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Arquivo mensal: dezembro 2014

O Colonialismo Alemão e o Dia Internacional dos Direitos Humanos 2014

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Hereros foto/storian

 

Ontem,  Dia Internacional dos Direitos Humanos, realizamos o segundo ato do Projeto  Mídia “Deutschen Kolonialismus in Afrika” (Colonialismo alemão na África).

Desta vez foi com a Escola Werder, em Brandenburg. Onde cerca de 40 jovens do curso colegial participaram das três estações  e duraram o dia inteiro.

A primeira estação

– Escola Werder: Aulas e Workshops sobre a História do Colonialismo alemão e as suas consequências  na Alemanha hoje. Das 8 às 12 horas, estudantes participaram ativamente das explanações, debates, jogos ilustrados e filmes sobre a ocupação  do império prussiano na Namíbia e o Genocídio dos Hereros. A relação dos métodos nazistas de torturas, violência e extermínios no tempo da segunda guerra mundial, programados por gente como o médico eugenista Josef Menegele, métodos aperfeiçoados das técnicas utilizadas pela Alemanha na colonização na Namíbia. OTema: “Colonialismo alemão, suas consequências e as relações internas e com a África nos dias atuais. Ministrados pelxs Educadorxs e ativistas:

–  Birgt Gericke,  Berlin-Brandenburgischen Auslandsgesellschaft e.V., centro intercultural e de encontros de Estrangeiros Berlin-Brandenburg. A educadora tratou sobre o Império Colonial Prussiano de Brandenburg e as ocupações em Gana e Namíbia.

–  Lawrence Oduro-Sarpong, da organização  AfricAvenir International e.V. Sua aula abordou a ocupação colonial alemã em Gana e na Namíbia. Os massacres e as violencias de povos no sul da África e o genocídio dos Hereros. Projetou e comentou trechos de filmes documentários da história do império colonial alemão no sul da África, e a ligação entre os métodos de violência praticados contra os Hereros e a sua extensão e aperfeiçoamento  durante o período nazista.

– Os líderes do movimento de refugiados africanos em Berlin, Muhamed e Patras Bwansi, das organizações The AFRICAN REFUGEES UNION (ARU) e  Refugee Strike Berlin. Explanaram sobre a situação  e os dramas dos refugiados africanos na Alemanha nesse momento: os impasses com o governo alemão sobre direitos de Asilo de africanos no país, a violência e o racismo sofridos pela polícia, grupos de extrema direita e pela mídia racista.

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Prisioneiros Hereros. foto/storian

 

A segunda estacão 

Aconteceu em Berlin, no Afrikanisches Viertel im Wedding Berlin (Quarteirão Africano no bairro Wedding). Esse local é considerado um lugar histórico na relação da Alemanha e África. Ali estão localizadas marcos memoriais e as ruas:  Afrikanische Straße, Damarastraße, Dualastraße, Ghanastraße, Guineastraße, Kameruner Straße, Kongostraße, Lüderitzstraße, Mohasistraße, Otawistraße, Petersallee, Sambesistraße, Sansibarstraße, Senegalstraße, Swakopmunder Straße, Tangastraße, Togostraße, Transvaalstraße, Ugandastraße, Usambarastraße,  Windhuker Straße e  Nachtigalplatz ( de Gustva Nachtigal, um conhecido explorador alemão da África Ocidental e Central).

– Os educadores e veteranos ativistas africanos em Berlin  Muyaka Sururu Mboro (Tanzania) e Israel Kaunatjike (descendente de Hereros da Namíbia), da organização Berlin PostKolonial e.V.,  realizaram uma aula-palestra em tour pelas ruas e marcos históricos do quarteirão ; narraram a história do local desde o seu primeiro projeto, do final do século XIX,  sob o peso do império colonial na África, até os dias atuais. Um dos pontos abordados é a grande controvérsia com o governo alemão, senado e departamentos de marcos e memoriais da prefeitura  e as organizações africanas em Berlin:  os nomes de três ruas com personagens, que na história do colonialismo foram figuras marcantes no processo militar, policial,  comercial e exploração da África –  Gustav Nachtigal, Franz Adolf Lüderitz e Carl Peters em pontos estratégicos do “Quarteirão Africano”. A comunidade africana do bairro e as várias organizacoes políticas, sociais e culturais do movimento negro em Berlin há anos enfrentam uma  indisposta e surda burocracia para a mudança desses três nomes colonialistas por nomes africanos ligados à luta anticolonial na África.

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Jocina, africana da jovem geração em Berlin foto/rasadauto

 

A terceira estacão 

Foi na Şehitlik-Moschee (Mesquita central turca)  em Berlin Neukölln.

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Nova geração turca em Berlin

 

Ender Cetin, líder religioso da comunidade turca islâmica proferiu uma longa palestra sobre o colonialismo alemão e as relações históricas, conflituosas e diplomáticas com a Turquia e os países de religião islâmica, a divisão do Islã sob as guerras ocidentais de ocupação e os dias atuais.  Além dos alunos e professores da Escola Werder , estiveram presentes na Mesquita assistindo o evento estudantes, educadores/as, líderes religiososda comunidade turca de Neukölln e Kreuzberg.

O terceiro ato do projeto em Brandenburg acontecerá em janeiro, quando alunxs da Escola Werden apresentarão os seus relatórios sobre o Tema, para uma discussao aberta com professores e convidados especialistas no assunto.

Iniciativa da Nijisnki Arts Internacional e.V. em associação com várias organizações políticas, socais e interculturais e instituições educacionais de Berlin/Brandenburg. Com direção  da educadora e cineasta Katharina La Henges. Conselho: professora Brita Hages  (Werden Brandenburg) e Ras Adauto (Berlin).

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Passeata em Berlin, em memória aos africanos exterminados na chamada Maji-Maji-Krieg (guerra Maji-Maji) de 1905 à 1907, regiao da Tanzania. Uma das maiores guerras colonaiis da história do continente africano. foto/Berlin PostKolonial e.V. – 2005.

Negra Panther.

Nijinski Arts Internacional e.V.

A Alemanha devolveu à Namíbia 20 caveiras de pessoas mortas na guerra colonial que conduziu contra as tribos Herero e Nama entre 1904 e 1908.

Euro News 2011

 

 

O Grande Xavante e a Corrupção da República!

O Grande Xavante e a Corrupção da República!

imagem: O Pasquim

imagem: O Pasquim

Hoje lembrei-me do grande Xavante Mário Juruna.

Em um dos encontros ocasionais ou em movimentos em que estive com ele, estava em Brasília num evento de “Vídeo nos Movimentos Populares”. E num dos bate-papos que rolou foi com o Juruna;  Juruna era Deputado Federal pelo PDT e naquele momento estava sendo atacado por políticos, latifundiários, direita racista e mídias golpistas de corrupção. O índio estava bravo com isso e em suas declarações públicas ele colocava a sua posição contra a infame acusação.

Em 1984, denunciou o empresário Calim Eid por tentar suborná-lo para votar em Paulo Maluf, candidato dos militares à presidência da república no colégio eleitoral. Votou em Tancredo Neves, candidato da oposição democrática. O dinheiro havia sido depositado em sua conta, à sua revelia. E alguém maliciosamente tinha reportado o fato. Pronto, Juruna estava na rota de sua desconstrução  política.

Um dia, Juruna chamou para uma coletiva de imprensa e se apresentou para a sua versão dos fatos. Depositou uma mala cheia de dinheiro na mesa, ligou o seu gravador e disse que estava devolvendo o dinheiro à Paulo Maluf.

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O Deputado Federal Mário Juruna, no Parlamento, recebendo os parentes na Câmara dos Deputados. -Foto: gazetadebeirute

Naquele nosso encontro em Brasília, no bate papo com os “videoteipeiros”, Juruna estava forte e fraco ao mesmo tempo. Mas estava inteiro, digno e guerreiro, orgulho do povo Xavante e de todos os povos das Florestas, como se dizia nessa época nos Movimentos indígenas e dos povos das Florestas. Mas esse fato, atingiu também a sua gente, e muitos indígenas passaram a desconfiar de Juruna.

Juruna ainda tinha um perrengue. Mesmo sendo um político do parlamento brasileiro, Juruna não tinha autorização para deixar o país, mesmo em missões oficiais de parlamentares no exterior. Pois era preso por um antigo “esquema legal” de tutelas do povo indígena no Brasil. Qualquer indígena só poderia deixar o país com uma autorização oficial de órgãos do governo. E várias vezes, Juruna teve seu pedido de viagem ao exterior negados pelas autoridades brasileiras e departamentos mesquinhos.

Darci Ribeiro e Mário Juruna (PDT) foto: socialistamorena

Darci Ribeiro e Mário Juruna (PDT)
foto: socialistamorena

Juruna era grande demais para caber dentro dessa máquina corrupta. criminosa e destruidora que funciona a todo vapor em Brasília e na política corrupta brasileira. E hoje de manha, ao café, ao lembrar do grande Cacique, imaginei a indignação que ele não estaria com essa novela sobre a possibilidade da Senadora e latifundiária Kathia Abreu, para o Ministério da Agricultura do governo Dilma. Juruna pegaria agora o seu Smartphone turbinado, desceria no Planalto Central para registrar tudo o que o branco diz” e constatar que as autoridades, na maioria das vezes, continuam sem cumprir com a palavra. E são perigosos e corruptos para a República.
Negra Panther.

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Um pouquinho de Juruna

(Wikipedia)

Mário Juruna (Barra do Garças, 3 de setembro de 1942 ou 1943 — Brasília, 18 de julho de 2002) foi o primeiro deputado federal brasileiro pertencente a uma etnia indígena.

Nasceu na aldeia xavante Namakura, próxima a Barra do Garças, no estado de Mato Grosso, no Brasil. Era filho do chefe da aldeia, Apoenã. Viveu na aldeia, sem contato com o a população branca brasileira, até os dezessete anos, quando sucedeu seu pai na liderança da aldeia.

Na década de 1970, ficou famoso ao percorrer os gabinetes da Fundação Nacional do Índio, em Brasília, lutando pela demarcação de terra para os índios, portando sempre um gravador “para registrar tudo o que o branco diz” e constatar que as autoridades, na maioria das vezes, não cumpriam a palavra.

Foi eleito deputado federal pelo Partido Democrático Trabalhista (1983-1987), representando o estado do Rio de Janeiro. Sua eleição teve uma grande repercussão no país e no mundo. Foi o responsável pela criação da Comissão Permanente do Índio no Congresso Nacional do Brasil, o que levou o problema indígena ao reconhecimento formal. Em 1984, denunciou o empresário Calim Eid por tentar suborná-lo para votar em Paulo Maluf, candidato dos militares à presidência da república no colégio eleitoral.1 Votou em Tancredo Neves, candidato da oposição democrática.

Não conseguiu se reeleger em 1986, mas continuou ativo na política por vários anos. Findo o mandato e abandonado pela tribo, ficou na miséria, vindo a falecer em decorrência de diabetes.

Mário Juruna fala sobre a Corrupção  no Brasil em 1983.

Jururã – O Espírito da Floresta

 

Cadê o Amarildo ? – mantendo a memória viva!

Docureportagem liberado pelo CULTNE hoje dia 05 de dezembro de 2014: um momento do movimento “Cade o Amarildo”. Cultne com imagens e edição de Filó Filho registrou a manifestação na Rocinha sobre o desaparecimento do pedreiro Amarildo. CULTNE é uma grande co-irmã da PPABerlin.

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Manifestação na Rocinha sobre o desaparecimento do pedreiro Amarildo. Cultne com imagens e edição de Filó Filho registrou a manifestação.

Amarildo Dias de Souza (Rio de Janeiro, 1965/1966) é um ajudante de pedreiro brasileiro que ficou conhecido nacionalmente por conta de seu desaparecimento, desde o dia 14 de julho de 2013, após ter sido detido por policiais militares e conduzido da porta de sua casa, na Favela da Rocinha, em direção a sede da Unidade de Polícia Pacificadora do bairro. Seu desaparecimento tornou-se símbolo de casos de abuso de autoridade e violência policial.1 Os principais suspeitos no desaparecimento de Amarildo são da própria polícia.

Morador desde que nasceu da favela na Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, Amarildo era o sétimo de 12 irmãos e filho de uma empregada doméstica e de um pescador.5 6 Analfabeto, só escrevia o próprio nome e começou a trabalhar aos 12 anos vendendo limão. Casado com a dona de casa Elizabeth Gomes da Silva e pai de seis filhos, com quem dividia um barraco de um único cômodo.5 Conhecido como “Boi”, trabalhava como pedreiro e fazia bicos na comunidade.

Entre os dias 13 e 14 de julho de 2013, uma operação batizada de Paz Armada mobilizou 300 policiais na Rocinha e prendeu suspeitos sem passagem pela polícia, logo depois de um arrastão ocorrido nas proximidades da favela, e de acordo com a polícia, 30 pessoas foram presas, entre elas Amarildo.5 6 Ele havia acabado de voltar de uma pescaria e foi detido e conduzido por policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha na noite do dia 14. Liberado após poucos minutos na delegacia após concluída a averiguação na UPP da Rocinha, desde então não se conhece o paradeiro do pedreiro. Dois dias depois, a família registrou o seu desaparecimento.

Segundo a versão da polícia, os PMs teriam confundido Amarildo com um traficante de drogas com mandado de prisão expedido pela Justiça. A própria polícia ou traficantes da comunidade são os principais suspeitos do desaparecimento de Amarildo.

Na noite em que foi detido, duas câmeras diante da UPP tiveram problemas e o GPS dos carros de polícia estavam desligados. Responsável pelas duas câmeras da UPP, a Emive constatou que elas estavam queimadas e alegou que falhas são frequentes em redes elétricas instáveis. No entanto, das 84 câmeras na Rocinha, apenas as da UPP apresentaram problemas naquela noite.

A polícia civil foi informada de que um corpo tinha sido encontrado na comunidade da Rocinha e os agentes foram procurá-lo, mas constataram que não era de Amarildo.

O caso de Amarildo virou um símbolo de desaparecimentos não esclarecidos pela polícia.1 A campanha “Onde está o Amarildo?” foi iniciada nas redes sociais, especialmente pelo Facebook, com o apoio de movimentos como as Mães de Maio e da Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência. Foram organizados atos por moradores da Rocinha, contando com a participação da sociedade civil. A repercussão aumentou, artistas como MV Bill, Wagner Moura e Caetano Veloso manifestaram-se publicamente, assim como a Comissão da Verdade fluminense O desaparecimento também passou a ser conhecido internacionalmente, desde a Anistia Internacional ao Financial Times.

O governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral recebeu a família de Amarildo e prometeu “mobilizar todo o governo” para encontrá-lo. A família do pedreiro entrou no programa de proteção à testemunha.

Fonte: CULTNE

CULTNE – Cadê o Amarildo

 

 

O Drama dos Africanos e as Drogas em Berlin Kreuzberg!

Dealer

foto/tagesspiegel

Há duas semanas atrás dois jovens africanos (um da Tunísia, 16 anos;  e outro da Argélia. 17 anos) entraram em conflitos com os donos e fregueses de um bar aqui perto de casa. O resultado foi: o café-bar Sichas depredado e os dois africanos foram parar no hospital gravemente feridos por facadas.

Pode parecer apenas um conflito racista ou vandalismo de jovens embriagados e doidões, desses que rolam nas noites e madrugadas de Berlin, na região de Kreuzberg. Mas vai além disso.

Esses jovens fazem parte da legião dos mais de 250 africanos, de várias partes do continente, que ocupavam até esse dia o “Görlitzerpark“, um parque famoso desse lado de Berlin, numa refuga que se intensificou nos inícios da primavera e que teve seu auge no verão desse ano. O Görlitzerpark sempre foi conhecido como “área livre” de circulacao e consumo de marijuana no bairro.

Controlados por “máfias invisíveis” alemães, russas e outras, são conhecidos por “Dealer” pela polícia. Que no dialeto local seria os “Vapores” (vendedores de bagulho).

Eles se distribuem ao longo do parque em “bocas”, cada uma dividida por jovens e mesmo alguns mais velhos, “obedecendo” as suas nacionalidades. E vez por outra surgiram conflitos entre eles dentro do parque, porque alguém invadiu o território do outro.

No verão turístico foi o grande “boom” das bocas. E também de muitas incursões da polícia no parque para desmantelar o negócio. Mas parecia que tinha uma comunicação entre todo mundo e quando a policia entrava no parque, as bocas sumiam como um milagre. E era só os meganhas baterem em retirada e milagrosamente as bocas surgiam das moitas e das árvores. Assisti várias vezes esse jogo de esconde-esconde durante o verão. E às vezes a polícia conseguia pegar um ou dos ou três. E lá se iam eles amarrados em uma corda os três com um parrudo choque puxando-os até o camburão naquele velho teatro da polícia.

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Como a subprefeita da região,  Monika Herrmann., foi eleita na última eleição defendendo a liberação da maconha em Kreuzberg, questionada por moradores locais sobre a “crescente criminalidade” no parque, Monica apresentou um projeto de implantação de um Coffeshop, desses que existem em Amsterdam, para a área do Görlitzerpark. Apresentou, em reuniões e assembléias comunitárias em alguns lugares do bairro. Mas o projeto se esqueceu de um grande detalhe: o que fazer com aquele imenso contingente de africanos, muitos indocumentados, que faziam o comércio da marijuana no parque? Até agora ela não respondeu e o projeto sumiu.

Pois bem: com a vinda do outono, observou-se que nos últimos meses haviam chegados mais africanos no parque, com esmagadora maioria de jovens, entre 16 a 18 anos. E aí aconteceu um troco: como o parque já era loteado por “tribos” diferentes, esses jovens foram expulsos do parque e passaram a ocupar as ruas ao redor e ocupando também as instalações da estacão de metro Görlitzer Banhof. E a disputa entre eles foi ficando acirrada nas ruas e também tendo atritos com comerciantes locais, pois alguns se instalavam nas portas de estabelecimentos.

Houve em agosto uma manifestação anti-racista na porta de um café-bar tradicional da área, porque o dono do estabelecimento proibiu a entrada de africanos e outras pessoas negras no local. E isso é quase uma afronta à tradição do bairro de Kreuzberg, bairro de massissa presença de migrantes e das lutas anti-racistas. E aconteceram outras várias manifestações anti-racistas contra o tratamento que a polícia estava dando aos africanos que eram presos em suas batidas.

Com a baixa temperatura que está acontecendo em Berlin, esses jovens que ficam perambulando nas ruas tentando vender os seus bagulhos debaixo do maior frio, muitas vezes entram nos bares e cafés para se aquecerem. E como já está essa animosidade no comércio contra eles, são expulsos. E me parece, numa história até agora bem confusa, foi o que aconteceu com os dois jovens que foram esfaqueados dentro do Sichas Bar, na Skalitezerstrasse há duas semanas atrás. Um dos donos do estabelecimento disse em entrevista na televisão, que os jovens estavam assediando fregueses, oferecendo drogas dentro do bar e quando eles pediram para eles saírem, começaram a depredação do bar. Mas não falou como os jovens foram esfaqueados e por quem?

A polícia no dia seguinte, e segue até esse momento, começou uma grande operação de desmantelamento no parque e nas redondezas. Nos três dias que se seguiram aconteceram várias prisões e confrontos entre africanos e a polícia nas ruas e dentro do parque.

Nesse momento, a polícia ocupa todos os dias, as entradas e saídas do parque. Em alguns lugares onde que ficavam “as bocas” foram cercados por barreiras. E tem um detalhe curioso nessa operação: os africanos ficavam embaixo das árvores e escondiam os sacos do bagulho nas muitas moitas ao longo do parque, para evitarem flagrantes de uma possível “razzia” (blitz). A semana passada, a subprefeitura colocou uma equipe de funcionários e máquinas podando árvores e rapando o máximo possível as moitas ao longo do Gölitzer.

Muitos africanos sumiram do cenário, o parque está vazio como nunca aconteceu na história de Kreuzberg, mas tem alguns que tentam manter o “negócio” perambulando pelas ruas em torno do parque, no sufoco da fome e do frio. E há três dias atrás, dois se desentenderam na Falkener Straße e se esfaquearam no meio da rua. Pronto! Sujou mais ainda.

Há dois dias atrás um jornal-revista de televisão,o  SPIEGEL TV – Magazin, Reportage, Special, Thema,  num de seus seguimentos falou sobre o assunto. Mostrando africanos sendo presos, amostras de apreensão  de bagulho, entrevistas com a subprefeita do partido verde, o ministro de segurança  interna, o chefe de polícia de Berlin, os comerciantes do Café-bar Shishas, moradores, etc. Mas o programa tinha uma perversão, além do racismo distilado: o texto da narrativa tentava ligar o tempo todo o caso do Gölitzerpark com o Movimento dos Refugiados Africanos, que há dois anos lutam politicamente numa briga titânica com o governo alemão pelo direito de Asilo no país.polizei

foto/taz: “medo da polícia”, movimento de refugiados africanos em Berlin.

Evidente que isso indignou todas as organizações que nesse momento estão dando cobertura ao Movimento de refugiados e várias notas de repúdio e chamadas de encontros foram despachados essa semana.

O jogo está duro para os africanos aqui na região de Berlin Kreuzberg, propagandeada como a zona livre e multicultural da capital alemã. E o mais importante: os “capos”. os que estão por trás e controlam todo esse jogo nunca são citados ou aparecem. Alguém já alertou para a questao do “Tráfico Humano de trabalho escravo” nessa onda toda.

Na ocupação do Görlitzerpark os africanos tiveram que travar “uma guerra” de alguns anos contra as mafias turcas e libanesas que mandavam no parque anteriormente.

Abaixo dois artigos que já escrevi sobre o tema anteriormente:

A situação crítica de alguns migrantes africanos em Kreuzberg.

https://ppaberlin.com/2014/01/

Africanos são os “motores” descartáveis das bocas de fumo do Görlitzer Park do meu bairro Kreuzberg!

https://ppaberlin.com/2012/11/

 

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