RSS

Da repressão policial ao Funk e ao Soul.

21 abr

a

O pessoal fica denunciando as proibições da polícia da UPP nas comunidades por causa dos Bailes Funks.

Esse sufoco já passamos há anos e anos atrás, quando era o tempo dos bailes blacks dos anos 70 nos subúrbios do Rio de Janeiro.

Quantas vezes já corri de pancadaria e invasões da polícia nos bailes do Greipe da Penha e também em Madureira, Marechal Hermes, Rocha Miranda. Umas duas vezes a polícia deu tiros dentro do clube Greipe para acabar com o baile. E se você fosse preso, tomava porrada e ainda te esculachavam. Um amigo meu, lá de Padre Miguel, que ia sempre aos bailes comigo e uma galera, foi preso e tosaram a cabeleira black power dele e feriram o couro cabeludo.

No mesmo momento aconteciam os “bailes blacks” no Canecão com os Djs Ademir e o legendário Big Boy, pra playboyzada da Zona Sul. E a polícia ficava estacionada na porta, dando proteção à Casa Noturna.

Mas como bem lembra Dom Filó, grande personagem da época com os Bailes no Renascença Clube. Só discordo quando ele diz que os bailes começam no Canecão. Eu já ia em bailes lá em Padre Miguel, no quintal de uma turma, que depois desceu para o centro. E existia um movimento black artístico e político em que fazia parte o Antonio José do Espírito Santos e eu tinha um pequeno grupelho da minha rua que a gente se denominava “Célula Suburbana da Falcão”. Os bailes nascem nos guetos e desaguam pelo Rio de Janeiro todo e é capitalizado pelo pessoal das rádios da Zona Sul. James Brown era o nosso Rei. E tinham alguns de nós, que eram mais politizados, que traziam as idéias dos Panteras Negras, Black Power, Orgulho Black, “Black is Beautiful”.

aa

O cineasta Glauber Rocha disse uma vez: que os Bailes Black Rio eram financiados pela CIA para alienar os negros das favelas com a cultura americana. Não sacou nada do que estava rolando com os broders e as sisters.

. Diz Dom Filó. “A história começa no Baile da Pesada, anos 70, no Canecão, comandado pelo lendário disc-jockey Big Boy, quando a festa deixa a casa para dar lugar a Roberto Carlos. Da Zona Sul ao subúrbio, o soul toma conta do Rio e surgem dezenas de equipes como Célula Negra, Black Power, Revolução da Mente e Soul Grand Prix, que ocupam localidades como Leopoldina, Méier, Cascadura, Marechal Hermes, Madureira, Rocha Miranda e Oswaldo Cruz. E é neste contexto que surgem Dom Filó, Mister Funky Santos, DJ Marlboro, Rômulo Costa, Furacão 2000, D’ Eddy e Grandmaster Raphael, como também os hits como “Melô da Mulher Feia”, “Rap do Pirão”, “Feira de Acari” e as versões e montagens como “Montagem do Sax” (baseada em “Your Lastest Trick”, de Dire Straits)”.

Negra Panther.

imagem/arquivo: O Baile Black Rio suburbano e James Brown.

 

Tags: , , , , ,

2 Respostas para “Da repressão policial ao Funk e ao Soul.

  1. Lu Xavier

    agosto 24, 2015 at 6:37 am

    Olá! Meu nome é Luciana, sou jornalista e pesquisadora, e adorei seu texto-testemunho sobre o começo da Black Rio. Queria saber mais sobre isso. Será que a gente podia conversar por email? Deixo meu contato aqui. Abraços!

     
  2. ny

    maio 22, 2016 at 6:10 pm

    Na decada de 70 eu ia a bailes ,não tive problemas ao contrario curti muito ,mas sabia-se que o racismo imperava maquela epoca com o cocotas ,tentando nos humilhar mas ficava ruim pra eles.

     

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: