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O Grande Xavante e a Corrupção da República!

09 dez

O Grande Xavante e a Corrupção da República!

imagem: O Pasquim

imagem: O Pasquim

Hoje lembrei-me do grande Xavante Mário Juruna.

Em um dos encontros ocasionais ou em movimentos em que estive com ele, estava em Brasília num evento de “Vídeo nos Movimentos Populares”. E num dos bate-papos que rolou foi com o Juruna;  Juruna era Deputado Federal pelo PDT e naquele momento estava sendo atacado por políticos, latifundiários, direita racista e mídias golpistas de corrupção. O índio estava bravo com isso e em suas declarações públicas ele colocava a sua posição contra a infame acusação.

Em 1984, denunciou o empresário Calim Eid por tentar suborná-lo para votar em Paulo Maluf, candidato dos militares à presidência da república no colégio eleitoral. Votou em Tancredo Neves, candidato da oposição democrática. O dinheiro havia sido depositado em sua conta, à sua revelia. E alguém maliciosamente tinha reportado o fato. Pronto, Juruna estava na rota de sua desconstrução  política.

Um dia, Juruna chamou para uma coletiva de imprensa e se apresentou para a sua versão dos fatos. Depositou uma mala cheia de dinheiro na mesa, ligou o seu gravador e disse que estava devolvendo o dinheiro à Paulo Maluf.

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O Deputado Federal Mário Juruna, no Parlamento, recebendo os parentes na Câmara dos Deputados. -Foto: gazetadebeirute

Naquele nosso encontro em Brasília, no bate papo com os “videoteipeiros”, Juruna estava forte e fraco ao mesmo tempo. Mas estava inteiro, digno e guerreiro, orgulho do povo Xavante e de todos os povos das Florestas, como se dizia nessa época nos Movimentos indígenas e dos povos das Florestas. Mas esse fato, atingiu também a sua gente, e muitos indígenas passaram a desconfiar de Juruna.

Juruna ainda tinha um perrengue. Mesmo sendo um político do parlamento brasileiro, Juruna não tinha autorização para deixar o país, mesmo em missões oficiais de parlamentares no exterior. Pois era preso por um antigo “esquema legal” de tutelas do povo indígena no Brasil. Qualquer indígena só poderia deixar o país com uma autorização oficial de órgãos do governo. E várias vezes, Juruna teve seu pedido de viagem ao exterior negados pelas autoridades brasileiras e departamentos mesquinhos.

Darci Ribeiro e Mário Juruna (PDT) foto: socialistamorena

Darci Ribeiro e Mário Juruna (PDT)
foto: socialistamorena

Juruna era grande demais para caber dentro dessa máquina corrupta. criminosa e destruidora que funciona a todo vapor em Brasília e na política corrupta brasileira. E hoje de manha, ao café, ao lembrar do grande Cacique, imaginei a indignação que ele não estaria com essa novela sobre a possibilidade da Senadora e latifundiária Kathia Abreu, para o Ministério da Agricultura do governo Dilma. Juruna pegaria agora o seu Smartphone turbinado, desceria no Planalto Central para registrar tudo o que o branco diz” e constatar que as autoridades, na maioria das vezes, continuam sem cumprir com a palavra. E são perigosos e corruptos para a República.
Negra Panther.

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Um pouquinho de Juruna

(Wikipedia)

Mário Juruna (Barra do Garças, 3 de setembro de 1942 ou 1943 — Brasília, 18 de julho de 2002) foi o primeiro deputado federal brasileiro pertencente a uma etnia indígena.

Nasceu na aldeia xavante Namakura, próxima a Barra do Garças, no estado de Mato Grosso, no Brasil. Era filho do chefe da aldeia, Apoenã. Viveu na aldeia, sem contato com o a população branca brasileira, até os dezessete anos, quando sucedeu seu pai na liderança da aldeia.

Na década de 1970, ficou famoso ao percorrer os gabinetes da Fundação Nacional do Índio, em Brasília, lutando pela demarcação de terra para os índios, portando sempre um gravador “para registrar tudo o que o branco diz” e constatar que as autoridades, na maioria das vezes, não cumpriam a palavra.

Foi eleito deputado federal pelo Partido Democrático Trabalhista (1983-1987), representando o estado do Rio de Janeiro. Sua eleição teve uma grande repercussão no país e no mundo. Foi o responsável pela criação da Comissão Permanente do Índio no Congresso Nacional do Brasil, o que levou o problema indígena ao reconhecimento formal. Em 1984, denunciou o empresário Calim Eid por tentar suborná-lo para votar em Paulo Maluf, candidato dos militares à presidência da república no colégio eleitoral.1 Votou em Tancredo Neves, candidato da oposição democrática.

Não conseguiu se reeleger em 1986, mas continuou ativo na política por vários anos. Findo o mandato e abandonado pela tribo, ficou na miséria, vindo a falecer em decorrência de diabetes.

Mário Juruna fala sobre a Corrupção  no Brasil em 1983.

Jururã – O Espírito da Floresta

 

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