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Arquivo mensal: janeiro 2014

A situacao crítica de alguns migrantes africanos em Kreuzberg.

A situacao crítica de alguns migrantes africanos em Kreuzberg.

 

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Fui ali buscar o resultado de um exame no laboratório que meu médico pediu e como sempre faco quando vou nesse Labor, corto caminho pelo Görlitzerpark, o grande parque aqui da nossa área.

Pois bem e lá estavam espalhados os mais de 60 africanos que vendem o bagulho no local. A cena era deprimente. Os caras debaixo daquele frio todo, parados em seus pontos sem poderem sair. E como todo mundo sabe aqui em Berlin, com esse intenso frio, voce tem que circular, pois ficando parado é uma tremenda fria. Mesmo bem agasalhado, voce congela. E os africanos estavam lá congelando.

Alguns havaim montados pequenos acampamentos, com algum fogo dentro e de vez enquando ia um lá pra dentro tentar se esquentar. Saia e entrava outro. Parece aquele lance na cadeia super-lotada, em que um vai dormir por um tempo, acorda e outro ocupa o seu lugar para dormir.

Cruzei com um “bruder” (um mano) e falei com ele um pouco e quando estava na conversa, chegou uma jovem africana com um carrinho de super-mercado com uma porcao de quentinhas e 3 criancas pequenas enroladas juntas das quentinhas. Era o rango da rapaziada que chegava e foi formando uma fila para cada um pegar a sua e ir para seu posto rangar. Reparei que alguns estavam famintos por comeram a quentinha num piscar de olhos.

Segui meu caminho, passei pela entra/saída do parque, onde estava o maior occupy da galera e fui para casa completamente triste com a situacao que vi, ao vivo e nas cores da brancura de neve que cobre Berlin.

Eu pensava que esse pessoal era grande maioria de “indocumentados”, mas nao. Grande parte deles estao legais no país, mas nao conseguem empregos de jeito nenhum. Muitos vieram de outras cidades da Alemanha ou vieram de países com a Franca, Portugal e Itália. Para tentarem a vida em Berlin. O “bruder” com quem eu converso às vezes é um mocambicano que veio de Paris. Muitos tem filhos e famílias e dependem das cotas do que eles passam de bagulho no parque.

Tempos atrás, com a eleicao da nova subprefeita da regiao, uma deputada do partido verde, se intensificou a discussao sobre esses africanos no Görlitzerpark, o problema das drogas na regiao, a violencia da polícia em cima da rapaziada, o problema do racismo e do preconceito que eles enfrentam, etc.

Quando Monika Herrmann, oriunda dos movimentos libertários dos anos 70/80, tomou posse como prefeita de Kreuzberg, Berlim, em agosto 2013, ela fez da legalização da maconha uma prioridade. e veio com uma proposta bem ousada ainda para a Alemanha, uma solucao sobre o caso e simplesmente esqueceu dos africanos. E está propondo a criacao de “Coffe Shops”, nos modelos dos que existem em Amsterdam, para a solucao do “tráfico” e das “bocas livres” com os africanos controladas por máfias alema, russa e libanesa no Görlitezrpark. Os coffeshops sao tipos de bares onde o camarada vai, além de tomar os seus drinques, pode também escolher em um cardápio grande o que vai consumir da erva santa no local. Kreuzberg é a área do lado ocidental de Berlin, onde mais se consome o “Hanf” (a maconha). Nos finais de semanas, quem passeia pelo bairro pode se confrontar com aquela marisia perfumando e incensando tudo.

Outro dia rolou um debate aqui no bairro sobre a questao num centro comunitário e alguém perguntou à representante da subprefeitura se os empregados dos tais coffeeshops seriam os “dealers” (passadores de drogas) africanos do parque? A mulher gaguejou, peidou, puxou uns papéis com umas tabelas, como os alemaes burocráticos fazem sempre, respondeu patavinas e deixou a reuniao rapidamente dizendo estar indo para outro compromisso.

E os africanos estao lá, no frio das neves, controlados por máfias invisíveis, famintos, desempregados e praticamente sem saída em plena Berlin. Enquanto isso abastecem toda a movimentacao dos moradores e turísticas da área, cujo o consumo nao para de crescer. Sao os abastecedores à varejo estacionados no último escalao do nível social no mercado das drogas na cidade.

E eles estao lá, como se estivessem em um “occupy de refugiados”, que eles nao sao, debaixo do frio e rangando quentinha gelada e pedindo a oxalá para sexta-feira anoitecer e bombar para o consumo das drogas, como acontecem nas sextas-feiras, apesar da neve, apesar de tudo. Pois alguém mais novo e indefeso na certa está esperando também aquele um qualquer pingar para ter o minguau de manha ou a sopinha quente para vencer o frio gelado.

Berlin às vezes engana aos incautos deslumbrados. Nao é essa seda toda que muita gente pensa que é nao!

Negra Panther.

foto/bz: a polícia e africanos no Gölitzerpark no verao. para a polícia e as mídias da direita e sensacionalista todos os africanos ou parecidos com eles sao “Dealers” (traficantes) em Berlin.

 
 
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