RSS

NOTA PÚBLICA DA ATY GUASU É PARA TODAS AUTORIDADES NACIONAIS E INTERNACIONAIS

09 set

mulhereskaiowas 2

foto: solidariedadeguaranikaiowa

Esta nota da Aty Guasu Guarani e Kaiowa visa destacar as formas de julgamento e a condenação dos integrantes dos povos indígenas no Brasil pela outra “justiça financiada” dos fazendeiros e, sobretudo condenação das lideranças indígenas de frente pelos pistoleiros dos anti-indígenas, os fazendeiros, políticos, etc. Essascondenações foram e são promovidas pela outra “justiça” só dos fazendeiros no atual Brasil que já julgaram, condenaram e ainda condenam os povos e as lideranças indígenas à pena da morte e genocida no Brasil. Essa condenação histórica dos povos indígenas do atual Estado da Bahia e do litoral às mortes já foi registrada como o maior genocida da história da humanidade que perdura até os dias de hoje. Os mandantes e autores desse maior genocida da humanidade não são punidos pela justiça nacional e internacional.

Em primeiro lugar destacamos que os julgamentos e as condenações dessa outra “justiça” dos fazendeiros são mais céleres do que Justiça Federal e Tribunais Federais normais do Brasil, por exemplo, no Estado da Bahia, nos últimos quinze dias, os pistoleiros contratados através dessa outra justiça dos fazendeiros começaram a julgar e condenar os integrantes de povo Tupinambá e quaisquer índios no Estado da Bahia-Brasil. Como revela a sessão de interrogatório dos pistoleiros em que foi submetido um professor indígena universitário, após incendiar o carro oficial do governo federal, os pistoleiros começaram a interrogar o professor indígena, na mira da arma de fogo. 

Pistoleiros de outra justiça dos fazendeiros interrogam assim:

Você é índio, né?
– Sou Kayapó, não sou daqui da Bahia.
Mas você é índio, né?
-Sou, sou Kayapó, sou da amazônia.
O que você tá fazendo aqui?
– Sou professor do IFBA, trabalho na Licenciatura Intercultural Indígena.
Você é amigo deles.
Você está preparado pra morrer?
– (silencio)
(barulho do gatilho da arma…Não disparou)
Vá embora, nem olhe para trás”.

De forma igual, os pistoleiros das fazendas condenam à genocida e pena da morte os povos indígenas Guarani e Kaiowá no Estado de Mato Grosso do Sul.

Uma liderança Guarani e Kaiowa, em maio de 2012 foi interrogado pelos pistoleiros das fazendas na mira da arma de fogo.

Líder Tonico Benites Guarani Kaiowa relata à polícia federal assim:

Hoje de manhã, sexta-feira [06/04/2012], às 10h20, na estrada pública, um homem não índio, com dois revólveres na mão cercou a estrada e me mandou parar o carro, pedindo para eu descer dele. 
O homem começou a me interrogar. O que veio fazer por aqui?!, conta? Hoje vamos conversar seriamente!” 

Respondi: “Vim visitar meus parentes aqui na aldeia”.

Ele falou: “É só isso?” respondi que sim. O homem, ao ouvir o choro da criança e mulher, falou-me naturalmente: “Você tem filhos e esposa, né? Gosta dela e de teus filhos? hein?! fala?” Respondi que sim. 
Então ele passou me ameaçar: “Você vai perder tudo, ela que você ama e filhos que gosta, vai perder, Vai perder carro. Vai perder dinheiro. Tudo você vai perder. Você quer perder tudo? Você quer perder tudo?”, ele repetiu várias vezes essas pergunta. Respondi: “Não! ” 

Pediu-me várias vezes para não voltar mais àquela aldeia e região. “Se você promete que nunca mais vai voltar por aqui vou soltar você vivo. Respondi: “Sim, sim!”. 

Ele falou: “Não estou não sozinho não”; “SOMOS MUITOS”.

Ele julgou-me: “Você não está fazendo o trabalho que presta, sabia não? Invadindo fazendas!”, referindo-se à luta pela recuperação da terra indígena e pesquisa antropológica.
Pediu para eu não contar para autoridade, não! Ele me falou: “Vai embora daqui! Nunca mais quero ver você por aqui.” Por último, disse: “Vou ficar de olho em você, hein?!”. E tirou o dedo do gatilho do revolver.

Lamentamos muito que, nos últimos trintas anos, centenas de lideranças dos povos indígenas Guarani e Kaiowa, Tupinamba, Terena, entre outras foram interrogadas e condenadas à morte de forma imediata pelos pistoleiros vinculados à outra “justiça” dos fazendeiros, isto é, o gatilho da arma de fogo foi covardemente apertado em direção das vidas das lideranças indígenas na frente de suas comunidades.

Os integrantes da comunidade Guarani e Kaiowa liderada pelo cacique Nisio Gomes lembram em detalhe as formas de interrogação e condenação à pena da morte do Nisio realizadas pelos pistoleiros das fazendas, no dia 18 de novembro de 2011, às 06h30min no tekoha Guaiviry-Aral Moreira-MS-Brasil. Um das testemunhas reproduz a pergunta dos pistoleiros e a resposta do cacique Nisio Gomes. Segue os trechos.

Chegaram vários os pistoleiros armados à barraca do cacique Nisio, pegaram e interrogaram e condenaram à morte o nosso cacique em nossa frente. 

Nas miras de várias armas de fogo, um pistoleiro perguntou: “você é o cacique Nisio?” Nisio respondeu: “Sim, eu mesmo sou cacique Nisio”, “o que vocês querem comigo?” perguntou o Nisio. Um pistoleiro falou: “Vimos matar você e expulsar todos os índios daqui, agora”. “Já avisamos bem você antes, quando invadisse as fazendas você iria morrer”. Diante disso, nosso cacique Nisio respondeu: “Sim, voltei a minha terra para morrer, pode me matar, mas não matem todas minhas crianças, elas precisam viver”. Nesse momento, um homem pediu ao Cacique Nisio a se render e ficasse parado na frente das famílias e comunidade. Um homem começou a falar para nós, assim: “todos os índios daqui vão morrer”, “vocês têm que sair correndo agora daqui”. Cacique Nisio antes de morrer, pediu: “não é para abandonar a nossa terra”. Essa é última palavra que cacique Nisio pediu. Nisio queria falar mais, mas um homem julgou, condenou e ordenou a matar o cacique Nisio, o condenando: “Atira logo! Atira! Mata! Mata logo!”. “Um homem atirou e acertou bem no peito e na cabeça do Nisio Gomes”. “Assim, os pistoleiros condenaram e assassinaram o nosso cacique Nisio em nossa frente”. “Na sequencia, passaram a atirar sem parar em direção das crianças, mulheres, idosos (as), no momento em que arrastaram o corpo do cacique Nisio e carregaram na caminhonete e foram embora”. “Até hoje, não foi encontrado o corpo do nosso cacique”.

Importa destacar que outras lideranças Guarani e Kaiowa sofreram e foram pegos interrogados e assassinados pelos pistoleiros das fazendas, de modo similar ao cacique Nisio Gomes, como as lideranças Guarani e Kaiowa Marçal Tupã’i, Marco Veron, Dorival Benites, Dorvalino Rocha, Genivaldo Vera, Rolindo Vera, Samuel Martins, Xurite Lopes, Ortiz Lopes, entre outras lideranças dos povos indígenas no Brasil. Mais uma vez, pedimos à Justiça Federal normal do Brasil a o julgamento e punição aos pistoleiros assassinos dos líderes indígenas no Brasil.
Em geral, as comunidades indígenas no Brasil são condenadas à genocida e as lideranças foram condenadas à pena da morte por lutar pela recuperação de terras indígenas tradicionais. É mais lamentável que a Justiça Federal normal do Brasil não julga os fazendeiros mandantes e os pistoleiros dessa outra “justiça ilegal” dos fazendeiros e anti-indígenas que a década atua e opera em todas as partes do Brasil, condenando os povos indígenas à genocida no Brasil.

Mais uma vez, repudiamos a ação genocida dos pistoleiros das fazendas no Brasil.

Aguardamos a posição urgente da Justiça Federal normal do Brasil frente à atuação dos pistoleiros vinculada á outra justiça ilegal dos anti-indígenas contra o povo Tupinamba, Guarani, Kaiowá, Terena, Kadweu, etc.

 

indias - Cimi

foto: 

Aty Guasu – Grande Assembleia Guarani-Kaiowá, Dourados, MS, jul/2013. Foto: Egon Heck/Cimi

Atenciosamente,
Tekoha Guasu Guaranie Kaiowa, 08 de setembro de 2013
Aty Guasu contra o genocídio

======================================================================================================================================

Uma História Tenebrosa:

Márcio Paromeriri & Edson Kayapó

Rose Silveira

Colega da pós-graduação na PUC-SP, o querido Edson Kayapó, nascido no Amapá, é coordenador da Licenciatura Intercultural Indígena do Instituto Federal da Bahia(IFBA). No último dia 5, ele e um grupo de professores se dirigiam para mais um trabalho acadêmico na Aldeia Caramuru, quando, em São José da Vitória, sul da Bahia, o carro em que eles viajavam foi interceptado por capangas, que os obrigaram a sair do veículo e os ameaçaram de morte. Vou colar aqui duas narrativas feitas pelo próprio Edson do horror que se seguiu, incluindo o fato (que me dói particularmente) de saber que ele, tentando se proteger, foi depois espancado por desconhecidos por ser índio!!!

Espero, sinceramente, que o IFBA e a polícia baiana estejam tomando providências para punir os responsáveis por esses atos e que o Edson possa prosseguir sua vida com a inteligência, a alegria, a tenacidade e a sensibilidade que lhe são peculiares.

Meu querido, meu abraço. Que o Grande Espírito esteja contigo!

***
Do mural do Edson Kayapó de 5 de setembro de 2013:

Um crime absurdo!

Mais um carro (oficial) incendiado e professores e motorista da Licenciatura Intercultural Indígena do IFBA ameaçados.

Foi hoje, por volta das 11h, um grupo de quatro capangas interceptaram o carro do IFBA, em São José da Vitória, nas proximidades de Buerarema. Eu estava com os professores João Veridiano (Antropólogo), a professora Julia Rosa (História Indígena) e o motorista. Tínhamos concluído atividades da LINTER em Olivença e estávamos a caminho de Pau Brasil, onde teríamos atividades na aldeia Caramuru (Pataxó Hã Hã Hae). Os capangas pararam o carro e disseram: “tem um índio no carro” e, em seguidas, fomos violentamente expulsos do carro e o veículo foi levado por eles.

Fui orientado pelos colegas de trabalho a voltar de táxi para Itabuna, uma vez que os capangas demonstravam ódio contra índios. Foi o que eu fiz, no entanto, o táxi foi interceptado em Buerarema e lá fui espancado e ameaçado de morte por pessoas desconhecidas.

O carro do IFBA foi incendiado e jogado no meio da BR, na cidade de São José da Vitória. Os colegas de trabalho bem, estão na delegacia da cidade e eu, nem sei onde estou…Escondido? De que mesmo? Não cometi nenhum crime.

A violência contra nossos povos não recua e toma proporções alarmantes.
As autoridades poucos esforços mobilizam contra esse estado de coisas.

***

Queria que fosse só um pesadelo, mas foi bem assim:

Você é índio, né?
– Sou Kayapó, não sou daqui da Bahia.
Mas você é indío, né?
-Sou, sou Kayapó, sou da Amazônia.
O que você tá fazendo aqui?
– Sou professor do IFBA, trabalho na Licenciatura Intercultural Indígena.
Você é amigo deles.
Você está preparado pra morrer?
_ (silêncio)
(barulho do gatilho da arma…Não disparou)
Vá embora, nem olhe para trás.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: