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Arquivo mensal: janeiro 2015

Existe Movimento Negro na Alemanha?

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Amigos e conhecidos ligados principalmente ao Movimento Negro sempre me perguntam se existe MN na Alemanha e como é que atuam.

Nos últimos 5 anos estão sendo os momentos em que me aproximei efetivamente muito das acoes e projetos com organizações que poderiam ser consideradas como o MN, aqui em Berlin e Brandenburgo. Sao projetos e acoes que envolvem uma grande gama de pautas de reivindicações históricas com refugiados da África, a Historia da Alemanha com a África e as suas devidas reparações e marcos de memórias e a implementação real da contribuição africana e de seus descendentes na História Geral da Alemanha na Educação, com a importância que se é devida.

Com essa constante agora aproximação maior e intercâmbios com uma miríades de entidades e ativistas envolvidas nos projetos, pude reparar o seguinte:

– eu estou reparando bem como atuam os movimentos negros aqui na Alemanha. É um pool de entidades e ativistas que envolvem africanos de países das antigas colonias alemães, afro-deutsches e outrxs da diáspora imigrante como por exemplo a ativista brasileira Sandra Bello e o MC Angolano Diamondog. Cada uma com a sua ideologia e diferenças, mas que atua coletivamente. A essas forcas se juntam organizações anti-racistas, anti-xenofobia, anti-nazifascista, etc, de todos os tipos, gêneros e nacionalidades que vivem na Alemanha.

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Essas forcas militantes blacks não ficam nas disputas intestinas e egocêntricas entre si e nem querem carguinhos cala-bocas do governo e poleiros em partidos. Tem-se uma clareza muito grande sobre isso. Ninguém vai se dar bem ali sozinho. O governo, as instituições oficiais, o sistema, o Parlamento, a Polícia, a Escola. a Justiça e a Alemanha são as metas que são confrontadas e postas em questão constantemente em acoes coletivas sobre os direitos universais de africanos, descendentes africanos e da diáspora no país. Um exemplo dessa independência demarcada foi o que aconteceu na marcha de domingo retrasado em Berlin, em memória do jovem africano refugiado Khaled Idris, quando a central da Marcha pediu a retirada das bandeiras de partidos políticos do protesto e não permitiu que políticos partidários tomassem o microfone durante as falas da passeata. É claro que no Brasil a gente vive um outra realidade política e social. Mas o que eu vejo aqui nos Movimentos, seria muito bom e altamente produtivo se nós recuperássemos a independência de acoes coletivas do nosso MN no Brasil. Esse é o meu sonho sempre!!!

Essa é a minha impressão. Talvez outrxs tenham uma visão diferente!

Diga aí, Marcos Romão, você que faz parte dessas da história dessas forcas em Hamburg, durante muito tempo!! Como é que você vê isso?

Negra Panther.

foto/memorial: May Ayim – a figura símbolo da comunidade afro-deutsche e do MN na Alemanha, a poeta, pedagoga, feminista e ativista do movimento negro alemão. Filha de ganaense e mãe alemã.

 

“A PMRJ e o Caveira Neonazis!”

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imagens/ad: ss e bope: “waffen totenkopf” – armas na caveira

Aqui na Alemanha, vendo filmes sobre o nazismo, sempre me chamou a atenção os símbolos emblemáticos que os nazis usavam para simbolizar e invadir com as suas marcas no inconsciente da população. E um desses símbolos é a caveira, solitária ou tendo junto alguma arma, na maioria das vezes uma faca militar espetada no cranio ou duas facas ou pistolas cruzadas nela. Esse símbolo representa “Morder” (Matador).

Quando vi o símbolo do BOPE pela primeira vez, disse a um amigo alemão: esse símbolo é um símbolo nazista usado pela elite da Policia Militar do Rio de Janeiro. E esse alemão disse que era muito parecido com bandeiras e símbolos de tropas de elite do exército nazista no tempo da Guerra. E que existiam condecorações de oficiais alemães que tinham essa caveira no meio da medalha cruz de malta da comenda. Além fivelas de cintos e botoes dos capotes militares. Era uma representação de Poder de “Morder” (Matador): emblema da SS, que se transformou num emblema de horror na Alemanha e em toda a Europa.

Quando, com essa experiencias aqui em Berlin, vi também que o símbolo da Scuderie Detetive Le Coq, o afamado Esquadrao da Morte, organização de matadores policiais de elite no Rio de Janeiro, durante a Ditadura Militar, usavam a mesma caveira, parecida com as caveiras nazistas.

Digo isso pelo seguinte: surgiu a denuncia de que um comandante de elite da Polícia Militar, pertencente ao comando da Tropa de Choque e do Bope, pregava nas redes, em grupo de WhatsApp, violência extrema contra manifestantes nos movimentos populares de 2013 no Rio de Janeiro.

O que nao é nenhuma novidade sem se tratando da Polícia Militar no Rio de Janeiro e a sua já conhecida violência social e política.

O detalhe é que o tal comandante além das mensagens e orientações aos seus comandados para detonar manifestantes e “os black bobos”, como ele chama os Black Blocks em suas mensagens, pregava abertamente pensamentos e ideais nazistas. O cara é um neonazis em posto de comando na Polícia Militar do Rio de Janeiro. E segundo o que foi publicado pela Revista Veja que levantou a lebre, nesse final de semana, existe um grupo em torno desse comandante, o coronel Fábio Almeida de Souza.

Em seus diálogos do grupo no WhatsApp, fica clara a admiração do coronel Fábio pela filosofia do nazismo. Já certo de que estaria de volta ao Choque neste ano, ele promete vingança. “Em abril de 2015 assumirei o controle da PMERJ. Está nas escrituras. Serão quatro anos de inverno nuclear para os peitos de ladrilho. Só cursado terá vez. Choque, Caveira, Cachorreiro ou piloto. O resto será escorraçado (…) Aí vocês verão o que é revanchismo combinado com vingança. (…) Padrão Alemanha de 1930. Vai ter virada e vingança. 2014, a virada. 2015 a caça aos infiéis insurgentes ladrilhos malditos indignos”, promete. Além disse, alguns o chamam em mensagens de “Fuher”, a mesma designação de Hitler.

Quer dizer, é muito grave isso. Principalmente para a população que sempre esteve na mira e nas pistas da polícia no Rio de Janeiro.

A Polícia Militar informou que um IPM está em andamento, em fase de cumprimento de exigências feitas pelo Ministério Público. Ainda segundo a PM, todos os oficiais citados nos fatos já depuseram na qualidade de testemunhas. Enquanto a Secretaria de Segurança comunicou que o coronel Fábio não foi indiciado em nenhum IPM.

Se mexer nessa caveira vai sair mais coisas disso.

Enquanto aqui em Berlin, os Movimentos Sociais há anos vem apontando policiais que fazem parte de grupos, ou dão coberturas a grupos e paramilitares neonazis, nos quadros da polícia de Berlin. Pode estar acontecendo a mesma coisa dentro das polícias brasileiras, evidentemente com as nossas características brasucas. O caso desse comandante de elite pode ser apenas a ponta de um iceberg enorme e surpreendente. Inclusive para se entender a violência racista com que a polícia militar trata as populações pobres e pretas no Rio de Janeiro e em várias capitais do país.

O caso é muito grave e não pode deixar passar a toa, como um passarinho! Estamos tratando com “Morder” (Matadores) em instituições do Estado, que são mandados como máquinas perigosas para reprimir a população, principalmente a população negra.

Os movimentos socais devem se ligar nessa Inteiramente.

Negra Panther.

foto1/historian: a bandeira de uma tropa de elite SS nazi

foto2/internt: simbolo do E.M. e do Bope, no Rio de Janeiro.

 
 
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