RSS

Arquivo mensal: abril 2015

Baltimore é um Bantustão

a

Baltimore queima de revolta
como Ferguso
a prefeita de Baltimore é negra
o chefe de polícia de Baltimore é negro
o presidente do país é negro
o jovem que foi morto é negro
os revoltados de Baltimore são negros
a polícia de Baltimore/Oakland é BRANCA.

É a senzala-gheto Alfavela dos EUA.

astephanie-rawlings-blake aOakland-California-Police-Chief-Anthony-Batts

aObama-EU-January-2012

A morte de jovem negro após ação policial termina em confrontos e governador decreta estado de emergência na cidade

negra panther.

(“Bantustanes” eram os guetos onde habitavam os negros sul-africanos durante o apartheid.)

imagens/news: a prefeita de Baltimore Stephanie Rawlings-Balke; o confronto com a polícia branca; o chefe de polícia de Baltimore/Oakland Anthony Batts e o presidente do país Barak Obama.

Baltimore police clash with protesters after Freddie Gray funeral | Mashable

Protestos após o funeral de Freedie Gray, em Baltimore.

 

Uma entrada inusitada na capital da Alemanha, onde eu pensava que só tinha “hilters”.

 

Natural_Mystic

Há anos atrás, quando a Katharina me convidou para ir visitar Berlin, eu resisti. Falei que nunca pisaria naquele país, pois achava que lá só havia “hitler”. Mas a dona insistiu tanto, que resolvi dar uma olhada na parada. Mas com uma condição: se viesse “hilter” em cima de mim, eu iria meter o cacete. Nao ia dar mole. E foi nesses termos que segui para a minha primeira aportada em Berlin.

Katharina foi me buscar no aeroporto Tegel, de carro. E lá fomos nós em direcao a minha primeira pousada: a rua Forster Strasse, em Kreuzberg.

Pois bem, quando o carro saiu do aeroporto, que fica num pequeno elevado, e desceu para pegar a pista para ir ao centro da cidade, olhei lá embaixo e tomei um choque com o que vi. Parecia que eu tinha sido transportado de repente para outro lugar, como naqueles filmes de ficcao científica. Ou tinha tomado um ácido.

As imagens estavam lá, e eram reais. Em cima de um prédio rodava o símbolo da Mercedes Benz; e no edifício ao lado, maior que o outro, uma foto imensa, que cobria toda a parede do prédio, de Bob Marley. Aquela imagem da capa do disco Natural Mistic.

aLogotipo-Mercedes-Benz

Boqueaberto perguntei se a Katharina estava vendo o que eu via. Ela me respondeu: sim, Bob Marley na cena. Perguntei: como é que é isso ? A Katharina respondeu: vai ter uma grande festa semana que vem em Kreuzberg, da Comunidade Jamaicana de Berlin, pela independência da Jamaica e o homenageado, o patrono da festa é Bob Marley.

Nos dias seguintes, além de ser apresentado xs brazucas que agitavam a cena artística e cultural brasileira de Berlin, fui levado a conhecer a comunidade jamaicana de Berlin. E lá estavam os Velhos Rastas, os griots, os chefes, alguns com a vasta cabeleira até os pés que movimentavam a cena cultural e política rastafari em Berlin. E foi com eles que eu fumei a primeira Kaya em Berlin, plantada na comunidade dos jamaicanos, em seus pequenos sítios ao redor de Berlin. E entendi por um deles, que foi Jah que tinha me conduzido até ali.

Eu nunca mais esqueci essa parada. E quando me dizem que na Alemanha só tem “hitler”, eu dou uma risadinha e aumento o volume da minha radiola com o “Natural Mistic”, de Bob Marley e me lembro daqueles velhos rastas que me receberam tao bem em sua tribo de Leões de Judah nas terras da Mercedes Benz.

Negra Panther.

imagens/internet: “Bob Marley, “Natural Mistic” nas Terras da Mercedes Benz, na minha primeira entrada em Berlin”.

 

Da repressão policial ao Funk e ao Soul.

a

O pessoal fica denunciando as proibições da polícia da UPP nas comunidades por causa dos Bailes Funks.

Esse sufoco já passamos há anos e anos atrás, quando era o tempo dos bailes blacks dos anos 70 nos subúrbios do Rio de Janeiro.

Quantas vezes já corri de pancadaria e invasões da polícia nos bailes do Greipe da Penha e também em Madureira, Marechal Hermes, Rocha Miranda. Umas duas vezes a polícia deu tiros dentro do clube Greipe para acabar com o baile. E se você fosse preso, tomava porrada e ainda te esculachavam. Um amigo meu, lá de Padre Miguel, que ia sempre aos bailes comigo e uma galera, foi preso e tosaram a cabeleira black power dele e feriram o couro cabeludo.

No mesmo momento aconteciam os “bailes blacks” no Canecão com os Djs Ademir e o legendário Big Boy, pra playboyzada da Zona Sul. E a polícia ficava estacionada na porta, dando proteção à Casa Noturna.

Mas como bem lembra Dom Filó, grande personagem da época com os Bailes no Renascença Clube. Só discordo quando ele diz que os bailes começam no Canecão. Eu já ia em bailes lá em Padre Miguel, no quintal de uma turma, que depois desceu para o centro. E existia um movimento black artístico e político em que fazia parte o Antonio José do Espírito Santos e eu tinha um pequeno grupelho da minha rua que a gente se denominava “Célula Suburbana da Falcão”. Os bailes nascem nos guetos e desaguam pelo Rio de Janeiro todo e é capitalizado pelo pessoal das rádios da Zona Sul. James Brown era o nosso Rei. E tinham alguns de nós, que eram mais politizados, que traziam as idéias dos Panteras Negras, Black Power, Orgulho Black, “Black is Beautiful”.

aa

O cineasta Glauber Rocha disse uma vez: que os Bailes Black Rio eram financiados pela CIA para alienar os negros das favelas com a cultura americana. Não sacou nada do que estava rolando com os broders e as sisters.

. Diz Dom Filó. “A história começa no Baile da Pesada, anos 70, no Canecão, comandado pelo lendário disc-jockey Big Boy, quando a festa deixa a casa para dar lugar a Roberto Carlos. Da Zona Sul ao subúrbio, o soul toma conta do Rio e surgem dezenas de equipes como Célula Negra, Black Power, Revolução da Mente e Soul Grand Prix, que ocupam localidades como Leopoldina, Méier, Cascadura, Marechal Hermes, Madureira, Rocha Miranda e Oswaldo Cruz. E é neste contexto que surgem Dom Filó, Mister Funky Santos, DJ Marlboro, Rômulo Costa, Furacão 2000, D’ Eddy e Grandmaster Raphael, como também os hits como “Melô da Mulher Feia”, “Rap do Pirão”, “Feira de Acari” e as versões e montagens como “Montagem do Sax” (baseada em “Your Lastest Trick”, de Dire Straits)”.

Negra Panther.

imagem/arquivo: O Baile Black Rio suburbano e James Brown.

 

Tags: , , , , ,

 
%d blogueiros gostam disto: