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O Drama dos Africanos e as Drogas em Berlin Kreuzberg!

04 dez

Dealer

foto/tagesspiegel

Há duas semanas atrás dois jovens africanos (um da Tunísia, 16 anos;  e outro da Argélia. 17 anos) entraram em conflitos com os donos e fregueses de um bar aqui perto de casa. O resultado foi: o café-bar Sichas depredado e os dois africanos foram parar no hospital gravemente feridos por facadas.

Pode parecer apenas um conflito racista ou vandalismo de jovens embriagados e doidões, desses que rolam nas noites e madrugadas de Berlin, na região de Kreuzberg. Mas vai além disso.

Esses jovens fazem parte da legião dos mais de 250 africanos, de várias partes do continente, que ocupavam até esse dia o “Görlitzerpark“, um parque famoso desse lado de Berlin, numa refuga que se intensificou nos inícios da primavera e que teve seu auge no verão desse ano. O Görlitzerpark sempre foi conhecido como “área livre” de circulacao e consumo de marijuana no bairro.

Controlados por “máfias invisíveis” alemães, russas e outras, são conhecidos por “Dealer” pela polícia. Que no dialeto local seria os “Vapores” (vendedores de bagulho).

Eles se distribuem ao longo do parque em “bocas”, cada uma dividida por jovens e mesmo alguns mais velhos, “obedecendo” as suas nacionalidades. E vez por outra surgiram conflitos entre eles dentro do parque, porque alguém invadiu o território do outro.

No verão turístico foi o grande “boom” das bocas. E também de muitas incursões da polícia no parque para desmantelar o negócio. Mas parecia que tinha uma comunicação entre todo mundo e quando a policia entrava no parque, as bocas sumiam como um milagre. E era só os meganhas baterem em retirada e milagrosamente as bocas surgiam das moitas e das árvores. Assisti várias vezes esse jogo de esconde-esconde durante o verão. E às vezes a polícia conseguia pegar um ou dos ou três. E lá se iam eles amarrados em uma corda os três com um parrudo choque puxando-os até o camburão naquele velho teatro da polícia.

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Como a subprefeita da região,  Monika Herrmann., foi eleita na última eleição defendendo a liberação da maconha em Kreuzberg, questionada por moradores locais sobre a “crescente criminalidade” no parque, Monica apresentou um projeto de implantação de um Coffeshop, desses que existem em Amsterdam, para a área do Görlitzerpark. Apresentou, em reuniões e assembléias comunitárias em alguns lugares do bairro. Mas o projeto se esqueceu de um grande detalhe: o que fazer com aquele imenso contingente de africanos, muitos indocumentados, que faziam o comércio da marijuana no parque? Até agora ela não respondeu e o projeto sumiu.

Pois bem: com a vinda do outono, observou-se que nos últimos meses haviam chegados mais africanos no parque, com esmagadora maioria de jovens, entre 16 a 18 anos. E aí aconteceu um troco: como o parque já era loteado por “tribos” diferentes, esses jovens foram expulsos do parque e passaram a ocupar as ruas ao redor e ocupando também as instalações da estacão de metro Görlitzer Banhof. E a disputa entre eles foi ficando acirrada nas ruas e também tendo atritos com comerciantes locais, pois alguns se instalavam nas portas de estabelecimentos.

Houve em agosto uma manifestação anti-racista na porta de um café-bar tradicional da área, porque o dono do estabelecimento proibiu a entrada de africanos e outras pessoas negras no local. E isso é quase uma afronta à tradição do bairro de Kreuzberg, bairro de massissa presença de migrantes e das lutas anti-racistas. E aconteceram outras várias manifestações anti-racistas contra o tratamento que a polícia estava dando aos africanos que eram presos em suas batidas.

Com a baixa temperatura que está acontecendo em Berlin, esses jovens que ficam perambulando nas ruas tentando vender os seus bagulhos debaixo do maior frio, muitas vezes entram nos bares e cafés para se aquecerem. E como já está essa animosidade no comércio contra eles, são expulsos. E me parece, numa história até agora bem confusa, foi o que aconteceu com os dois jovens que foram esfaqueados dentro do Sichas Bar, na Skalitezerstrasse há duas semanas atrás. Um dos donos do estabelecimento disse em entrevista na televisão, que os jovens estavam assediando fregueses, oferecendo drogas dentro do bar e quando eles pediram para eles saírem, começaram a depredação do bar. Mas não falou como os jovens foram esfaqueados e por quem?

A polícia no dia seguinte, e segue até esse momento, começou uma grande operação de desmantelamento no parque e nas redondezas. Nos três dias que se seguiram aconteceram várias prisões e confrontos entre africanos e a polícia nas ruas e dentro do parque.

Nesse momento, a polícia ocupa todos os dias, as entradas e saídas do parque. Em alguns lugares onde que ficavam “as bocas” foram cercados por barreiras. E tem um detalhe curioso nessa operação: os africanos ficavam embaixo das árvores e escondiam os sacos do bagulho nas muitas moitas ao longo do parque, para evitarem flagrantes de uma possível “razzia” (blitz). A semana passada, a subprefeitura colocou uma equipe de funcionários e máquinas podando árvores e rapando o máximo possível as moitas ao longo do Gölitzer.

Muitos africanos sumiram do cenário, o parque está vazio como nunca aconteceu na história de Kreuzberg, mas tem alguns que tentam manter o “negócio” perambulando pelas ruas em torno do parque, no sufoco da fome e do frio. E há três dias atrás, dois se desentenderam na Falkener Straße e se esfaquearam no meio da rua. Pronto! Sujou mais ainda.

Há dois dias atrás um jornal-revista de televisão,o  SPIEGEL TV – Magazin, Reportage, Special, Thema,  num de seus seguimentos falou sobre o assunto. Mostrando africanos sendo presos, amostras de apreensão  de bagulho, entrevistas com a subprefeita do partido verde, o ministro de segurança  interna, o chefe de polícia de Berlin, os comerciantes do Café-bar Shishas, moradores, etc. Mas o programa tinha uma perversão, além do racismo distilado: o texto da narrativa tentava ligar o tempo todo o caso do Gölitzerpark com o Movimento dos Refugiados Africanos, que há dois anos lutam politicamente numa briga titânica com o governo alemão pelo direito de Asilo no país.polizei

foto/taz: “medo da polícia”, movimento de refugiados africanos em Berlin.

Evidente que isso indignou todas as organizações que nesse momento estão dando cobertura ao Movimento de refugiados e várias notas de repúdio e chamadas de encontros foram despachados essa semana.

O jogo está duro para os africanos aqui na região de Berlin Kreuzberg, propagandeada como a zona livre e multicultural da capital alemã. E o mais importante: os “capos”. os que estão por trás e controlam todo esse jogo nunca são citados ou aparecem. Alguém já alertou para a questao do “Tráfico Humano de trabalho escravo” nessa onda toda.

Na ocupação do Görlitzerpark os africanos tiveram que travar “uma guerra” de alguns anos contra as mafias turcas e libanesas que mandavam no parque anteriormente.

Abaixo dois artigos que já escrevi sobre o tema anteriormente:

A situação crítica de alguns migrantes africanos em Kreuzberg.

https://ppaberlin.com/2014/01/

Africanos são os “motores” descartáveis das bocas de fumo do Görlitzer Park do meu bairro Kreuzberg!

https://ppaberlin.com/2012/11/

 

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2 Respostas para “O Drama dos Africanos e as Drogas em Berlin Kreuzberg!

  1. Januario Garcia

    dezembro 5, 2014 at 10:05 pm

    Adauto voce pode tecer um panorama de que maneira é visto o negro brasileiro nesse cenário pelo alemães? existe aspectos que diferenciam os brasileiros dos africanos? de um modo geral qual o diferencial dos negros Latinos?

    Januario

     
  2. Nicolau

    setembro 11, 2015 at 12:39 am

    E, todos os miseráveis do mundo invadem a Alemanha pra “sofrerem” como idiotas no Capitalismo! Nenhum desses miseráveis vai para o “paraíso comunista” na China, Vietnã, Coreia Comunista, Cuba, Angola Socialista ou Moçambique Socialista! É burrice ou masoquismo de otários idiotas que gostam de sofrer no Capitalismo alemão?!

     

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