – de setembro de 2013 a janeiro de 2014-. Além disso, terá uma tiragem especial da revista Monólito em inglês e português sobre o projeto e os escritórios
escolhidos.

13: Biblioteca Nacional Alemã

A Biblioteca Nacional Alemã é o órgão bicentenário responsável pelo depósito legal e, portanto, armazena todas as publicações impressas e também digitais com edição na Alemanha. Tendo sido fundada em Leipzig em 1812, recebeu uma nova sede em Frankfurt em 1947 para a Alemanha Ocidental. Hoje, depoisn da unificação, a Biblioteca tem duas sedes nestas cidades.-

Informaca completAa em: http://www.brazil13frankfurtbookfair.com/po/brasil-em-frankfurt.html
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Para fortalecer a luta contra Belo Monte, caciques kayapo recusam 4,5 milhões da Eletrobras

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A Resistencia Kaiapó contra Belo Monte! 


Publicado em 06 de março de 2013

Lideranças de 26 comunidades mebengôkre/kayapó das terras indígenas Kayapó, Badjonkôre, Menkragnoti e Las Casas, no Pará, se reuniram nos dias 4 e 5 de março na cidade de Tucumã para discutir sobre as ofertas de recursos da Eletrobrás para o povo kayapó.

A luta do povo kayapó contra Belo Monte representa historicamente um dos maiores obstáculos à construção da usina. Entretanto, por estarem suas terras a 500 km a montante da usina, os kayapo não foram incluídos no Plano Basico Ambiental para mitigação de impactos da obra.

Se concluída, Belo Monte, que já é a obra mais cara do país (estimada em r$ 31 bilhões), precisará de novos barramentos à montante para justificar tamanho investimento, garantindo água a suas turbinas durante a estação seca. Entretanto, sempre que questionados pelos kayapó sobre os planos do governo de barramentos planejados para o Xingu, representantes do setor elétrico se ampararam na frágil resolução de no 05 do Conselho Nacional de Política Energética de 03 de setembro de 2009, que determina que o potencial hidroenergético a ser explorado no rio Xingu será somente aquele situado entre a sede urbana do município de Altamira e a sua foz. Mas sabemos que basta uma nova reunião deste conselho para que esta resolução seja alterada.

A oferta de milhões de reais aos kayapó, uma clara tentativa de semear a desunião e enfraquecer a luta deste povo contra Belo Monte era a preparação do terreno para as próximas barragens planejadas para o Xingu. Dizendo tratar-se de linhas de projetos de seu setor de responsabiloidade social, sem qualquer relação com a obra em construção, a empresa conseguiu, num primeiro momento, convencer os grupos kayapó do estado do Pará a aceitarem a oferta, algo em torno de 18 milhões para serem gastos em projetos durante 4 anos.

As aldeias kayapó do Mato Grosso (Ti Kapoto Jarina), sob a liderança de Raoni Metuktire e Megaron Txucarramãe, sempre negaram enfaticamente este apoio, o que gerou conflitos com os grupos kayapó do Pará, que a princípio aceitaram os recursos oferecidos. Entretanto, ontem, dia 5 de março, caciques de 26 aldeias do Pará, predominatemente da margem leste do rio do Xingu, representadas pela ‘Associação Floresta Protegida’ (Afp), resolveram que também não vão aceitar mais nenhum recurso da eletrobras. A breve carta à eletrobrás diz o seguinte:

“Senhores da Eletrobrás,

A palavra de vocês não vale nada. Acabou a conversa. Nós mebengôkre/kayapó não queremos nem mais um real do dinheiro sujo de vocês. Não aceitamos Belo Monte e nenhuma barragem no Xingu. Nosso rio não tem preço, os peixes que comemos não tem preço, a alegria dos nossos netos não tem preço. Não vamos parar de lutar, em Altamira, em Brasília, no Supremo Tribunal Federal. O Xingu é nossa casa e vocês não são bem vindos.”
Para esta decisão pesaram seguidos descumprimentos dos acordos estabelecidos pela eletrobrás com os kayapó e, principalmente, a evidente relação do apoio oferecido com as intenções do governo de aproveitar o potencial hidroelétrico do rio Xingu.
Para os kayapó a palavra vale muito. A breve parceria entre a Eletrobrás e AFP teve fim nos projetos ditos “emergencias” executados em 2012, no valor de r$ 1,5 milhão. os projetos de médio-longo prazo, no valor de 4,5 milhões ao longo de 3 anos, foram recusados por todas as aldeias representadas pela AFP, em um dia histórico de reuniões que culminaram em discursos efusivos e emocionados dos caciques, exaltando o valor da cultura e do território kayapó. Todos os caciques, sem exceção, quiseram falar: “nós não queremos esse dinheiro, não precisamos dele”. Os caciques perceberam que a Eletrobrás e o governo não têm palavra, e não se conversa nem se estabelece acordos com quem não tem palavra. Recusando a parceria com a Eletrobrás os kayapó se fortalecem na luta pela vida do rio Xingu.

Xingu Vivo

Um Histórico; “Índios caiapós reivindicam demarcação na área indígena no Xingu”

 
 
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