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O nosso primeiro dia da Ditadura Militar em Padre Miguel, em 1° abril de 1964

31 mar

Blog golpe - 3

 

foto:agb

No dia primeiro de abril quando acordamos no nosso cafofo na Rua Marechal Falcão da Frota, entre Realengo e Padre Miguel, estranhamos ao ver nosso pai Maurílio em casa. Pois sabíamos que ele todos os dias, já há anos naquele horário estaria trabalhando na Estamparia da Fábrica de Tecido “América Fabril” em Vila Isabel. A mesma daquela música imortal de Noel Rosa: do apito da fábrica de tecido e que o fazia lembrar alguém.

Meu pai nos disse que tinham mandando os operários voltarem para casa, pois a fábrica tinha sido invadida pelo exército.

Às 11 horas, eu e a minha irmã íamos para a estação de Padre Miguel pegar o trem para Santa Cruz/Matadouro, onde estudávamos. Ela no Colégio Estadual Princesa Isabel e eu no Colégio Estadual Barão do Rio Branco. Essa era a nossa rotina diária de ginasianos.

Pois bem. Chegamos lá na estação e estava ocupada por soldados armados e tinha um tanque no meio da Praça dos Trabalhadores. Os soldados mandavam as pessoas voltarem, pois a estação estava interditada.

A rua Marechal Falcão da Frota, a nossa querida rua de infância e adolescência, terminava em Realengo, no muro de um das centenas e centenas de quartéis militares daquela região do subúrbio.

E naquela tarde assistimos das nossas janelas e portas desfilarem soldados, caminhões, jipes e até alguns tanques passarem pela nossa rua Marechal Falcão da Frota, que saiam daquele quartel lá embaixo e de outros quartéis, até de Deodoro. E todas as estações de trem até Matadouro estavam interditadas militarmente.

Esse espetáculo, que nunca mais esqueço, foi o início da Ditadura para nós naquela nossa rua mágica.

Tempos depois começaram a surgir os boatos de um tal Carro Preto que estava sumindo com pessoas em Padre Miguel e Realengo. Um pai de um vizinho nosso sumiu nessa época. E nós todos começamos a ficar com medo! Aí começou a patrulharem a Falcão da Frota jovens soldados do exército com a Invernada de Olaria, uma polícia terrível da época e que foi uma das bases do tal E.M. Esquadrão da Morte.

 

Negra Panther.

 

Uma resposta para “O nosso primeiro dia da Ditadura Militar em Padre Miguel, em 1° abril de 1964

  1. vanir lino

    dezembro 31, 2014 at 1:56 am

    Também morei na rua Marechal Falcão da Frota e me lembro muito bem de vários episódios ocorridos nesse dia e no dia anterior 31 de março de 1964.

     

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