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Arquivo mensal: novembro 2014

O Colonialismo alemão na África e suas reparações!

 

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Ontem estive num pódio de discussão sobre o colonialismo alemao na África. O nome do evento era. “Nachgehakt – Brandenburgische-Preußischer Kolonialismus in Afrika “ (Lembrando mais uma vez: o Colonialismo prussiano de Brandenburg na África).  O evento era uma produção de entidades políticas, educacionais  e pan-africanistas que tratam do assunto das relações e da História entre a África e a Alemanha.

Além dos debates, discussões e temas apresentados, foi uma ação para ligar organizações que tratam desse tema espinhoso, até hoje na Alemanha, entre Berlin e Brandenburg. A minha organização Nijinski Arts Internacional e.V. faz parte desse pool de entidades que trabalham com o tema em projetos com jovens de várias nacionalidades nas áreas de mídia (TV e documentários realizados por jovens estudantes), educação e tolerância, reparações  e contra o racismo. Por isso estávamos lá para participar e documentamos e reportamos o encontro.

_MG_8265 _MG_8285 Equipe da Nijinski Arts Internacional e.V., sob a direcao da Cineasta e pedagoga Katharina La Henges. 

O local do encontro é uma área emblemática da história colonial da Alemanha na África, a “Haus der Brandenburgisch-Preußischen Geschichte” (Casa da História prussiana em Brandenburg). O centro fica num antigo pátio que se ligava a um dos palácios dos “Preußischer Fürst” (reis e príncipes prussianos) que tiveram papel destacado na história da colonização alemã na África, notadamente em Gana e mais tarde da Namíbia e em outras regiões do continente. Foi dali que partiu o primeiro projeto financiado por príncipes e ricos comerciantes (século XVI) de  exploracao de rotas comerciais coloniais e ocupação na África, que no século XIX viria a ser chamado de  “Império Colonial Alemão”. Termo empregado para designar uma área ultramarina formada no final do século XIX como parte do Império Alemão da dinastia Hohenzollern. A Alemanha só passou a administrar colônias em África – o Tanganica e o Sudoeste Africano Alemão, atual Namíbia – a seguir à Conferência de Berlim e perdeu-as com a sua derrota na Primeira Guerra Mundial. A Conferência de Berlim foi realizada entre 19 de novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885, e teve como objetivo organizar, na forma de regras e divisões, a ocupação de África pelas potencias coloniais europeias e resultou numa partilha que não respeitou, nem a história, nem as relações étnicas e mesmo familiares dos povos desse continente em causa. O congresso foi proposto por Portugal e organizado pelo Chanceler Otto von Bismarck  da Alemanha, assim como participaram ainda a Inglaterra, Franca, Espanha, Itália, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Estados Unidos, Suécia, Áustria-Hungria, Império Otomano, hoje a Turquia.

berliner-kongress-by-anton-von-werner   A Conferencia  de Berlin  

Reichskolonialflagge.svg  A bandeira do Império Colonial alemão na África

Durante a manhã, o evento apresentou uma exposição e explanações sobre a história colonial e pós-colonial por jovens estudantes que trabalham com o assunto em Brandenburg.

À tarde o pódio de discussão continuou o tema, mas com dados muito importantes: a dificuldade da Alemanha em assimilar até hoje esse lado de sua história e o silencio que ronda os governos alemães em relação aos assuntos, os prejuízos e as reparações da Alemanha com a África pelo seu passado violento, explorador colonial no continente. O segundo dado, o mais discutido, versa sobre as dificuldades de educadores e pedagogos (alemães, afro-alemães, africanos e outros da diáspora africana que vivem no país) de implementarem o assunto “O Colonialismo alemão na África” nos currículos de História, além dos laudatórios de sempre quando se conta o percurso da Alemanha imperial no continente africano. Essa resistência  oficial é acrescida em correntes de educadores e professorado, que acreditam que esse tema é superado e não teria assim muita importância levar isso aos alunos, além do que já apresenta a História.

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Rolaram várias idéias e propostas para a continuidade e pressão aos órgãos do governo nas áreas da educação oficial, em Berlin e Brandenburg; a continuidade de projetos extra-curriculares em escolas e colégios como vem sendo realizados até agora, e a continuidade dessa rede de entidades que está trabalhando com o tema permanentemente nessa região da Alemanha.

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A ativista e educadora Marianne Balle Moudoumbou, do Pan-African Women´s Empowerment and Liberation Organization Germany (PAWLO) e.V. , em sua intervenção  recitou poemas e textos da poeta, ativista, jornalista e educadora May Ayim, símbolo da luta anti-racista afro-alemã. Em seu comentário, Marianne foi mais longe ainda na questão educacional: para ela as crianças africanas nas escolas alemães deveriam ter em suas matérias estudos de suas línguas maternas também, além do português, francês, inglês, alemão, etc.

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O debate sobre a implantação do tema colonialismo na educação alema lembrou-me muito a dificuldade que estamos tendo no Brasil para a implantação da Lei 10.639/03 e o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana. Nesse assunto “reparações aos africanos e seus descendentes” temos muito em comum, entre a Alemanha e o Brasil.

Fotos: Ras Adauto

Negra Panther.

 

Ferguson não é em nenhum lugar do Brasil! Eu queria que fosse!

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Qual é problema geral do Brasil?

Nos Estados Unidos, um jovem negro é assassinado pela polícia e cria-se uma crise violenta na sociedade americana, inclusive atingindo o próprio governo Obama. Tudo pega fogo!
 
No Brasil matam-se jovens negros à granel todos os dias. Segundo o Mapa da Violência, “a cada duas horas, sete jovens negros são assassinados no país. Os dados fazem parte da pesquisa realizada pelo sociólogo Julio Jacobo Weiselfisz, baseada em dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde.
 
De acordo com a pesquisa, são 82 jovens mortos por dia, 30 mil por ano, todos com idades de 15 a 29 anos. Entre os jovens assassinados, 77% são negros, e 93,30% deles são do sexo masculino, moradores das periferias e áreas metropolitanas dos centros urbanos.” – mudamais.com
 
O Mapa da Violência aqui: http://goo.gl/1oxnNN
 
Com esse monstruoso contexto cotidiano, não acontece praticamente nada de concreto à nivel de toda a sociedade para deter essa escala dramática de mortandade de jovens negros e mestiços no país.
 
Parece uma sociedade sonambula,ou mesmo equivocada ao extremo, que  os próprios movimentos de direitos humanos e outros sentem dificuldades e nao tem forca maior e poder de engrenarem uma poderosa máquina de sensibilização coletiva da sociedade brasileira. Mas muita gente está envolvida para reverter esse sinistro quadro de extermínio civil.
 
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foto/domtotal: um jovem brasileiro ameaçado

 
As reações mais contundentes e radicais, e muitas das vezes solitárias em seus guetos, que vimos acontecer até agora à esse verdadeiro extermínio dos nossos jovens, vem das comunidades faveladas em revoltas. Como exemplo, as acoes respostas que já aconteceram em várias comunidades no Rio de Janeiro e seus confrontos com a letal interferência dos órgãos policiais, as forcas militares e o governo do Estado.
 
Muito estranho tudo isso, como acontece no Brasil. Enquanto isso a máquina assassina e programada racista não pára de exterminar o nosso futuro preto/a.
 
Quando um dia, o tal gigante acordar de vez, poderá ser muito tarde e o avassalador genocídio de jovens pretos no Brasil poderá estar concluído.
 
A nossa salvacao é essa Juventude preta que está na Luta nesse momento! Pois ela sabe que as suas vidas e futuros estao por um fio no país!
 
Negra Panther.
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imagens/agencias: “Civil Disobedience in Ferguson”

Diz Aí – Enfrentamento ao Extermínio da Juventude Negra – Ep04 – Mobilização e Enfrentamento

 

Estudando o Branco!

Estudando o Branco!

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O Espetáculo Pútrido e o Teatro da Crueldade!

Hoje me lembrei que quando estava mais jovem e comecei a me interessar pelo teatro lia um livro que não largava, “O Teatro e seu Duplo”, do louco genial francês Antonin Artaud.

Nesse livro que é um manifesto definitivo de Artaud contra o teatro e a civilização ocidental, a parte que eu mais gostava é quando ele descreve a sua visão sobre o teatro ocidental e por extensao todo o ocidente branco. Ele dizia que o “branco”, na natureza, era pútrido ou apodrecendo. E vai por aí em seu delírio.

Artaud foi internado no maior hospício da Franca e serviu de cobaia e torturas psiquiátricas e mesmo assim detonou os seus petardos do que chamou de “Teatro da Crueldade”. A idéia de uma crueldade libertadora que se exerce contra o sistema da representação que domina nossa sociedade do espetáculo e por extensão o mundo: o personagem branco ocidental e violento com todas as suas armas e controles de guerras. Mas que está “pútrido”, se arrastando tragicamente pela natureza, destruindo tudo.

Em sua busca de romper com esse “ser pútrido” Araud foi inclusive até ao México, em seus delírios e acoes, e encontrou o ritual do cacto mexicano peyote entre os índios Tarahumara (Les Tarahumaras).

Num trecho de um poema seu, Artaud especifica esse ser Branco Ocidental. Pode-se ler como uma anti-missa latina. O sacerdote está trancafiado no Hospício, mas fala para um rato branco, no qual ele vê “o ser ocidental”, que cruza a sua cela:

“pesti anti pestantum putara
pest anti pestantum putra”

No final o rastro de um entendimento é mais ou menos a meu ver o Teatro da Crueldade:

Na Idade Média houve a Peste Negra
Hoje temos a Peste Branca!

Por isso Artaud vai falar de Assassinato!

Zé Celso e o Teatro Oficina de Sao Paulo sempre misturaram num coquetel da crueldade, Antonin Artaud, Brecht e a Antropofagia de Oswald de Andrade.

Um dos fundamentos do nosso teatro da Crueldade: “A volta aos rituais coletivos dos terreiros eletronicos, das aldeia iluminadas, dos campos em alertas, das tribos urbanas de todas as tribos diversas e do Poder Popular, aprendido com as revoluções e revoltas possíveis contra o atual Colonialismo branco ocidental e seus poderosos tentáculos opressores. Esse é o maior espetáculo da crueldade que seria possível hoje em dia.”

Antonin Artuad foi na macumba em um sonho meu!

Negra Panther.

(Este texto faz parte de uns rascunhos que venho escrevendo há um bom tempo sobre os meus estudos sobre o Branco Ocidental. E misturo as minhas interPreta-Ações sobre a visão de Artaud do Homem Ocidental )

Antonin Artaud me lembra muito Lima Barreto do “Cemitério dos Vivos”.

Hoje o Teatro da Crueldade tem nuancias mais cruéis!

Negra Panther

 

As Telas Pretas e as Feijoadas!

As Telas Pretas!

Manifesto por um Cinema Independente da Diáspora

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Precisamos urgentes de nossas Telas Pretas
Precisamos urgentes de nossas Câmeras Pretas
Precisamos urgentes de nossas Histórias Pretas
Precisamos urgentes de nossas Ficções Pretas
Precisamos urgentes de nossas Dramaturgias Pretas

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A Luz explode nas Telas Pretas!

Panorâmicas e Ações nas Telas Pretas e nas TVs Mundiais.

Negra Panther.

Berlin, 20 de novembro de 2014

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CULTNE – Jah Clip Enugbarijô

Ao som de Rita Marley com a música Harambe, a Enugbarijô produziu este Clipão para a galera curtir um mix de imagens de um tempo que não volta mais. Ras Adauto e Vik Birkbeck fundaram a Enúgbarijo Comunicações, que levou o nome do exú messageiro, a Boca Coletiva.

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Manifesto “DOGMA FEIJOADA”

 

Em 2000, o Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo abriga uma mostra de diretores negros. Para tanto realiza um debate em que o cineasta Jefferson De apresenta seu manifesto Dogma Feijoada que apregoava sete mandamentos ou regras para o cinema negro. São eles:

1)O filme tem que ser dirigido por um realizador negro;
2) O protagonista deve ser negro;
3) A temática do filme tem que estar relacionada com a cultura negra brasileira;
4) O filme tem que ter um cronograma exeqüível. Filmes urgentes;
5) Personagens estereotipados negros (ou não) estão proibidos;
6) O roteiro deverá privilegiar o negro comum brasileiro;
7) Super heróis ou bandidos deverão ser evitados.

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(Jefferson De)

O grupo Cinema Feijoada foi a primeira afirmação pública de diretores negros, o que é da maior importância uma vez que o modelo de produção brasileiro concentra o poder de decisão nos diretores. Assim sendo, o manifesto do grupo, vai ao âmago das questões (inclusive raciais) que evolvem a representação, que é, exatamente, o de discutir quem detém o monopólio de construir representações de si, do seu grupo social, e dos outros.

Na mesma linha, outro manifesto foi lançado em 2001 durante a 5ª edição do Festival de cinema do Recife. Atores e realizadores negros assinaram o Manifesto do Recife em que reivindicavam:

1) O fim da segregação a que são submetidos os atores, atrizes, apresentadores e jornalistas negros nas produtoras, agências de publicidade e emissoras de televisão;
2) A criação de um fundo para o incentivo de uma produção audiovisual multirracial no Brasil;
3) A ampliação do mercado de trabalho para atrizes, atores, técnicos, produtores, diretores e roteiristas afro-descendentes.
4) A criação de uma nova estética para o Brasil que valorizasse a diversidade e a pluralidade étnica, regional e religiosa da população brasileira.

O manifesto foi assinado por Antônio Pitanga, Antônio Pompêo, Joel Zito Araújo, Luiz Antônio Pillar, Maria Ceiça, Maurício Gonçalves, Milton Gonçalves, Norton Nascimento, Ruth de Souza, Thalma de Freitas e Zózimo Bulbul. No mesmo festival foi apresentado o filme A negação do Brasil (2000), dirigido por Joel Zito Araújo. O filme é em si um manifesto audiovisual sobre a necessidade de se construir representações democráticas do Brasil. (negromidiaeducacao)

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A cineasta baiana Viviane Ferreira (de amarelo)  dirigindo Débora Marçal no filme  “O Dia de Jerusa”

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Mumbi7Cenas Pós Burkina” mostra a angustia de Mumbi, uma jovem cineasta, que após participar de um dos maiores festivais de cinema do mundo, se vê enclausurada em seu interior sem saber qual será sua próxima obra. A partir do diálogo entre seu pensamento e suas lembranças de obras marcantes do cinema brasileiro, Mumbi se liberta. – Viviane Ferreira

 

“Coragem Civil – Zivil Courage!”

A Passeata mais louca que já participei na minha vida de Ativista.

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Em 2.000, uma série de atentados violentos neonazistas na Alemanha levou a um levante coletivo da sociedade, numa reação até hoje sem precedentes

Um pool de organizações anti-nazistas, anti-racistas e outras fizeram uma campanha massissa nacional convocando a sociedade a se colocar frente ao avanço neonazis que estava se expandindo rapidamente e já com vítimas fatais e atentados a comércios e lojas de estrangeiros, cafés e bares de homossexuais e lésbicas, centros socais de estrangeiros, incêndios em moradias de refugiados africanos e ciganos, incêndio de prédio com famílias turcas dentro e assassinatos de pessoas, como o africano que jogaram pela janela do trem do metro na zona oriental de Berlin.

Essa chamada cresceu rapidamente com a grande adesão de personalidades políticas, sociais, econômicas, culturais e principalmente a adesão em peso da classe artística alemã. As mídias encamparam a campanha, até o jornalismo marrom e bafon, que é contra qualquer coisa, entrou no rodamoinho.

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Coragem Civil: Racismo! Não Obrigado!

Dessa poderosa ação  foi lançado uma organização/idéia, de eixo coletivo, chamada “Zivil Courage” (Civil Coragem). E por várias semanas comités se espalharam pelos bairros de Berlin explicando à população o que era a resistência Coragem Civil e convocava a população a fazer parte do grande movimento contra o racismo, contra o nazismo, contra a xenofobia, contra o sexismo, contra as guerras mundiais e pela Paz entre os Povos.

Nesse momento estava acontecendo um Festival de Música Brasileira no antigo Tempodrom, que era o nosso “Circo Voador” de Berlin. E naquela noite se apresentava o Olodum e seus tambores.

Antes do show aconteceu o lançamento do Zivil Courage para o público presente que lotava o circo. E para a breve cerimonia e rápidos debates do evento, João Jorge do Olodum e eu, Ras Adauto, junto com mais dois brasileiros residentes de Berlin, fomos convidados para compormos a mesa da cerimonia. A partir daí éramos membros do “Zivil Courage”.

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 “Ich bin eine afrodeustch” (eu sou uma afro-alema): a poeta May Ayim, símbolo-memorial da luta contra o racismo e contra o nazismo na Alemanha. May Ayim, the Afro-German poet, writer, activist.

Na semana seguinte acontecia então o grande lançamento público no centro histórico de Berlin. Uma gigantesca Marcha com cerca de 3. milhões de pessoas vindas de todas as partes da Alemanha e de vários países da Europa. Gente de todas as nacionalidades, cores, políticas, movimentos, acoes, etc marcharam naquele dia contra o racismo e contra o nazismo. O tema central era: “Ich bin deutsche auch” (Eu também sou alemão/alemã). Grandes paineis e galhardoes com imagens/fotos de afro-deutsches, africanos e outros afro-descendentes que vivem em Berlin vestidos com camisetas com a frase “Ich bin deutsche auch” estavam erguidos em muitos prédios ao longo da marcha. E outros símbolos também presentes eram a Estrela de Davi e os baloes verdes do Partido Verde alemao. Mas haviam outros símbolos, bandeiras, estandartes, posters, faixas e etc de todo tipo de organizações-políticos-sociais-culturais-artísticas, alemães e estrangeiras.

A passeata deu seu start às portas da Sinagoga da Cúpula Dourada, na Oranienburger Strasse, com o discurso da Presidente do Centro Judaico de Berlin.

Foi a passeata mais louca que já estive presente. Parecia que o mundo todo do mundo estava nela. Era um rio de almas carregando a idéia do Zivil Courage. E em alguns momentos todas as vozes num coro muito abismante gritavam: “Nazis Raus! Nazis Raus! Nazis Raus!”. (Fora Nazistas! Fora Nazistas! Fora Nazistas!) E os edifícios vibravam com aquele rugido ensurdecedor das ruas.

Quando caiu à noite, holofotes, desses que vasculham as noites de guerras, varriam luzes sobre a passeata, enquanto centenas e centenas de carros de polícia, bombeiros, ambulâncias e defesa civil piscavam suas luzes vermelhas, amarelas e azuis como grandes pirilampos. Aí se acenderam às milhões de velas pelas vítimas do nazismo e do racismo. E uma imensa serpente de luzes se rastejou pela noite especial e inesquecível de Berlin.

Foi a primeira passeata do Leon, no momento com 1 ano. Lembro-me bem, ele no carrinho de olhos arregalados olhando pirado aquela coisa toda passando diante dele.

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foto/propaganda: zivil courage: “Nazis Raus!” (Fora Nazis!)

Nós somos do Zivil Courage!

Negra Panther.

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Poema da ativista, escritora, educadora e poeta afro-alemã  May Ayim:

“AFRO ALEMÃ ?”

“Ah, sim! Afro-alemã?

ah, entendo: africana e alemã.

Isso sim que é uma mistura interessante!

Saiba voce, todavia, que existem pessoas que pensam

que os “mulatos” não podem

chegar tão longe

como os brancos.”

 May Ayim,

tradução: Ras Adauto

Linton Kwesi Johnson – Reggae para May Ayim

 

Sessão Cinema: Thomas Sankara, o “Che Africano”

“Em Bukina Faso surgiu um guerreiro/todo pleno/pelo seu Povo. E declarou guerra à Franca colonial de Mitterrand. Seu nome está gravado no Pantheon dos Heróis e Heroínas da Luta de Libertacao da África. Thomas Sankara, O Che Africano. – Negra Panther.

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Quem foi Thomas Sankara?

“Poucas pessoas da esquerda conhecem Thomas Sankara. Ele, que é considerado o Che Africano por suas semelhanças com o guerrilheiro argentino (desde a boina até o fato de falar francês e a amizade com Fidel) comandou um pequeno país africano por menos de uma década, mas fez ele progredir de forma extremamente rápida.

Em 1983, ele – então um capitão de 33 anos – liderou um golpe popular contra o governo do Alto Volta(antiga colônia francesa) e mudou completamente a política daquele país empobrecido.

A primeira ação foi mudar o nome do país para Burkina Faso (‘’Terra dos Homens Justos’’ na língua local) para tornar o país independente e destruir o odiado passado colonial. Não só isso, mas ainda livrou o país das dívidas e da influência do FMI e do Banco Mundial.

Suas políticas domésticas focaram em evitar a fome com uma reforma agrária com ênfase na autossuficiência, priorização da educação com uma campanha nacional de alfabetização, e promoção da saúde pública ao vacinar milhões de crianças contra doenças como meningite e febre amarela. Ainda fez uma ambiciosa campanha de construção de estradas e trilhas.

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Sankara também fez coisas maravilhosas para as mulheres. Mulheres conseguiram cargos em seu governo, que proibiu a mutilação genital, a poligamia e os casamentos forçados. Fez muito mais: encorajou-as a permanecer trabalhando e estudando mesmo se grávidas. Veja o discurso de Sankara sobre as mulheres em espanhol:

http://andaluciaproletaria.blogspot.com/2010/01/la-liberacion-de-la-mujer-una-exigencia.html

Para combater os corruptos, Sankara chegou a instituir tribunais revolucionários e mesmo Comitês de Defesa da Revolução (baseando-se na Revolução Cubana, que ele admirava).

Tais atitudes enfureceram os imperialistas franceses. 4 anos depois de tomar o poder, foi deposto e assassinado em um golpe financiado por um cara pago pela frança que até hoje é presidente do país.

Uma semana antes de morrer, declarou: ‘’você pode matar um revolucionário, mas não pode matar idéias’’.”

BLOGGAK

http://blogak-47.blogspot.de/2011/07/quem-foi-thomas-sankara.html

 

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Thomas Sankara. “…e naquele dia mataram a felicidade” (sub PT)

Um documentario de Silvestro Montanaro, produzido pela Rai 3 (emissora pública italiana) em 2013.

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26 anos atrás, um pequeno homem de pele negra desafiou os poderosos do mundo. Ele disse que a política fazia sentido somente se trabalhava para a felicidade dos povos. Ele afirmou, com o seu próprio exemplo pessoal, que a política era serviço, não poder ou enriquecimento pessoal. Ele apoiou as razoes dos ultimos, dos diferentes e das mulheres. Ele denunciou o domínio criminoso da grande finança. Desrespeitou as regras de um mundo baseado numa competitividade que sempre pune os humildes e os que trabalham. E que sempre enriquece os marionetistas desta estúpida arena. Gritou que o mundo era para as mulheres e os homens, todas as mulheres e todos os homens e que não era justo que a maioria deles só podessem olhar para a vida de poucos e tentar sobreviver. O mataram e tentaram apagar qualquer lembrança dele. Mas Sankara vive!

tradução: Ednea Sales e Carlinho Utopia com a colaboração de Ana Lidia Lopes
legendas: Carlinho Utopia

 

“Quantos Palmares ainda?”

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No Dia 20 de Novembro de 2014

“Quantos Palmares ainda?”

Quantos Palmares rebeldes e em ebulição 
ainda precisaremos ter ?

Quantas lutas e batalhas insanas
contra um inimigo ardiloso, cínico e assassino de nossa juventude
o povo preto precisará travar no seu dia-a-dia
para seguir o seu rumo ?

Quantas leis, quantas constituições, quantas cotas, quanto sangue
derramado nos becos escuros, quantas raivas anuladas,quantos dramas familiares de subúrbios e mocambos, quantos sonhos nervosos, quantas cadeias e correntes a serem explodidas precisaremos ter a todo momento pelos nossos direitos e respeitos ?

Quantos Brasis flagelados  precisaremos ainda
para termos o tom certo do nosso sentido de igualdade
na República dos privilégios e Racistas?

Quantos tambores e quantas vezes ainda
os tambores de guerra da nossa gente
chamarão para o acerto final ?

Quantas Dandaras ?
Quantos Zumbis ?
Quantas Marias e Joãos  do povo
precisaremos ainda encarnar
aqui agora e a todo momento ?

Quantas Nzingas e Luizas Mahins ?
Quantas minas, quantos Quilombos em revoltas ?

Quantas Áfricas ?

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Quantas ?

Negra Panther.

foto: Jorge Ferreira
foto: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

“Escravo roubado” – Quanto vale ou é por quilo? (Cena 2/6) 

Escravo roubado.
Extraído do Arquivo Nacional, 1799, Rio de Janeiro, Vice-Reinado, Caixa 490.
Cena retirada do filme Quanto vale ou é por quilo (2005) de Sérgio Bianchi.
Com Antônio Abujamra e Zezé Mota.
Editado para auxiliar na utilização do tema em sala de aula e pesquisa no ensino de História.
Enviado por Professor Grilo

 
 
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