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Arquivo mensal: março 2014

O nosso primeiro dia da Ditadura Militar em Padre Miguel, em 1° abril de 1964

Blog golpe - 3

 

foto:agb

No dia primeiro de abril quando acordamos no nosso cafofo na Rua Marechal Falcão da Frota, entre Realengo e Padre Miguel, estranhamos ao ver nosso pai Maurílio em casa. Pois sabíamos que ele todos os dias, já há anos naquele horário estaria trabalhando na Estamparia da Fábrica de Tecido “América Fabril” em Vila Isabel. A mesma daquela música imortal de Noel Rosa: do apito da fábrica de tecido e que o fazia lembrar alguém.

Meu pai nos disse que tinham mandando os operários voltarem para casa, pois a fábrica tinha sido invadida pelo exército.

Às 11 horas, eu e a minha irmã íamos para a estação de Padre Miguel pegar o trem para Santa Cruz/Matadouro, onde estudávamos. Ela no Colégio Estadual Princesa Isabel e eu no Colégio Estadual Barão do Rio Branco. Essa era a nossa rotina diária de ginasianos.

Pois bem. Chegamos lá na estação e estava ocupada por soldados armados e tinha um tanque no meio da Praça dos Trabalhadores. Os soldados mandavam as pessoas voltarem, pois a estação estava interditada.

A rua Marechal Falcão da Frota, a nossa querida rua de infância e adolescência, terminava em Realengo, no muro de um das centenas e centenas de quartéis militares daquela região do subúrbio.

E naquela tarde assistimos das nossas janelas e portas desfilarem soldados, caminhões, jipes e até alguns tanques passarem pela nossa rua Marechal Falcão da Frota, que saiam daquele quartel lá embaixo e de outros quartéis, até de Deodoro. E todas as estações de trem até Matadouro estavam interditadas militarmente.

Esse espetáculo, que nunca mais esqueço, foi o início da Ditadura para nós naquela nossa rua mágica.

Tempos depois começaram a surgir os boatos de um tal Carro Preto que estava sumindo com pessoas em Padre Miguel e Realengo. Um pai de um vizinho nosso sumiu nessa época. E nós todos começamos a ficar com medo! Aí começou a patrulharem a Falcão da Frota jovens soldados do exército com a Invernada de Olaria, uma polícia terrível da época e que foi uma das bases do tal E.M. Esquadrão da Morte.

 

Negra Panther.

 

ODARA BERLIN: Um jornal sob a ótica afrobrasileira em Berlin.

Odara Imprensa
Amanha, dia 21 de marco de 2014, Dia Internacional contra a Discriminação Racial, sai em Berlin o “n.0 especial” do Jornal “Odara Berlin”.

O Pasquim terá como matéria de estréia o artigo “A Limpeza Étnica da Ditadura Millitar Brasileira”. Falando sobre o extermínio e desaparecimento de jovens negros durante a ditadura pelos esquadroes da morte, cavalos corredores e maos brancas da época. No momento em que relembram os 50 anos dos anos de Chumbo no Brasil.

“A Limpeza Étnica da Ditadura Millitar Brasileira”

Os três jovens negros correm desesperados pela rua semi iluminada de uma comunidade pobre na Baixada Fluminense no Rio de Janeiro. Atrás deles um carro Sedan preto em disparada. Os jovens têm entre 15 e 16 anos de idade. Entram por um beco mais escuro e tentam se enfiar em algum buraco. Do Sedan preto saltam quatro homens fortemente armados e conseguem encurralar os jovens em um terreno baldio. Os homens se aproximam e mandam os jovens ficarem de joelhos e disparam muitos tiros nos rapazes. Um dos homens se aproxima dos três corpos caídos, quase um em cima do outro. O homem dá ainda alguns tiros em cada um e joga sobre eles um cartaz em cartolina com uma caveira e o desenho de uma MAO BRANCA.

Na manha seguinte as bancas de jornal da cidade expõem ao sol a foto dos três corpos negros com um cartaz por cima. O texto diz na chamada: “3 Presuntos deixados na Baixada Fluminense pelo Mão Branca.” No subtexto: “Mão Branca esteve aqui!”

mao branca

A cena acima poderia ser uma seqüência de algum filme policial de baixo orçamento, de um cineasta estreante. Mas não. A mesma cena se repetiu milhares de vezes, podemos dizer assim, há 50 anos atrás no Brasil. Época do chumbo grosso da Ditadura Militar que tomou conta do país, com a derrubada do governo constitucionalista do Presidente João da Silva Goulart.

E a Caveira e a Mão Branca do cartaz sobre os corpos assassinados dos jovens negros foram dois dos mais terríveis emblemas e marcas dessa época: O Esquadrão da Morte.” – Matéria completa no Jornal ODARA BERLIN

Em alemao:

Die “ethnische Säuberung” der Militärdiktatur

Drei schwarze Jungendliche rennen in großer Verzweiflung die schlecht beleuchtete Straße eines ärmlichen Stadtteils in der Baixada Fluminense (RJ) entlang. Hinter ihnen brettert ein schwarzer Sedan in hoher Geschwindigkeit. Die Jugendlichen sind ca. 15 oder 16 Jahre alt. Sie biegen in eine dunkle Gasse ab und suchen nach einem Versteck. Vier schwer bewaffnete Männer springen aus dem Sedan und treiben die Jugendlichen auf einem leeren Platz zusammen. Die Männer treten nah an die Jugendlichen heran, zwingen sie sich hinzuknien und feuern zahlreiche Schüsse auf sie ab. Einer der Männer nähert sich den Toten. Nun liegt einer über dem anderen. Der Mann schießt noch ein paar Kugeln ab, dann wirft er ein Plakat über sie, auf dem ein Totenkopf und eine WEIßE HAND zu sehen sind.

Am nächsten Tag glänzt das Foto von drei durch ein Plakat verdeckten Toten in der Sonne an den Zeitungskiosken der Stadt. In der Schlagzeile steht zu lesen: „3 Schinken in der Baixada Fluminense abgelegt von der weißen Hand.“ Im Untertitel steht: “Die weiße Hand war hier!”

Die beschriebene Szene könnte eine Sequenz eines low-budget Krimis von einem Regiedebütanten sein. Doch nein! Es gab eine Zeit da wurde diese Szene sozusagen tausende Male “nochmal“ gedreht. Dies ist nun 50 Jahre her. Man erinnert sich daran als die Zeit der “dicken Kugeln“. Die Zeit der Militärdiktatur, die nach dem Sturz der Regierung von João da Silva Goulart das Land unterjochte. – in Odara Berlin Zeitung

Responsáveis pelo Jornal: Sandra Bello e Ras Adauto.

Negra Panther.

 

“Contra o Genocídio do povo preto e pobre no Brasil”

A Acao da grande Leci Brandao na Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Assembleia Legislativa de São Paulo,

“Contra o Genocídio do povo preto e pobre no Brasil”

maes de maio

Foi aprovada nesta quarta-feira (12), por unanimidade, na Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Assembleia Legislativa de São Paulo, a moção 119/2013, de autoria da deputada Leci Brandão (PCdoB/SP), que manifesta apoio à aprovação do PL 4471/2012, que propõe o fim dos autos de resistência.

O PL 4471 altera o Código de Processo Penal e prevê a investigação das mortes e lesões corporais cometidas por policiais durante o trabalho. Atualmente esses casos são registrados pela polícia como autos de resistência ou resistência seguida de morte e não são investigados.

O “auto de resistência” é uma medida administrativa criada durante a ditadura militar brasileira para legitimar a repressão policial comum à época. Esse tipo de recurso tem permitido que o policial que comete um assassinato em serviço não seja preso em flagrante, assim como autoriza que o ato não seja investigado. Na prática, os policiais afirmam que deram voz de prisão, mas as pessoas se recusaram a obedecer, “obrigando” o agente a usar toda a sua força, inclusive para matar.

“A aprovação do PL não é um ataque à corporação policial, mas uma defesa da vida, dos bons profissionais, da cidadania, da justiça e da correta apuração de crimes cujas vítimas têm sido, em grande maioria, a juventude negra e pobre”, declara Leci.

*Texto da assessoria da deputada Leci Brandão (PCdoB/SP).

*Imagnes: Latuff

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Fonte: Vermelho

 

Algumas Notas sobre o Racismo!

Algumas notas sobre o racismo!

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Berlin gegen Rassismus (Berlin contra o Racismo): Mestre Caracú, Senzala Berlin

Quem suja,  limpa!

o racista brasileiro é o pior dos racistas. porque é cínico!

quem tem medo de negros e negras ? às vezes tenho essa sensacao de medo na sociedade brasileira, uma sociedade ainda nao resolvida emocional e racialmente. uma sociedade que precisa ainda prestar suas contas com o seu próprio povo: principalmente com seu povo indígena e quilombola. a isso chamamos “reparacao histórica!”

nada é mais destruidor à uma crianca negra quando a discriminam e a excluem seja por uma outra crianca na escola ou por algum adulto na rua. pode ser uma perda irreparável para a psíquique e/ou para a autoestima dessa crianca.

matam-se jovens negros como se matam baratas no Brasil. E ainda existem aqueles/as que acham que é isso mesmo. Só que isso nao é isso mesmo. O Brasil, se continuar nesse ritmo de genocidade, será um país condenado a carregar em sua história uma longa fila de cadáveres de seu próprio povo ensanquentado que ele omitiu e destruiu. E aqueles/as que apoiam tal genocídio serao tao criminosos e promotores do extermínio quanto suas instituicoes que operam essa mortandade: polícias, justiceiros, esqudroes da morte, milícias, juizes, governos, etc etc etc .

racista é racista, seja esquerda ou direita, em qualquer lugar do mundo E devem responder duramente por seus atos e atitudes racistas.

nao existe essa de racismo sutil no Brasil. O racismo nesse país sempre foi cruel e criminoso; avassalador.

nao existem meios termos ou neutrtalidade na questao do racismo. Ou voce está de um lado ou voce está do outro, eis a simples e direta equacao intransferível.

demolir um racista que o oprimiu, nada mais é do que legitima defesa de vida, de direitos civis e de dignidade humana. Se voltar rebelde contra uma sociedade racista é uma questao de honra, luta e homenagem aos ancestrais que tanto sofreram anteriormente na escrivadao.

Qual a diferenca entre o Holocausto do povo judeu na Alemanha da Segunda Grande Guerra e os Holocaustos dos Povos indígenas e Negros no Brasil durante todos esses séculos até hoje? Eu nao vejo nenhuma diferenca, apenas geográfica! Mas a dor e a destruicao de vidas humanas sao as mesmas, como sao os mesmos os pensamentos, as máquinas, os projetos, as acoes, os sistemas, as culturas e as atitudes que geraram esses holocaustos na Europa e se espalharam pelo Brasil.

Negra Panther.

imagem/yago

 
 
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