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Arquivo mensal: setembro 2013

Movimentos populares mobilizam ‘semana contra a democracia dos massacres’

da Redação

Contra os massacres dentro das prisões, contra o genocídio da juventude negra e periférica e dos povos indígenas. A ‘Semana contra a democracia dos massacres’ terá início nesta quarta-feira (2), data que marca os 21 anos do massacre do Carandiru, então considerado maior presídio da América Latina. Durante essa semana, vários movimentos populares de todo o Brasil se somarão à mobilização nacional indígena, que começa hoje (30) e vai até o dia 5 de outubro.

Para dar o pontapé inicial, na manhã desta quarta-feira (2), será realizada uma coletiva de imprensa no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo com familiares do carioca Amarildo, desaparecido há dois meses e meio, e do santista Ricardo, assassinado no final de julho em frente à Unifesp. Nos dois casos, há um forte indício de policiais estarem envolvidos, já que Amarildo foi visto pela última vez em uma viatura da UPP, e Ricardo ter sido assassinado dois dias após ser agredido por policiais militares.

Ainda participarão da coletiva integrantes dos movimentos Passe Livre, Mães de Maio, Periferia Ativa, Favela do Moinho Vivo e representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). O fotógrafo Sérgio Silva, que ficou cego do olho esquerdo após ter sido atingido por uma bala de borracha disparada pela Polícia Militar, também estará presente na reunião.

Outro ponto que será discutido é a data dos 25 anos da Constituição Federal que, segundo os movimentos, marca a ‘implementação de um Estado penal-militar com a política da democracia dos massacres’. “A ideia é não só relembrar a maior chacina de presos da história do país, mas também expressar a história de outras vítimas da violência estatal em pleno regime democrático sob a ‘Constituição Cidadã’, e refletir sobre a desmilitarização da polícia”, diz a nota dos movimentos.

Outras ações

Ainda no dia 2 de outubro, às 17h, em repúdio à homenagem à Rota aprovada pela Câmara Municipal de São Paulo, o Comitê contra o Genocídio da Juventude Preta, Pobre e Periférica convoca um ato em frente ao Teatro Municipal da capital. Já no Masp, simultaneamente, indígenas e quilombolas se mobilizarão contra o genocídio de seus povos, exigindo a imediata demarcação das terras que lhes pertencem.

No sábado (5), haverá ainda uma atividade “Contra o Estado Penal-militar” no Parque da Juventude, antigo Carandiru. Com início às 13h30, o ato visa repensar os efeitos do Estado penal e os impactos da militarização das polícias.

 

BRASIL DE FATO

Foto: Reprodução
Todas as reportagens do Brasil de Fato podem ser reproduzidas por qualquer veículo de comunicação, desde que citada a fonte e mantida a íntegra do material.

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MOBILIZAÇÃO NACIONAL INDÍGENA.

Na próxima terça-feira acontece um grande ato público que reunirá indígenas, quilombolas, camponeses e ativistas, às 16h, em frente ao Congresso Nacional, em Brasília (DF). Só de representantes de comunidades indígenas de todo País, pelo menos 1,2 mil participarão da manifestação, que faz parte da Mobilização Nacional Indígena, confirmada para esta semana, entre os dias 30/09 e 05/10. Além do ato em frente ao Congresso, estão previstas audiências públicas na Câmara e no Senado, reuniões e visitas com autoridades do Executivo e Judiciário.
Acontecerão atos em pelo menos outras três capitais (São Paulo, Belém e Rio Branco) e em algumas cidades do interior. Estão previstos protestos em frente às embaixadas brasileiras de Londres e Berlim.

A mobilização foi convocada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) em defesa à Constituição, os direitos de povos indígenas e tradicionais e o meio ambiente. No dia 05/10, a Carta Magna completa 25 anos.

As manifestações são apoiadas por organizações indígenas e indigenistas, como o Instituto Socioambiental (ISA), o Conselho Missionário (Cimi) e o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), mas também por outros movimentos sociais e organizações da sociedade civil, como Greenpeace, Coordenação Nacional de Comunidades Quilombolas (Conaq) e Movimento Passe Livre (MPL).

O objetivo é protestar contra o ataque generalizado aos direitos territoriais dessas populações que parte do governo, da bancada ruralista no Congresso e do lobby de grandes empresas de mineração e energia.

A Mídia NINJA estará presente acompanhando, transmitindo e registrando este importante momento de articulação dos povos originários pressionando os poderes estabelecidos e cobrando o que é seu por direito: suas terras e seus costumes.

 

indios

#direitosindigenas

post: ninja

 

 

Uma Comissao da Verdade para os Crimes do Estado e da Sociedade Brasileira contra a Juventude Negra.

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imagem: latuff

Existe sim um Holocasto no Brasil que nao pára. As mortandades de jovens negros em várias regioes do país sao o retrato fiel e escarrado dessa epidemia sinistra que arrasta para a vala comum parte do nosso futuro e das nossas esperancas. E o mais sinistro ainda, parte da sociedade brasileiro, inclusive ditos esquerdas, silenciam, se omitem ou simplesmente ignoram a sinfonia fúnebre que rege esse Holocasto Preto.

Hoje se fala e se tem uma “Comissao da Verdade” para levantar os crimes militares e policiais durante a Ditadura Militar no Brasil. É importante e necessário esse instrumento de passsar a limpo os anos de chumbo que durante 3 décadas pontuou o Brasil de medo, violencia, assassinatos e desaparecimentos dos ditos “subversivos, os opositores e resistencias a sanha militar e fascista que varreu o país na época.

Eu era um adolescente nos subúrbios do Rio e cotidianamente meu pai voltava do trabalho e trazia os jornais populares que lia. E lá na capa, todo o santo dia, fotos e mais fotos de corpos de jovens negros assassinados, mutilados e mesmo cortados me pedacos. Ás vezes 3, 4, 5 corpos de jovens amontoados um cima do outro. E sempre com uma cartaz que dizia (muitas das vezes com ironia cruel): “Mao Branca esteve aqui”. Esse Mao Branca estava espalhado nas periferias e comunidades faveladas do Rio, nos subúrbios e nos bairros pobres da Baixada Fluminense. Esses “maos brancas” eram políciais (civis, militares e a polícia política) , militares (exército, marinha e aeronáutica), milícias paramilitares, que formavam o que ficou conhecido como o “Esquadrao da Morte”. Muitos financiados por comerciantes e políticos locais dos bairros e localidades.

mao branca

mao branca

Existia um programa policial na Rádio Tupi, todo dia na hora do almoco, muito famoso, com uma audiencia absurda como a Globo hoje em dia, “A Patrulha da Cidade”. E que cifrava e decodificava os códicos para os Esquadroes da Morte. E as notícias, sempre teatralizadas, zombeteiras e grotescas, alimentavam a mortandade desses jovens negros, mesticos e pobres e ainda criminalizavam com seu racismo exarcebado as suas famílias, como hoje se criminaliza as famílias nas comunidades faveladas do Rio de Janeiro.

Na rua onde que eu morava, sempre escutávamos falar de um tal “carro preto” que rondava as noites de Padre Miguel e Realengo e podia arrastar um de nós para alguma vala no Mendanha, Gericinó ou algum buraco ou lixeira ao longo da Avenida Brasil. E sempre que eu saia à noite para ir aos nossos bailes jovem-guarda nas noites de sábado, minha mae me falava para tomar cuidado com o “Carro Preto”.

le coq

a famosa “scuderie detetive lecocq”, o esquadrao da morte oficial durante a ditadura militar.

Lembro-me também, um pouco mais tarde, já nas fileiras do Movimento Negro que se reunia na sede do IPCN (Instituto das Pesquisas das Cultzuras Negras), quando ali se fundou o SOS Racismo, puxado por Marcos Romao e outr@s camaradas, comecou-se a levantar essa questao diretamente nos encontros políticos de resistencia civil que estavam emergindo contra a Ditadura Militar. E esbarrávamos sempre na postura intolerante e incompreensível de grande parcela da esquerda no Rio nesses nesses encontros. Quantas vezes nao aconteceram debates acalorados com essa esquerda, sempre com aquele velho papo que estávamos dividindo a tal Luta de Classe, a Luta Operária e nao sei mais o que. E quando saíamos na rua e passávamos pelas bancas dos jornais lá estávam expostos os mesmos e eternos corpos de jovens pretos, mesticos ou pobres: sempre com aquela justificativa de criminais perigosos que estavam perturbando a ordem da capital. O lixo da sociedade.

Hoje, pelo que estou notando com as campanhas que estao rolando pelo país contra o genocídio da juventude negra, noto que estamos ainda nesse patamar de indiferencas, omissoes e ausencia da parte de uma classe média branca politizada e mesmo de grandes contingentes das esquerdas partidárias. Com diz o Joao Jorge do Olodum: Há mais de trinta anos batemos na mesma tecla.

A “Comissao da Verdade” do governo Dilma está aí! Mas ela só será completa se levantar também os crimes contra a juventude negra e suas famílias pelos aparelhos repressores policiais militares da Ditadura e que se extende até o presente momento de agitacao e manifestacoes no país, com a sua sinistra máquina azeitada e racista.

Steve Biko, o grande ativista anti-apartheid, assassinado pelo aparelho policial militar da África do Sul, tinha uma frase que gostava de dizer: “Estamos por nossa própria conta”.

Nós nao queremos mais ficar por nossa própria conta nesse Holocausto da Juventude Negra, Mestica e Pobre do Brasil. Com esse pesado Requiem numa Nacao que nao assume diretamente as suas identidades e seus crimes contra a sua própria juventude e futuro.

Amarildo faz parte desse Holocausto em pleno Rio de Janeiro juntamente com os quase 20 jovens negros assassinados na Bahia cotidianamente, na Paraíba, em Sao Paulo. A indeferencia e a omissao, de quem quer que seja no Brasil nesse momento de grandes reivindicaoes políticas e civil-sociais, sao atos de conivencia e particpacao direta nesse Holocausto.

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imagem: latuff
Ras Adauto.

Racionais MC’s – 05.Racistas Otários

Racistas otários nos deixem em paz
Pois as famílias pobres não aguentam mais
Pois todos sabem e elas temem
A indiferença por gente carente que se tem
E eles vêem
Por toda autoridade o preconceito eterno
E de repente o nosso espaço se transforma
Num verdadeiro inferno e reclamar direitos
De que forma
Se somos meros cidadãos
E eles o sistema
E a nossa desinformação é o maior problema
Mas mesmo assim enfim
Queremos ser iguais
Racistas otários nos deixem em paz

Racistas otários nos deixem em paz

Justiça
Em nome disse eles são pagos
Mas a noção que se tem
É limitada e eu sei
Que a lei
É implacável com os oprimidos
Tornam bandidos os que eram pessoas de bem
Pois já é tão claro que é mais fácil dizer
Que eles são os certos e o culpado é você
Se existe ou não a culpa
Ninguém se preocupa
Pois em todo caso haverá sempre uma desculpa
O abuso é demais
Pra eles tanto faz
Não passará de simples fotos nos jornais
Pois gente negra e carente
Não muito influente
E pouco frequente nas colunas sociais
Então eu digo meu rapaz
Esteja constante ou abrirão o seu bolso
E jogarão um flagrante num presídio qualquer
Será um irmão a mais
Racistas otários nos deixem em paz

Racistas otários nos deixem em paz

Então a velha história outra vez se repete
Por um sistema falido
Como marionetes nós somos movidos
E há muito tempo tem sido assim
Nos empurram à incerteza e ao crime enfim
Porque aí certamente estão se preparando
Com carros e armas nos esperando
E os poderosos me seguram observando
O rotineiro Holocausto urbano
O sistema é racista cruel
Levam cada vez mais
Irmãos aos bancos dos réus
Os sociólogos preferem ser imparciais
E dizem ser financeiro o nosso dilema
Mas se analizarmos bem mais você descobre
Que negro e branco pobre se parecem
Mas não são iguais
Crianças vão nascendo
Em condições bem precárias
Se desenvolvendo sem a paz necessária
São filhos de pais sofridos
E por esse mesmo motivo
Nível de informação é um tanto reduzido
Não…
É um absurdo
São pessoas assim que se fodem com tudo
E que no dia a dia vive tensa e insegura
E sofre as covardias humilhações torturas
A conclusão é sua…KL Jay
Porém direi para vocês irmãos
Nossos motivos pra lutar ainda são os mesmos
O preconceito e desprezo ainda são iguais
Nós somos negros também temos nossos ideais
Racistas otários nos deixem em paz

Racistas otários nos deixem em paz

Os poderosos são covardes desleais
Espancam negros nas ruas por motivos banais
E nossos ancestrais
Por igualdade lutaram
Se rebelaram morreram
E hoje o que fazemos
Assistimos a tudo de braços cruzados
Até parece que nem somos nós os prejudicados
Enquanto você sossegado foge da questão
Eles circulam na rua com uma descrição
Que é parecida com a sua
Cabelo cor e feição
Será que eles vêem em nós um marginal padrão
50 anos agoras se completam
Da lei anti-racismo na constituição
Infalível na teoria
Inútil no dia a dia
Então que fodam-se eles com sua demagogia
No meu pais o preconceito é eficaz
Te cumprimentam na frente
E te dão um tiro por trás

“O Brasil é um pais de clima tropical
Onde as raças se misturam naturalmente
E não há preconceito racial. Ha,Ha…..”

Nossos motivos pra lutar ainda são os mesmos
O preconceito e o desprezo ainda são iguais
Nós somos negros também temos nossos ideais

Racistas otários nos deixem em paz…

 

NOTA PÚBLICA DA ATY GUASU É PARA TODAS AUTORIDADES NACIONAIS E INTERNACIONAIS

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foto: solidariedadeguaranikaiowa

Esta nota da Aty Guasu Guarani e Kaiowa visa destacar as formas de julgamento e a condenação dos integrantes dos povos indígenas no Brasil pela outra “justiça financiada” dos fazendeiros e, sobretudo condenação das lideranças indígenas de frente pelos pistoleiros dos anti-indígenas, os fazendeiros, políticos, etc. Essascondenações foram e são promovidas pela outra “justiça” só dos fazendeiros no atual Brasil que já julgaram, condenaram e ainda condenam os povos e as lideranças indígenas à pena da morte e genocida no Brasil. Essa condenação histórica dos povos indígenas do atual Estado da Bahia e do litoral às mortes já foi registrada como o maior genocida da história da humanidade que perdura até os dias de hoje. Os mandantes e autores desse maior genocida da humanidade não são punidos pela justiça nacional e internacional.

Em primeiro lugar destacamos que os julgamentos e as condenações dessa outra “justiça” dos fazendeiros são mais céleres do que Justiça Federal e Tribunais Federais normais do Brasil, por exemplo, no Estado da Bahia, nos últimos quinze dias, os pistoleiros contratados através dessa outra justiça dos fazendeiros começaram a julgar e condenar os integrantes de povo Tupinambá e quaisquer índios no Estado da Bahia-Brasil. Como revela a sessão de interrogatório dos pistoleiros em que foi submetido um professor indígena universitário, após incendiar o carro oficial do governo federal, os pistoleiros começaram a interrogar o professor indígena, na mira da arma de fogo. 

Pistoleiros de outra justiça dos fazendeiros interrogam assim:

Você é índio, né?
– Sou Kayapó, não sou daqui da Bahia.
Mas você é índio, né?
-Sou, sou Kayapó, sou da amazônia.
O que você tá fazendo aqui?
– Sou professor do IFBA, trabalho na Licenciatura Intercultural Indígena.
Você é amigo deles.
Você está preparado pra morrer?
– (silencio)
(barulho do gatilho da arma…Não disparou)
Vá embora, nem olhe para trás”.

De forma igual, os pistoleiros das fazendas condenam à genocida e pena da morte os povos indígenas Guarani e Kaiowá no Estado de Mato Grosso do Sul.

Uma liderança Guarani e Kaiowa, em maio de 2012 foi interrogado pelos pistoleiros das fazendas na mira da arma de fogo.

Líder Tonico Benites Guarani Kaiowa relata à polícia federal assim:

Hoje de manhã, sexta-feira [06/04/2012], às 10h20, na estrada pública, um homem não índio, com dois revólveres na mão cercou a estrada e me mandou parar o carro, pedindo para eu descer dele. 
O homem começou a me interrogar. O que veio fazer por aqui?!, conta? Hoje vamos conversar seriamente!” 

Respondi: “Vim visitar meus parentes aqui na aldeia”.

Ele falou: “É só isso?” respondi que sim. O homem, ao ouvir o choro da criança e mulher, falou-me naturalmente: “Você tem filhos e esposa, né? Gosta dela e de teus filhos? hein?! fala?” Respondi que sim. 
Então ele passou me ameaçar: “Você vai perder tudo, ela que você ama e filhos que gosta, vai perder, Vai perder carro. Vai perder dinheiro. Tudo você vai perder. Você quer perder tudo? Você quer perder tudo?”, ele repetiu várias vezes essas pergunta. Respondi: “Não! ” 

Pediu-me várias vezes para não voltar mais àquela aldeia e região. “Se você promete que nunca mais vai voltar por aqui vou soltar você vivo. Respondi: “Sim, sim!”. 

Ele falou: “Não estou não sozinho não”; “SOMOS MUITOS”.

Ele julgou-me: “Você não está fazendo o trabalho que presta, sabia não? Invadindo fazendas!”, referindo-se à luta pela recuperação da terra indígena e pesquisa antropológica.
Pediu para eu não contar para autoridade, não! Ele me falou: “Vai embora daqui! Nunca mais quero ver você por aqui.” Por último, disse: “Vou ficar de olho em você, hein?!”. E tirou o dedo do gatilho do revolver.

Lamentamos muito que, nos últimos trintas anos, centenas de lideranças dos povos indígenas Guarani e Kaiowa, Tupinamba, Terena, entre outras foram interrogadas e condenadas à morte de forma imediata pelos pistoleiros vinculados à outra “justiça” dos fazendeiros, isto é, o gatilho da arma de fogo foi covardemente apertado em direção das vidas das lideranças indígenas na frente de suas comunidades.

Os integrantes da comunidade Guarani e Kaiowa liderada pelo cacique Nisio Gomes lembram em detalhe as formas de interrogação e condenação à pena da morte do Nisio realizadas pelos pistoleiros das fazendas, no dia 18 de novembro de 2011, às 06h30min no tekoha Guaiviry-Aral Moreira-MS-Brasil. Um das testemunhas reproduz a pergunta dos pistoleiros e a resposta do cacique Nisio Gomes. Segue os trechos.

Chegaram vários os pistoleiros armados à barraca do cacique Nisio, pegaram e interrogaram e condenaram à morte o nosso cacique em nossa frente. 

Nas miras de várias armas de fogo, um pistoleiro perguntou: “você é o cacique Nisio?” Nisio respondeu: “Sim, eu mesmo sou cacique Nisio”, “o que vocês querem comigo?” perguntou o Nisio. Um pistoleiro falou: “Vimos matar você e expulsar todos os índios daqui, agora”. “Já avisamos bem você antes, quando invadisse as fazendas você iria morrer”. Diante disso, nosso cacique Nisio respondeu: “Sim, voltei a minha terra para morrer, pode me matar, mas não matem todas minhas crianças, elas precisam viver”. Nesse momento, um homem pediu ao Cacique Nisio a se render e ficasse parado na frente das famílias e comunidade. Um homem começou a falar para nós, assim: “todos os índios daqui vão morrer”, “vocês têm que sair correndo agora daqui”. Cacique Nisio antes de morrer, pediu: “não é para abandonar a nossa terra”. Essa é última palavra que cacique Nisio pediu. Nisio queria falar mais, mas um homem julgou, condenou e ordenou a matar o cacique Nisio, o condenando: “Atira logo! Atira! Mata! Mata logo!”. “Um homem atirou e acertou bem no peito e na cabeça do Nisio Gomes”. “Assim, os pistoleiros condenaram e assassinaram o nosso cacique Nisio em nossa frente”. “Na sequencia, passaram a atirar sem parar em direção das crianças, mulheres, idosos (as), no momento em que arrastaram o corpo do cacique Nisio e carregaram na caminhonete e foram embora”. “Até hoje, não foi encontrado o corpo do nosso cacique”.

Importa destacar que outras lideranças Guarani e Kaiowa sofreram e foram pegos interrogados e assassinados pelos pistoleiros das fazendas, de modo similar ao cacique Nisio Gomes, como as lideranças Guarani e Kaiowa Marçal Tupã’i, Marco Veron, Dorival Benites, Dorvalino Rocha, Genivaldo Vera, Rolindo Vera, Samuel Martins, Xurite Lopes, Ortiz Lopes, entre outras lideranças dos povos indígenas no Brasil. Mais uma vez, pedimos à Justiça Federal normal do Brasil a o julgamento e punição aos pistoleiros assassinos dos líderes indígenas no Brasil.
Em geral, as comunidades indígenas no Brasil são condenadas à genocida e as lideranças foram condenadas à pena da morte por lutar pela recuperação de terras indígenas tradicionais. É mais lamentável que a Justiça Federal normal do Brasil não julga os fazendeiros mandantes e os pistoleiros dessa outra “justiça ilegal” dos fazendeiros e anti-indígenas que a década atua e opera em todas as partes do Brasil, condenando os povos indígenas à genocida no Brasil.

Mais uma vez, repudiamos a ação genocida dos pistoleiros das fazendas no Brasil.

Aguardamos a posição urgente da Justiça Federal normal do Brasil frente à atuação dos pistoleiros vinculada á outra justiça ilegal dos anti-indígenas contra o povo Tupinamba, Guarani, Kaiowá, Terena, Kadweu, etc.

 

indias - Cimi

foto: 

Aty Guasu – Grande Assembleia Guarani-Kaiowá, Dourados, MS, jul/2013. Foto: Egon Heck/Cimi

Atenciosamente,
Tekoha Guasu Guaranie Kaiowa, 08 de setembro de 2013
Aty Guasu contra o genocídio

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Uma História Tenebrosa:

Márcio Paromeriri & Edson Kayapó

Rose Silveira

Colega da pós-graduação na PUC-SP, o querido Edson Kayapó, nascido no Amapá, é coordenador da Licenciatura Intercultural Indígena do Instituto Federal da Bahia(IFBA). No último dia 5, ele e um grupo de professores se dirigiam para mais um trabalho acadêmico na Aldeia Caramuru, quando, em São José da Vitória, sul da Bahia, o carro em que eles viajavam foi interceptado por capangas, que os obrigaram a sair do veículo e os ameaçaram de morte. Vou colar aqui duas narrativas feitas pelo próprio Edson do horror que se seguiu, incluindo o fato (que me dói particularmente) de saber que ele, tentando se proteger, foi depois espancado por desconhecidos por ser índio!!!

Espero, sinceramente, que o IFBA e a polícia baiana estejam tomando providências para punir os responsáveis por esses atos e que o Edson possa prosseguir sua vida com a inteligência, a alegria, a tenacidade e a sensibilidade que lhe são peculiares.

Meu querido, meu abraço. Que o Grande Espírito esteja contigo!

***
Do mural do Edson Kayapó de 5 de setembro de 2013:

Um crime absurdo!

Mais um carro (oficial) incendiado e professores e motorista da Licenciatura Intercultural Indígena do IFBA ameaçados.

Foi hoje, por volta das 11h, um grupo de quatro capangas interceptaram o carro do IFBA, em São José da Vitória, nas proximidades de Buerarema. Eu estava com os professores João Veridiano (Antropólogo), a professora Julia Rosa (História Indígena) e o motorista. Tínhamos concluído atividades da LINTER em Olivença e estávamos a caminho de Pau Brasil, onde teríamos atividades na aldeia Caramuru (Pataxó Hã Hã Hae). Os capangas pararam o carro e disseram: “tem um índio no carro” e, em seguidas, fomos violentamente expulsos do carro e o veículo foi levado por eles.

Fui orientado pelos colegas de trabalho a voltar de táxi para Itabuna, uma vez que os capangas demonstravam ódio contra índios. Foi o que eu fiz, no entanto, o táxi foi interceptado em Buerarema e lá fui espancado e ameaçado de morte por pessoas desconhecidas.

O carro do IFBA foi incendiado e jogado no meio da BR, na cidade de São José da Vitória. Os colegas de trabalho bem, estão na delegacia da cidade e eu, nem sei onde estou…Escondido? De que mesmo? Não cometi nenhum crime.

A violência contra nossos povos não recua e toma proporções alarmantes.
As autoridades poucos esforços mobilizam contra esse estado de coisas.

***

Queria que fosse só um pesadelo, mas foi bem assim:

Você é índio, né?
– Sou Kayapó, não sou daqui da Bahia.
Mas você é indío, né?
-Sou, sou Kayapó, sou da Amazônia.
O que você tá fazendo aqui?
– Sou professor do IFBA, trabalho na Licenciatura Intercultural Indígena.
Você é amigo deles.
Você está preparado pra morrer?
_ (silêncio)
(barulho do gatilho da arma…Não disparou)
Vá embora, nem olhe para trás.

 
 
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