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Estudando o Branco!

27 nov

Estudando o Branco!

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O Espetáculo Pútrido e o Teatro da Crueldade!

Hoje me lembrei que quando estava mais jovem e comecei a me interessar pelo teatro lia um livro que não largava, “O Teatro e seu Duplo”, do louco genial francês Antonin Artaud.

Nesse livro que é um manifesto definitivo de Artaud contra o teatro e a civilização ocidental, a parte que eu mais gostava é quando ele descreve a sua visão sobre o teatro ocidental e por extensao todo o ocidente branco. Ele dizia que o “branco”, na natureza, era pútrido ou apodrecendo. E vai por aí em seu delírio.

Artaud foi internado no maior hospício da Franca e serviu de cobaia e torturas psiquiátricas e mesmo assim detonou os seus petardos do que chamou de “Teatro da Crueldade”. A idéia de uma crueldade libertadora que se exerce contra o sistema da representação que domina nossa sociedade do espetáculo e por extensão o mundo: o personagem branco ocidental e violento com todas as suas armas e controles de guerras. Mas que está “pútrido”, se arrastando tragicamente pela natureza, destruindo tudo.

Em sua busca de romper com esse “ser pútrido” Araud foi inclusive até ao México, em seus delírios e acoes, e encontrou o ritual do cacto mexicano peyote entre os índios Tarahumara (Les Tarahumaras).

Num trecho de um poema seu, Artaud especifica esse ser Branco Ocidental. Pode-se ler como uma anti-missa latina. O sacerdote está trancafiado no Hospício, mas fala para um rato branco, no qual ele vê “o ser ocidental”, que cruza a sua cela:

“pesti anti pestantum putara
pest anti pestantum putra”

No final o rastro de um entendimento é mais ou menos a meu ver o Teatro da Crueldade:

Na Idade Média houve a Peste Negra
Hoje temos a Peste Branca!

Por isso Artaud vai falar de Assassinato!

Zé Celso e o Teatro Oficina de Sao Paulo sempre misturaram num coquetel da crueldade, Antonin Artaud, Brecht e a Antropofagia de Oswald de Andrade.

Um dos fundamentos do nosso teatro da Crueldade: “A volta aos rituais coletivos dos terreiros eletronicos, das aldeia iluminadas, dos campos em alertas, das tribos urbanas de todas as tribos diversas e do Poder Popular, aprendido com as revoluções e revoltas possíveis contra o atual Colonialismo branco ocidental e seus poderosos tentáculos opressores. Esse é o maior espetáculo da crueldade que seria possível hoje em dia.”

Antonin Artuad foi na macumba em um sonho meu!

Negra Panther.

(Este texto faz parte de uns rascunhos que venho escrevendo há um bom tempo sobre os meus estudos sobre o Branco Ocidental. E misturo as minhas interPreta-Ações sobre a visão de Artaud do Homem Ocidental )

Antonin Artaud me lembra muito Lima Barreto do “Cemitério dos Vivos”.

Hoje o Teatro da Crueldade tem nuancias mais cruéis!

Negra Panther

 

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