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Arquivo mensal: maio 2015

“O Imperador Jones” e o Teatro Municipal do Rio de Janeiro

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Enquanto comemoram os 70 anos da queda da Alemanha Nazista, eu comemoro os 70 anos de “Imperador Jones”, do Teatro Experimental do Negro.

Esta semana em que comemoram e celebram os 70 anos da vitória das Forcas Aliadas e a captulacao da Alemanha Nazista com o fim da Segunda Guerra Mundial, um acontecimento importante deveria também ser celebrado e festejado no Brasil.

Há 70 anos atrás um grupo de teatro, que se transformou numa poderosa organização de luta do povo negro na época, apresentava no Teatro Municipal do Rio de Janeiro a peça O Imperador Jones, de Eugene O’Neill.

O grupo seria o TEN – Teatro Experimental do Negro, fundado em 1944, por Abdias Nascimento e o círculo de pessoas que o acompanhava.

O Imperador Jones foi o espetáculo de fundação e lançamento do TEN no Brasil.

A estréia do espetáculo no afamado Teatro Municipal do Rio de Janeiro, antro das elites brancas burguesas, causou um grande tititi e imensa espectativa na cidade. Pela primeira vez o palco imaculado do Teatro Municipal seria pisado por pés de atores negros, talvez alguns até netos de escravos que construíram a imponente casa das Líricas e das Óperas.

Na noite do dia 8 de maio de 1945, quando a cidade do Rio de Janeiro comemorava o fim da guerra mundial e em plena avenida Rio Branco, onde fica o Teatro Municipal, uma imensa multidão marchava pela avenida comemorando a derrocada do Nazismo, o TEN subiu ao palco para apresentar o drama do Imperador negro, Jones, de Eugene O’Neill.

E arrebentaram. Contam as cronicas da época. Pois essa “audácia” dos pretos estava sendo vista pela chamada “opiniao pública” com pessimismo, descrença e mesmo rejeição racista. Imagina, uma peca de pretos amadores sendo estreada no Teatro Municipal. O que que iriam dizer os europeus disso.

Abaixo dois momentos que jornalistas e críticos importantes da época escreveram sobre o que aconteceu:

– Um clima de pessimismo e descrença dos meios culturais havia cercado a estréia do TEN, expresso nessas palavras do escritor Ascendino Leite:

“Nossa surpresa foi tanto maior quanto as dúvidas que alimentávamos relativamente à escolha do repertório que começava, precisamente, por incluir um autor da força e da expressão de um O’Neill. Augurávamos para o Teatro Experimental do Negro um redondo fracasso. E, no mínimo, formulávamos censuras à audácia com que esse grupo de intérpretes, quase todos desconhecidos, ousava enfrentar um público que já começava a ver no teatro mais do que um divertimento, uma forma mais direta de penetração no centro da vida e da natureza humana. Aguinaldo Camargo em O Imperador Jones foi, no entanto, uma revelação.

R. Magalhães Júnior traduziu o desejo dos que não assistiram:

“O espetáculo de estréia do Teatro do Negro merecia, na verdade, ser repetido, porque foi um espetáculo notável. E notável por vários títulos. Pela direção firme e segura com que foi conduzido. Pelos esplêndidos e artísticos cenários sintéticos de Enrico Bianco. E pela magistral interpretação de Aguinaldo de Oliveira Camargo no papel do negro Jones.”

No entanto essa foi a primeira e única vez que um grupo de teatro negro pisou o palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro até hoje.

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O detalhe também importante: no meio dxs atores da peca, praticamente todos desconhecidos e alguns bem amadores, se destacava uma jovem de 17 anos de idade, que se tornaria uma Grande Diva do Teatro, do Cinema e da Televisão brasileira. a Divina Ruth de Souza. Era a sua também estréia como atriz em alguma peca de teatro.

Então: enquanto por aqui na Europa estão comemorando os 70 anos da derrota da Alemanha Nazista, eu celebro os 70 anos do TEN e seu “Imperador Jones”.

A nossa história deve continuar com esse mesmo espírito de garra, ousadia e luta que o TEN apresentou ao Brasil em sua brilhante existência.

ACERVO ABDIAS NASCIMENTO

Viva o Teatro Negro Brasileiro.

Negra Panther.

fotos/arquivo: Aguinaldo Camargo “Imperador Jones”; a Divina Ruth de Souza; atores/atrizes do TEN, com o grande Abdias do Nascimentos no centro.

Para saber um pouco sobre o TEN – Teatro Experimental do Negro, vejam aqui no link abaixo:

http://www.scielo.br/scielo.php…

 
 
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