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O Colonialismo alemão na África e suas reparações!

30 nov

 

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Ontem estive num pódio de discussão sobre o colonialismo alemao na África. O nome do evento era. “Nachgehakt – Brandenburgische-Preußischer Kolonialismus in Afrika “ (Lembrando mais uma vez: o Colonialismo prussiano de Brandenburg na África).  O evento era uma produção de entidades políticas, educacionais  e pan-africanistas que tratam do assunto das relações e da História entre a África e a Alemanha.

Além dos debates, discussões e temas apresentados, foi uma ação para ligar organizações que tratam desse tema espinhoso, até hoje na Alemanha, entre Berlin e Brandenburg. A minha organização Nijinski Arts Internacional e.V. faz parte desse pool de entidades que trabalham com o tema em projetos com jovens de várias nacionalidades nas áreas de mídia (TV e documentários realizados por jovens estudantes), educação e tolerância, reparações  e contra o racismo. Por isso estávamos lá para participar e documentamos e reportamos o encontro.

_MG_8265 _MG_8285 Equipe da Nijinski Arts Internacional e.V., sob a direcao da Cineasta e pedagoga Katharina La Henges. 

O local do encontro é uma área emblemática da história colonial da Alemanha na África, a “Haus der Brandenburgisch-Preußischen Geschichte” (Casa da História prussiana em Brandenburg). O centro fica num antigo pátio que se ligava a um dos palácios dos “Preußischer Fürst” (reis e príncipes prussianos) que tiveram papel destacado na história da colonização alemã na África, notadamente em Gana e mais tarde da Namíbia e em outras regiões do continente. Foi dali que partiu o primeiro projeto financiado por príncipes e ricos comerciantes (século XVI) de  exploracao de rotas comerciais coloniais e ocupação na África, que no século XIX viria a ser chamado de  “Império Colonial Alemão”. Termo empregado para designar uma área ultramarina formada no final do século XIX como parte do Império Alemão da dinastia Hohenzollern. A Alemanha só passou a administrar colônias em África – o Tanganica e o Sudoeste Africano Alemão, atual Namíbia – a seguir à Conferência de Berlim e perdeu-as com a sua derrota na Primeira Guerra Mundial. A Conferência de Berlim foi realizada entre 19 de novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885, e teve como objetivo organizar, na forma de regras e divisões, a ocupação de África pelas potencias coloniais europeias e resultou numa partilha que não respeitou, nem a história, nem as relações étnicas e mesmo familiares dos povos desse continente em causa. O congresso foi proposto por Portugal e organizado pelo Chanceler Otto von Bismarck  da Alemanha, assim como participaram ainda a Inglaterra, Franca, Espanha, Itália, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Estados Unidos, Suécia, Áustria-Hungria, Império Otomano, hoje a Turquia.

berliner-kongress-by-anton-von-werner   A Conferencia  de Berlin  

Reichskolonialflagge.svg  A bandeira do Império Colonial alemão na África

Durante a manhã, o evento apresentou uma exposição e explanações sobre a história colonial e pós-colonial por jovens estudantes que trabalham com o assunto em Brandenburg.

À tarde o pódio de discussão continuou o tema, mas com dados muito importantes: a dificuldade da Alemanha em assimilar até hoje esse lado de sua história e o silencio que ronda os governos alemães em relação aos assuntos, os prejuízos e as reparações da Alemanha com a África pelo seu passado violento, explorador colonial no continente. O segundo dado, o mais discutido, versa sobre as dificuldades de educadores e pedagogos (alemães, afro-alemães, africanos e outros da diáspora africana que vivem no país) de implementarem o assunto “O Colonialismo alemão na África” nos currículos de História, além dos laudatórios de sempre quando se conta o percurso da Alemanha imperial no continente africano. Essa resistência  oficial é acrescida em correntes de educadores e professorado, que acreditam que esse tema é superado e não teria assim muita importância levar isso aos alunos, além do que já apresenta a História.

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Rolaram várias idéias e propostas para a continuidade e pressão aos órgãos do governo nas áreas da educação oficial, em Berlin e Brandenburg; a continuidade de projetos extra-curriculares em escolas e colégios como vem sendo realizados até agora, e a continuidade dessa rede de entidades que está trabalhando com o tema permanentemente nessa região da Alemanha.

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A ativista e educadora Marianne Balle Moudoumbou, do Pan-African Women´s Empowerment and Liberation Organization Germany (PAWLO) e.V. , em sua intervenção  recitou poemas e textos da poeta, ativista, jornalista e educadora May Ayim, símbolo da luta anti-racista afro-alemã. Em seu comentário, Marianne foi mais longe ainda na questão educacional: para ela as crianças africanas nas escolas alemães deveriam ter em suas matérias estudos de suas línguas maternas também, além do português, francês, inglês, alemão, etc.

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O debate sobre a implantação do tema colonialismo na educação alema lembrou-me muito a dificuldade que estamos tendo no Brasil para a implantação da Lei 10.639/03 e o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana. Nesse assunto “reparações aos africanos e seus descendentes” temos muito em comum, entre a Alemanha e o Brasil.

Fotos: Ras Adauto

Negra Panther.

 

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