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Arquivo mensal: fevereiro 2017

Manifesto dos cineastas brasileiros em Berlin

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foto/cinevito:  Julio Machado e a atriz portuguesa Isabél Zuaa em cena  do filme “Joaquim”, concorrente brasileiro ao Urso de Ouro na Berlinale 2017 –

Manifesto dos cineastas brasileiros em Berlin

Cineastas brasileiros que estão em Berlin participando do Festival Internacional de Cinema de Berlin – Berlinale, leram um manifesto de repúdio ao governo brasileiro na cerimonia que aconteceu na última terça-feira na Embaixada Brasileira na capital:

A novidade deste ano ficou por conta da leitura de uma carta/manifesto dos cineastas, cujo teor se pode ler abaixo:

“Estamos aqui reunidos nesta noite para comemorar esta coisa fenomenal que são doze filmes brasileiros presentes na Berlinale, um dos festivais mais importantes do mundo, um momento incrível. Nesta oportunidade, sabendo que as embaixadas do Brasil sempre foram lugares muito incríveis, muito resistentes, embaixada é Estado, não é governo. Então a gente está aqui para dar um recado, a gente escreveu uma carta, e a gente vai ler uma pequena versão dela. Ela foi assinado por muita gente ligada ao cinema, não só no Brasil, também no exterior. A gente queria agradecer vocês por esta oportunidade de falar, e vamos começar a leitura:

“Estamos vivendo uma grave crise democrática no Brasil. Com um ano deste governo, direitos de saúde, educação e trabalhistas foram duramente atingidos. Junto com todos os outros setores, o audiovisual brasileiro, especialmente o autoral, corre risco de acabar. Nos últimos anos, a Ancine (Agência Nacional do Cinema) tem direcionado suas diretrizes, observando com atenção os muitos Brasis. Ampliou o alcance dos mecanismos de fomento, que hoje atingem segmentos e formatos dos mais diversos, entre eles, o cinema autoral, aqui representado.

“O resultado é visível. O ano de 2017 começou com a expressiva presença de filmes brasileiros nos três dos principais festivais internacionais, totalizando 27 participações em Sanders, Roterdã e Berlim. Não chegamos a este patamar histórico sem política pública. Tudo o que se alcançou até aqui é fruto de um grande esforço conjunto dos agentes envolvidos, entre a Ancine, produtores, realizadores, distribuidores, exibidores, programadores, artistas, lideranças, poder público, entre outros.

“Acima de tudo, queremos garantir que toda e qualquer mudança ou aperfeiçoamento nas políticas públicas do audiovisual brasileiro sejam amplamente debatidas com o conjunto do setor e com toda a sociedade. Assim, pedimos às instituições, produtores e realizadores de todo mundo que apoiem a luta e a manutenção de todos os tipos de audiovisual no Brasil. Defendemos, aqui, a continuidade e o incremento desta política púbica.”

A seguir, o embaixador Mário Vilalva tomou a palavra:

“Como Embaixador do Brasil, aqui em Berlim, eu quero dizer que eu recebo muito bem a reivindicação desta carta. Acho que a reivindicação é justa, acho que é democrático expor os problemas do setor, e quero dizer que podem contar com meu apoio para esta finalidade. Nós também queremos que o cinema brasileiro seja cada vez mais projetado no mundo. Nós estamos vivendo, aqui, um momento único do cinema brasileiro, com doze filmes participando de um dos maiores festivais do mundo.

“É um festival que acolhe cinemas estrangeiros, não é um festival que acolhe apenas filmes do país, como acontece em alguns outros festivais, que acolhem filmes do país e de forma muito lateral acolhem filmes estrangeiros. Aqui não, aqui o festival acolhe filmes do mundo inteiro. Portanto eu quero dizer que a reivindicação de vocês é uma reivindicação absolutamente válida, conta como nosso apoio. Nós queremos cada vez mais recursos para o cultura brasileira e eu tenho certeza de que o governo brasileiro é muito sensível a essa área.

“O governo brasileiro tem interesse também em que o Brasil seja cada vez mais projetado no mundo através das suas artes, das diversas formas de arte, nano só cinema, mas também na pintura, na música, no teatro, enfim, em todas as expressões brasileiras. Portanto, contem com o nosso apoio. Estaremos, na medida do possível, batalhando para que o cinema brasileiro tenha mais recursos e se Deus quiser no ano que vem vamos ter, ao invés de doze, vinte filmes brasileiros aqui. Obrigado pela presença de todos.”

O governo Temer ouvirá as ponderadas palavras de seu embaixador?

Alguém aí acredita?

negra panther

 

Tres Notas de Berlin

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Foto: Muhammed Lamin, Berlin

O Dilema entre a Deportação

A exposição etinerante do fotógrafo senegambio Muhammed Lamin, nosso parceiro nas ações do Refugee Exile Media – Remconnect, conta a história do movimento de asilantes africanxs que resistiram em 2012 com o Acampamento de Oranienplarz, em Kreuzberg.

Muhammed Lamin é um “tesmunha ocular da história”, pois fez parte dos moradores do acampamento e registrou todo o processo cotidiano, cultural e político do pessoal, até o seu incêndio e destruição por neonazis em 2013.

Hoje a mostra passou pela Werkstaat der Kulturen no encontro do REMconnect.

…………………………………………………………………………………………………………………..Os Jovens abandonados em Berlin.

O senado de Berlin está tomando medidas especiais, inclusive de aumento de verbas, para atender e acolher menores refugiados (até 17 anos), totalmente desacompanhados de suas famílias e que perambulam pelas ruas da capital.

A decisão foi tomada, depois de vários acontecimentos com jovens que foram presos por violências, roubos e venda de drogas nos parques e nas ruas. Como não tem saídas de sobrevivencias estao expostos, aliciados e explorados pelas várias máfias criminosas da capital.

Sao jovens que vieram no grande fluxo de asilantes que há dois anos aconteceu na Europa e a Alemanha recebeu cerca de hum milhão de pessoas.

Muitos desses jovens abandonados estão sem documentos e grande parte deles não passou pelos postos de registros do governo, que é o primeiro momento do processo de pedido de asilo no país.

A zona de Berlin, em que a maioria desses jovens circulam é em torno da estacão de metro Kottbusser Tor, em Kreuzberg.

Um dos pontos principais do plano é a cobertura de sobrevivência, moradia,atendimento médico e psicológico, orientação de trabalho e educação, principalmente. E só o ano passado a cobertura de 2.700 desses jovens custou ao senado e ao governo entre 100 à 200 milhões de euros. E cada vez mais estão chegando os jovens, da Síria, Iraque, Paquistao, Afganistao, em Berlin e perambulando pelas ruas.

Xs jovens das turmas que estamos trabalhando com “oficinas de educação e medias”, na escola Friedenauer Gemeinschaftsschule em Berlin-Schöneberg, são atendidxs dentro do projeto do Senado de Educação chamado “Wilkommen in Klasse” (Bem vindxs à Classe!). E alguns dessxs jovens foram abandonadxs ou se perderam das famílias nas fronteiras da Alemanha.

…………………………………………………………………………………………………………………..Bizarro Ocidental

Engraçado: os caras discutem em Munique não a segurança da paz internacional, mas a divisão entre eles dos espaços de conflitos e de guerras, com o bedelho da Otan. E o grande inimigo é o Estado Islâmico que eles mesmo criaram e alimentam.

Estão dividindo o mundo na Alemanha

Enquanto isso está acontecendo uma grande conferencia sobre segurança internacional em Munique, reunindo ministros do exterior das grandes potencias, a Rússia, a China, a União Européia e a OTAN.

O assunto é a divisão dos territórios internacionais com a presença de um novo personagem em cena: Donald Trump.

Ao mesmo tempo Angela Merkel foi prestar seu depoimento como testemunha no processo aberto pela Alta corte alemã sobre a agência de espionagem norte-americana NSA. de estar agindo no pais, com colaboração de agentes alemães, espionando sobre pontos sensíveis e altas autoridades alemães, inclusive Angela Merkel, durante o governo Obama.

E para coroar essas historias que já acontecem há dois dias, o sistema de segurança sensível e anti-terror veio com um papo que a Embaixada e mesquitas turcas eram centros de espionagem islâmica, usadas pelo governo turco . Vem merda por aí . Pois até agora a comunidade turca, maior povo migrante do país, não eram incomodados com suspeitas de terrorismo e e uma comunidade mais do que integrada e politicamente presente no espectro do parlamento alemão. Fora as contribuições e arrecadação que são grandes na economia alemã.

A Alemanha está fechando novos acordos estratégicos com a OTAN.

Fala-se num efeito e um risco Trump.

E por falar nisso, nem sei se o governo brasileiro está sabendo da conferência de Munique, que vai dar um novo mapa geopolítico e de poderes para os próximos anos.

negra panther

 
 
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